Correio de Carajás

Despejados do Nova Carajás protestam na Prefeitura de Parauapebas

Manifestantes representaram o Bairro Nova Carajás em protesto na Prefeitura de Parauapebas (Imagem: Juliano Corrêa)

MANIFESTAÇÕES

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Moradores do bairro denunciam danos estruturais nas residências e gestão abusiva por parte de loteadora

A terça-feira (3) foi marcada por manifestações em Parauapebas, em que associações de diferentes bairros mandaram representantes para a porta da sede do Executivo no município, afim de cobrar explicações sobre problemas causados por má gestão do governo Darci Lermen.

Em meio a essas representações, a Associação dos Moradores do Nova Carajás esteve presente, alegando que despejos e notificações de despejos estão acontecendo de forma arbitrária no bairro, por ordens judiciais movidas pela loteadora Nova Carajás, responsável pelo projeto. Eles clamam que mesmo com audiências que decretaram como abusivos os juros cobrados pela empresa, as ameaças continuam.

Em entrevista ao Portal Correio dos Carajás, Cássia do Amaral, vice-presidente da entidade, alegou que o poder público não dá apoio algum à população despejada. “Estamos abandonados naquele bairro. Pra começar, compramos lotes em um bairro planejado, onde há locais em que não passa carro. Aí a loteadora não cumpre o que está em contrato, tentamos negociar e não há acordo”, relata a moradora do bairro.

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Cássia do Amaral, da Associação de Moradores do Nova Carajás, denunciou passividade da administração pública (Imagem: Mateus Cirilo)

“Nos contratos novos (pós-acordo), já é imposto que você está ciente de que uma ferrovia passa lá. Ou pega o contrato novo, ou não tem acordo. Tivemos audiência no Ministério Público com o Darci, com a Vale, com o IBAMA, onde deram decisão de que a Nova Carajás deveria pagar o aluguel de casas como a minha, com rachaduras enormes por causa da ferrovia, e nunca pagou”, denuncia a vice-presidente, citando as obras realizadas por mineradora para viabilizar escoamento de produção.

“Mesmo assim eles mandam inúmeras notificações e despejam os moradores sem nenhuma possibilidade de defesa, enquanto a decisão contra eles foi movida para a segunda instância”. (quote)

Dona Cássia, como é mais conhecida a representante do bairro, diz que teve que colocar alguém para vigiar a casa, prevenindo um despejo, e já foi até perseguida quando se tentou provar que ela teria condições de pagar os valores pós-acréscimo dos juros (considerados abusivos) por meio de evidências como, por exemplo, locais que ela frequenta.

“Para eles, há muitas maneiras de se defender. Para nós, não tá tendo. Por isso trouxemos o povo aqui pra frente [da sede da Prefeitura], porque não temos mais pra onde correr. Fora que as condições do loteamento, planejado, são piores do que uma favela”, relata Cássia. Ela crava que os moradores que compareceram ao protesto só sairão de lá após dialogar no gabinete do prefeito Darci Lermen.

Dona Cássia ainda relata a própria realidade ao lidar com a loteadora. “O lote é R$ 29 mil, eu já tinha pago quase a metade, quando fui lá pra ver minha situação estava devendo R$ 49 mil, mais ou menos. Perguntei ‘cadê o dinheiro que paguei para vocês?’ e me falaram de juros e mais juros. Queremos o apoio do Executivo, tanto pra resolver os problemas de lá, quanto pra nos auxiliar na questão da loteadora”, finaliza Cássia, pedindo ajuda ao governo.

DANOS

Atualmente, tramita na Justiça inquérito que determinará se houve ação ou omissão da mineradora Vale nas obras de implantação do Ramal Ferroviário S11D, que percorre adjacências do bairro Nova Carajás e são citadas como causadoras de danos estruturais às residências no bairro.

No dia 20 de julho, moradores do local chegaram a protestar em trecho da malha ferroviária contra a loteadora Nova Carajás, alegando que a empresa não deixou ciente em contrato original que as obras do Ramal Ferroviário S11D poderiam causar tais danos.

SILÊNCIO

O Correio de Carajás procurou a assessoria de comunicação da Prefeitura de Parauapebas na manhã de terça, questionando posicionamento sobre os diversos protestos que estão sendo realizados no local. Até a manhã desta quarta (4), não houve resposta. (Juliano Corrêa)

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