📅 Publicado em 28/01/2026 13h44
A defesa de Danilo Carneiro da Silva, suspeito de envolvimento nas mortes das quebradeiras de coco babaçu Marly Viana Barroso, de 71 anos, e Antônia Ferreira dos Santos, de 53, apresentou um conjunto de imagens e depoimentos que, segundo os advogados, podem comprovar a inocência do investigado. Com base nesse material, foi protocolado um pedido de liberdade provisória junto à Justiça.
Os advogados Cândido Júnior e Wanderson Araújo afirmam que reuniram provas visuais e testemunhais sobre os últimos passos de Danilo no dia em que as vítimas foram encontradas mortas, em uma área rural do município de Novo Repartimento, no sudeste do Pará. As mulheres foram assassinadas a cerca de quatro quilômetros da sede do município.

De acordo com eles, imagens mostram divergências entre a aparência de Danilo e a do homem apresentado pela polícia como suspeito. Em uma fotografia registrada no dia anterior ao crime, o suspeito aparece sem barba, enquanto nas imagens divulgadas pelas autoridades o homem aparece barbado no dia do homicídio. Outro ponto destacado é o uso de um relógio pelo suspeito, acessório que, segundo os advogados, Danilo nunca utilizou.
Leia mais:Ainda conforme a defesa, Danilo chegou a confessar o crime quando ainda não estava acompanhado por um advogado. No entanto, os representantes alegam que ele possui distúrbios mentais, o que teria comprometido a veracidade da confissão. Durante audiência de custódia, por exemplo, Danilo teria afirmado possuir um irmão gêmeo, informação que não corresponde à realidade.
Os advogados também apresentaram registros de pelo menos três câmeras de segurança. Em uma delas, segundo a defesa, Danilo aparece como passageiro em uma motocicleta na estrada que vai para o município de Marabá no período da manhã, enquanto o crime ocorreu em uma região oposta. Além disso, testemunhas afirmam que ele estaria participando de uma comemoração de aniversário no horário aproximado do crime.
Diante desses elementos, a defesa ingressou com pedido de liberdade provisória, sustentando que as imagens e os depoimentos reunidos afastam a participação de Danilo no duplo homicídio.
Mesmo diante das provas apresentadas, o Ministério Público do Estado do Pará, por meio da Promotoria de Justiça de Novo Repartimento, emitiu parecer contrário ao pedido de revogação da prisão, sem considerar os fatos elencados pela defesa. Com isso, o processo segue agora para a decisão da juíza responsável pela comarca. Danilo está preso desde 11 de novembro de 2025.

Entenda o caso
Oito dias após o crime, registrado em 3 de novembro, a Polícia Civil prendeu Danilo. Por questões de segurança, ele foi transferido para o município de Tucuruí.
Na data das mortes, Marly Viana Barroso e Antônia Ferreira dos Santos saíram para quebrar coco babaçu em uma área rural de Novo Repartimento. As amigas foram encontradas mortas por familiares por volta das 21h, no local onde trabalhavam na extração das amêndoas dos frutos.
Os corpos apresentavam ferimentos provocados por arma branca. O crime gerou forte comoção entre os moradores da cidade, que passaram a cobrar justiça e esclarecimentos sobre o caso.
