📅 Publicado em 19/01/2026 15h50✏️ Atualizado em 19/01/2026 15h51
Quem nunca pensou em largar tudo e cair no mundo, vivendo do próprio sonho, que atire a primeira pedra. Foi exatamente assim que o paranaense Jonas Wruck transformou uma inquietação de infância em seu estilo de vida. No Instagram, onde atende pelo nome de Joninhas Mochileiro (@joninhasmochileiro), ele compartilha suas rotinas com os seguidores. Viajante “raiz”, criador de conteúdo e andarilho do asfalto, já percorreu dezenas de países, levando pouca bagagem, mas muitas histórias para contar.
Atualmente, Jonas está em uma missão inédita: realizar sua primeira viagem internacional de carro, com destino à Venezuela. No meio do caminho, o roteiro, como quase sempre acontece, mudou, e ele fez uma parada estratégica em Marabá, onde visitou a sede do Grupo Correio para relatar um pouco dessa trajetória que já soma quase três décadas na estrada.
Natural de Corbélia, no interior do Paraná, Jonas começou a viajar cedo. “Eu saí pela primeira vez com 18 anos. Hoje tenho 47, então já são 29 anos vivendo na estrada”, resume. A estreia foi modesta, mas tornou-se grandiosa ao longo do percurso. Em 14 de agosto de 1998, ele partiu com a ideia de ir até Maringá, a cerca de 237 quilômetros de casa, mas mudou de ideia no trajeto e seguiu para Belo Horizonte, onde permaneceu por três meses. “Foi ali que eu entendi que não conseguiria mais parar”, relembra.
Leia mais:Depois disso, voltou para casa, trabalhou por alguns meses com o pai na construção civil, juntou dinheiro e deu um salto ainda maior: partiu para os Estados Unidos. Lá, viveu uma das experiências mais marcantes de sua vida ao conhecer todos os 50 estados do país, permanecendo, em média, de 15 a 20 dias em cada um antes de seguir viagem. “Eu ia de um para o outro, sem muito plano. Sempre foi assim”, conta, orgulhoso.
Mochileiro
Antes do carro, veio a mochila. Durante muitos anos, Jonas viajou como um mochileiro clássico: a pé, de carona, de bicicleta, da maneira que fosse possível. Foi assim que conheceu 41 países ao redor do mundo. “Hoje, até mudei a descrição do meu Instagram. Antes, eu dizia que era o único mochileiro brasileiro a conhecer todos os países do continente americano e os 50 estados dos EUA. Agora, deixo claro: são 41 países, 50 estados americanos, e sigo viajando”.
No Brasil, seu histórico também impressiona: Jonas já passou pelos 26 estados e pelo Distrito Federal. Ainda assim, afirma que continua a descobrir novos lugares. “Antes, como mochileiro, às vezes eu passava direto por regiões que queria conhecer. Os Lençóis Maranhenses, por exemplo, só fui conhecer agora, nesta viagem de carro”.
A relação com veículos consolidou-se nos Estados Unidos, quando passou a viajar motorizado. No Brasil, já teve outros carros, como um Corsa 1998, com o qual percorreu todos os estados. Atualmente, a estrada é compartilhada com um Ford Ka 2001, seu companheiro na expedição rumo à Venezuela.
Para chegar ao país vizinho, Jonas saiu de Balneário Camboriú em 6 de dezembro, passou por Votuporanga (SP), viajou pelo Nordeste, percorreu toda a costa, passou por Belém e chegou a Marabá. O plano inicial era seguir por Santarém e pelo Amazonas, mas as condições das estradas o forçaram a uma mudança de rota. “Agora vou descer em direção ao Mato Grosso, subir para Rondônia, atravessar pela BR-319 até Manaus, depois seguir para Boa Vista e, aí sim, entrar na Venezuela”.
Marabá, aliás, não é um território desconhecido para ele. Jonas já morou na cidade por um período, entre 2006 e 2007, quando trabalhou como DJ e promoter. “Eu achava que sabia andar pela cidade, mas hoje preciso usar o GPS. Cresceu demais”, comenta.
Para se manter na estrada, Jonas faz um pouco de tudo. Trabalha com pintura residencial e comercial quando surgem oportunidades, mas hoje sua principal fonte de renda vem das redes sociais. “Cerca de 90% a 95% vêm da ajuda dos seguidores”.
As paisagens acumuladas na memória são muitas: Jalapão, Lençóis Maranhenses, Chapada dos Veadeiros, Chapada dos Guimarães, Chapada Diamantina. Ainda assim, os Estados Unidos ocupam um lugar especial em seu coração. “Eu cresci com aquele ‘sonho americano’. Visitar o Parque Yellowstone, ver Nova York… isso é muito marcante para mim”. Mesmo com tanto chão rodado, os sonhos continuam. Grécia e Egito estão na lista. “Ainda há muitos lugares que preciso conhecer”.
Questionado sobre o que o move, Jonas admite que nem sempre sabe explicar. “É algo que vem desde criança. Eu queria sair, conhecer lugares novos. Não tem muita lógica”. Hoje, porém, a motivação ganhou um novo sentido: inspirar. “Muitas pessoas me dizem que gostariam de estar fazendo o que eu faço, mas não conseguem. Saber que eu inspiro essas pessoas é o que mais me motiva”.
Antes de seguir viagem, ele deixa um recado simples, mas direto: “Se você tem um sonho, seja persistente e não desista. Se parar, quando ficar mais velho, vai se perguntar por que não tentou. Hoje, aos 47 anos, quase 48, sinto-me como se tivesse 19. Eu apenas criei memórias e quero que outras pessoas façam o mesmo”.
E a estrada segue aberta. Sem pressa, sem roteiro fixo. Apenas com o carro, o sonho e a certeza de que o próximo destino sempre pode mudar.
