Correio de Carajás

Dia do Combate ao Bullying: especialista explica como identificar sinais

Dados do IBGE apontam que 27,2% dos estudantes sofreram duas ou mais agressões no ambiente escolar

Jovem sentado no chão com a cabeça nas mãos, aparentando angústia e tristeza.
Foto: Freepik
✏️ Atualizado em 07/04/2026 17h03

Nesta terça-feira (7), é celebrado o Dia Nacional do Combate ao Bullying e à Violência na Escola. A data busca evidenciar o problema social e reforçar a importância de discutir saúde mental de jovens na fase escolar.

Em entrevista, a educadora e psicanalista Celina Fernandes explicou como identificar sinais de bullying em crianças e adolescentes. A especialista destacou que o bullying é uma violência sistemática que afeta principalmente adolescentes e que nenhuma instituição está livre.

“Nenhuma escola hoje em dia está livre de vivenciar situações de bullying. É triste dizer isso, mas é uma verdade”, afirmou Celina, completando que esses cenários nocivos estão amplamente relacionados às dinâmicas presentes nas relações entre os estudantes.

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Para ela, observar mudanças no comportamento das crianças é a principal forma de identificar possíveis vítimas das violências verbais e físicas. A educadora ainda aconselhou os pais a procurarem a escola quando notarem essas alterações.

“Acho que o mais essencial é perceber se houve alguma mudança de comportamento. Se a criança tem algum problema ao dormir, se ela não quer ir para a escola, se ela deixa de comer como comia regularmente”, explicou a educadora.

Traumas causados pelo bullying podem durar até a vida adulta

A implementação de uma data anual para disseminar informações sobre o problema reforça que o bullying pode causar traumas significativos que se estendem até a vida adulta.

“Já tivemos vivências com estudantes que manifestavam os traumas em relação às situações que eles tinham vivenciado. É muito difícil nós, apenas na escola, oferecermos todos os recursos para que a criança possa se sentir melhor ao longo do processo e inclusive lidar com isso na sua vida adulta”, relatou.

A psicanalista defendeu que, além do desenvolvimento intelectual, as escolas devem priorizar a autonomia moral dos estudantes e deixar de tratar apenas do “desenvolvimento da autonomia intelectual”.

“O que importa efetivamente é o fortalecimento daquela criança que eventualmente é agredida, para que ela possa responder para aquele que a agride”, concluiu.

Celina ainda destacou a importância das escolas promoverem ações que discutam a problemática e apontem formas de os alunos conseguirem pedir ajuda aos responsáveis.

(Fonte:CNN Brasil)