Correio de Carajás

DNIT anuncia retomada das obras da ponte do Araguaia e promete entrega em 2025

Após anos de atrasos e impasses, diretor-geral do órgão garante início das obras de cabeceiras em setembro e conclusão ainda este ano

Com o início das cabeceiras programado para setembro e a promessa de conclusão é até dezembro/Foto: Arquivo Correio
Por: Patrick Roberto
✏️ Atualizado em 29/08/2025 18h01

Depois de sete anos de espera e uma série de contratempos que transformaram a obra em símbolo dos desafios da infraestrutura brasileira, a ponte sobre o Rio Araguaia que ligará São Geraldo do Araguaia (PA) a Xambioá (TO), parece que finalmente tem uma nova perspectiva de conclusão. O diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Fabrício de Oliveira Galvão, anunciou na quarta-feira (27/8) o início das obras das cabeceiras da estrutura e garantiu que a ponte será entregue ainda em 2025.

A declaração foi feita durante evento no Palácio Araguaia, em Palmas, para a assinatura do termo de federalização da TO-050, entre Palmas e Silvanópolis. Galvão revelou que as obras de encabeçamento começarão na próxima quinzena de setembro, incluindo a construção de bueiros e contenção em gabião, etapas fundamentais para viabilizar a operação da ponte.

“Hoje a gente inicia as obras de encabeçamento da ponte de Xambioá. Próxima quinzena de setembro a gente vai iniciar as obras de bueiros, contenção em gabião para iniciar aquela obra […]. Então a gente efetivou a desapropriação, negociou judicialmente com as famílias, fez um projeto de desapropriação, licitou, contratou, e hoje estamos iniciando para, ainda esse ano, voltar ao estado do Tocantins e liberar a ponte de Xambioá”, declarou o diretor-geral.

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O anúncio representa um alívio para mais de 1,5 milhão de pessoas que serão beneficiadas pela obra, especialmente após o recente incidente envolvendo uma das balsas que fazem a travessia do rio, evidenciando a urgência da conclusão da ponte.

Desapropriações

Um dos principais obstáculos para a conclusão da obra foi finalmente removido: as desapropriações necessárias para a construção dos acessos. Galvão explicou que quando a atual administração assumiu o contrato em 2023, encontrou uma situação complexa, com a ponte praticamente pronta, mas sem as condições necessárias para sua operação.

“Recebemos, em 2023, uma ponte contratada, mas sem qualquer obra em suas cabeceiras e sem desapropriações realizadas. Esse foi o grande desafio”, afirmou o diretor-geral. A situação era ainda mais complicada no lado paraense, onde foi necessário remover 12 residências para viabilizar a construção dos acessos.

“Os últimos pilares sequer tinham desapropriação. Foi preciso retirar 12 casas para viabilizar a conclusão. Nós efetivamos as desapropriações, negociamos judicialmente com as famílias, elaboramos o projeto, licitamos, contratamos e hoje iniciamos a obra”, detalhou Galvão.

O processo de desapropriação no lado tocantinense foi concluído no primeiro semestre de 2025, enquanto no lado paraense as audiências de conciliação foram realizadas nos dias 6 e 7 de agosto deste ano, conforme havia sido programado anteriormente pelo DNIT. A resolução dessas questões fundiárias remove o último grande obstáculo técnico e jurídico para a conclusão da obra.

Atrasos e escalada de custos

A ponte sobre o Rio Araguaia carrega consigo uma história de atrasos que reflete os desafios enfrentados por grandes projetos de infraestrutura no Brasil. O contrato inicial foi firmado em 2017, durante a gestão de Michel Temer, com previsão de início das obras em 2018 e conclusão em três anos. No entanto, disputas judiciais impediram o início dos trabalhos, e a ordem de serviço só foi assinada pelo DNIT em 2020.

Paralelamente aos atrasos no cronograma, os custos da obra sofreram escalada significativa. O orçamento original de R$ 132 milhões, anunciado em 2017, evoluiu para R$ 157 milhões quando a ordem de serviço foi assinada em 2020. Atualmente, segundo o DNIT, os valores somados da ponte e acessos devem ultrapassar R$ 232,8 milhões, sendo R$ 204,2 milhões destinados especificamente à ponte e R$ 28,6 milhões para a construção dos acessos.

Situação atual

A imponente estrutura que se ergue sobre o Rio Araguaia possui 1.724 metros de extensão e atualmente apresenta 95% de conclusão em sua parte principal. O Consórcio A. Gaspar/Arteleste/V. Garambone, responsável pela execução da estrutura de concreto, já concluiu sua participação na obra há mais de um ano, deixando a fase final para outra empreiteira.

Atualmente, o canteiro de obras em Xambioá opera com uma equipe reduzida de aproximadamente 10 operários, envolvidos principalmente na construção de sistemas de drenagem com manilhas, preparando o terreno para os aterros que darão suporte aos acessos da ponte.

Os acessos planejados contemplam uma extensão total de 2.010 metros, distribuídos estrategicamente entre os dois estados: 310 metros no território paraense e 1.700 metros no lado tocantinense. O projeto prevê uma plataforma com 12 metros de largura, incluindo pista de rolamento, acostamento e calçadas de 1,50 metro em cada lateral, além da implementação de vias marginais à rodovia principal.

Esta configuração técnica foi projetada para suportar o intenso tráfego esperado na região, considerando que a ponte faz parte da BR-153, uma das principais rodovias federais do país, conectando o Sul ao Norte do Brasil. A estrutura foi dimensionada para atender não apenas o tráfego local entre os municípios de Xambioá e São Geraldo do Araguaia, mas também o fluxo de longa distância que utiliza esta importante rota nacional.

O DNIT reconhece que a abordagem adotada inicialmente, de iniciar a construção da ponte antes de garantir as condições para os acessos, criou uma situação paradoxal que se tornou símbolo dos problemas da infraestrutura brasileira. A estrutura praticamente pronta, mas inutilizável, gerou frustração na população e questionamentos sobre a eficiência dos investimentos públicos.