📅 Publicado em 07/08/2026 17h05✏️ Atualizado em 07/08/2026 17h09
Uma denúncia feita ao Ministério Público revela supostas irregularidades graves envolvendo o desvio de recursos públicos no Hospital Municipal de Marabá (HMM). O documento detalha um esquema operado por meio do registro e pagamento de plantões extras para um grupo restrito de servidores, que inclui membros da Direção Administrativa e das coordenações de Enfermagem e do Pronto Atendimento.
A denúncia, de 35 páginas, feita por um servidor do próprio hospital, surge num momento em que a atual gestão é alvo de críticas justamente na área da saúde.
De acordo com o teor da denúncia, profissionais em cargos de confiança estariam registrando plantões extras em seus nomes para benefício próprio. A irregularidade seria dupla: primeiro, por ocuparem cargos de dedicação exclusiva, o que vedaria o recebimento por plantões; segundo, porque os valores desses plantões seriam equivalentes ou superiores aos descontos de impostos nos contracheques. Isso indicaria que o mecanismo estaria sendo usado ilegalmente para compensar deduções tributárias, gerando prejuízo ao erário.
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A denúncia individualiza a conduta de nomes da cúpula do hospital. Entre os casos está uma servidora que possui dois vínculos de 30 horas semanais cada (um efetivo e um temporário), além do cargo comissionado. Documentos anexos mostram o registro e pagamento de diversos plantões extras em seu nome.
Outros dois servidores, além do vínculo efetivo de 30 horas e da função de coordenação, apresenta uma quantidade expressiva de plantões extras pagos.
Cargas horárias humanamente impossíveis
O documento levanta questionamentos sobre a viabilidade material do cumprimento das jornadas registradas. Casos de enfermeiros e técnicos de enfermagem citados na denúncia apresentam somatórios de horas que aparentam ultrapassar qualquer limite razoável de descanso legal.
Destaca-se o caso de uma técnica de enfermagem que possui um vínculo municipal de 30 horas e outro estadual de 40 horas semanais. Somados esses dois vínculos oficiais (70 horas semanais), ela ainda registra uma “quantidade expressiva” de plantões extras no Hospital Municipal. Há outros dois casos semelhantes, cujos servidores também têm contratos com 60 e 70 horas, mas, mesmo assim, registram plantões adicionais sob suspeita de irregularidade.
A denúncia, instruída com dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e contracheques, requer uma apuração detalhada para verificar se houve a efetiva prestação dos serviços e a legalidade dos pagamentos efetuados.
Apesar de procurada pela reportagem do CORREIO DE CARAJÁS, até o fechamento desta reportagem, a prefeitura não enviou nenhuma nota de esclarecimento.
