Correio de Carajás

Delegado não confirma morte como um suicídio

Maura morreu com um tiro na cabeça no dia 4 de janeiro e até hoje o caso continua um mistério/ Foto: Divulgação
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A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a morte de Maura Dubal Martins, de 46 anos, que morreu dentro de casa com um tiro na cabeça, no início da tarde do último sábado (4). O caso é tratado inicialmente como suicídio, mas o Departamento de Homicídios da Polícia Civil quer esclarecer, de forma oficial, o que realmente aconteceu. À frente da investigação, o delegado William Crispim, quando questionado, não confirmou que foi suicídio. Pelo contrário, o policial está reunindo todas as informações possíveis antes de dar seu parecer.

Conforme noticiado em primeira mão pelo portal Correio de Carajás, Maura Dubal era esposa do tenente-coronel Andreos Souza, atual comandante do 23º Batalhão Logístico de Selva (BLog), e a morte aconteceu dentro da Vila Militar Castelo Branco, na casa da família.

Na tarde de ontem (6), a reportagem do CORREIO entrevistou, com exclusividade, o delegado William Crispim. Ele explicou que não pode afirmar ainda categoricamente que se trata de suicídio porque o local do tiro foi na parte detrás da cabeça. “Uma situação que ao nosso ver aqui coloca em dúvida a questão do suicídio é o local que foi atingido, foi bem na região traseira da cabeça, não é muito comum”, explicou o delegado.

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Outro fato curioso sobre o disparo que tirou a vida de Maura é que o cano da arma estava encostado na cabeça, em uma parte dura da caixa craniana, de modo que a bala não entrou. “Como foi um tiro encostado, os gases da arma estouraram o crânio dela, mas a munição não entrou, ela resvalou e deixou sinais lá na casa. Foram encontrados os fragmentos, mas não chegou a perfurar”, relata.

William Crispim explicou que sua equipe chegou ao local por volta das 15 horas (cerca de 3 horas depois do ocorrido). A primeira providência tomada pelo delegado foi isolar os familiares da vítima (esposo e três filhos) e ouvir a versão de cada um separadamente, de maneia informal.

Delegado William Crispim investiga a morte ocorrida na Vila Militar Castelo Branco / Foto: Evangelista Rocha

Segundo o delegado, todos deram a mesma versão, de que Maura estava no quarto sozinha, quando escutaram o disparo. Mas isso não encerrou o caso. “A gente solicitou perícia técnica através do CPC (Centro de Perícias Científicas), solicitamos ainda, para eximir qualquer dúvida sobre essa situação, exame de pólvora combusta tanto na mão da falecida como na mão do marido dela e agora a gente está aguardando o resultado”, confirmou o delegado.

Perguntado se os familiares serão ouvidos formalmente no Departamento de Homicídios, o delegado disse que está aguardando o retorno deles, pois toda a família viajou para São Borja (RS), onde Maura foi sepultada, e eles devem retornar somente no domingo. “Segunda-feira a gente vai esclarecer melhor esses fatos”, resumiu.

Registro oficial

De acordo com o Boletim de Ocorrência Policial registrado pelo coronel Andreos Souza, a vítima havia acabado de guardar compras feitas numa padaria e foi ao quarto por volta do meio-dia. Os três filhos estavam em seus próprios aposentos e ele na sala, mexendo no celular, quando ouviu o barulho de tiro. Andreos e um dos filhos correram ao local e encontraram Maura caída ao chão e sangrando pela cabeça. Pediram ajuda de vizinhos, que chegaram em seguida.

O próprio Andreos, percebendo que a esposa ainda respirava, a colocou no carro e levou ao Hospital de Guarnição de Marabá (HGUmba), que fica ali perto. De lá, a paciente foi transferida de ambulância ao Hospital da Unimed, na Cidade Nova, onde teria suporte de UTI e cirurgiões. Apesar disso, Maura não resistiu e morreu.

No mesmo Boletim de Ocorrência, ele disse considerar que foi um suicídio, praticado com uma das três armas que ele possui em casa. Uma delas é uma Taurus PT 24/7 9mm que estava sobre a cama. Mas o armamento usado era outro, que estaria guardado numa mochila antes do incidente. O oficial disse, ainda, que a esposa tinha “problemas psiquiátricos”, e que iniciou tratamento em setembro de 2019 e, além disso, tomava remédios controlados.

Em nota, o Comando da Brigada também fala em “suicídio”. O documento oficial já confirmava que, além dos procedimentos tomados pela Polícia Civil, seria instaurado um Inquérito Policial Militar para apurar as circunstâncias que envolveram o fato. “Todo apoio à família está sendo dado por este Comando, que se solidariza nesse momento de pesar”, diz trecho final da nota. (Chagas Filho com informações de Josseli Carvalho e Evangelista Rocha)

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