Correio de Carajás

Debatendo solidão, Melissandra lança videoclipe no Dia da Visibilidade Trans

Divulgação
Divulgação
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

Em um ato artisticamente político e evidenciando a violência – não apenas física – que afeta diariamente pessoas que não se enquadram na cisgeneridade, Melissandra lançou nesta sexta-feira, 29 de janeiro, Dia da Visibilidade Trans, o videoclipe da faixa “Decepção”, que integra o primeiro álbum de estúdio da travesti, batizado de “Matinta” e lançado no último semestre.

Esta é a segunda canção do trabalho a ganhar representação audiovisual, depois da faixa “Emocionahdô”. Parte das cenas foi gravada pela Casa 651 em São Luís, no Maranhão, e o restante pela Boiuna Filmes, em Marabá, no sudeste do Pará. A produtora também é a responsável pelo lançamento e assina a edição.

Melissandra é a mente por trás do roteiro, direção de vídeo e direção geral do vídeo que dá (ainda mais) vida à “Decepção”.  “A música flerta com R&B e Blues e é muito inspirada em Frozen, da Madonna. A estética do videoclipe também abarca uma passagem no tempo, mesclando uma vibe oitentista com uma contemporânea. Representa essa passagem do passado, presente e futuro”, explica a artista.

Leia mais:

As cenas, acrescenta, narram paralelos fictícios que abordam o isolamento afetivo das travestis e pessoas trans no Brasil. “É sobre a nossa saúde mental, que é abalada constantemente com a negação e invisibilização, com a deslegitimação dos nossos direitos, do nosso nome. Várias cenas do clipe mostram esse sentimento de solidão e esse sentimento de desespero, de tristeza profunda e inconstância com as questões sociais ligadas à transfobia”.

O videoclipe é estrelado pela própria Melissandra personificando três alter egos dela. “As cenas representam a Melissa do passado, num surto, num momento de solidão intensa. O presente são as cenas do camarim que mostram a Merissandra, após as gravações do clipe de “Emocionahdô”, pensativa e interna por estar sozinha também. E aí há as cenas do futuro, que são as cenas na floresta, são as cenas da Matinta Pereira, bruxa, que através da sua encantaria e magia consegue acalmar e acalentar os corações das outras personagens, dos outros paralelos”, analisa.

Melissandra usa como referência para a maior mensagem do videoclipe o trecho “todos precisam de amor”, que insiste em rememorar a importância do olhar carinhoso um aos outros. “Independente de ser cis, de ser trans, de ser LGBT ou não, todos precisam de amor porque o afeto e o amor curam. O amor é revolucionário. É uma das doses que a humanidade mais precisa pra poder se dispor a uma mudança e a uma desconstrução que aceite corpos dissidentes e marginais dentro das óticas de poder. É um clipe político”, defende.

VISIBILIDADE

Conforme relatório da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o Brasil registrou 175 assassinatos de pessoas transexuais no ano passado e todas as vítimas foram mulheres trans/travestis. Melissandra destaca que há 13 anos o país figura no primeiro lugar dentre os quais mais matam pessoas não cisgêneras.

“As mortes acontecem de ‘N’ formas. Acredito que a negação também é uma forma de você fazer alguém morrer, de alguém sentir uma dor imensa e profunda que invalide a sua identidade. O isolamento afetivo e a nossa saúde mental são pautas de vida, pautas de dignidade que devem ser discutidas em coletivo, não são pautas exclusivas e restritas para a população transgênere, ou seja, não somente nós temos que conversar sobre isso, mas toda a sociedade porque é uma mazela social que acaba abrindo de forma latente buracos, cicatrizes e feridas na sociedade e que demoram anos e anos para serem reconstruídas, através das reparações históricas”, observa.

De acordo com ela, a escolha da data para o lançamento do videoclipe se deu justamente para sensibilizar a população acerca da importância de se amar pessoas trans e de se mantê-las no ciclo social.

“A importância de não se alijar corpos marginais. Travestis e transexuais merecem ocupar todos os espaços que uma pessoa cisgênera ou heterossexual, qualquer um pode ocupar, afinal, nós vivemos numa sociedade igualitária e democrática, que prega todos esses sentimentos de inserção e de não exclusão, pelo menos na Constituição a gente ainda tem isso garantido”, finaliza. (Luciana Marschall)

Comentários

Mais

Dr. Naves retorna a Marabá e é recebido com festa por familiares e amigos

Dr. Naves retorna a Marabá e é recebido com festa por familiares e amigos

José Divino Naves, mais conhecido como Dr. Naves, desembarcou às 16h30 deste sábado (18) em Marabá, após passar 5 meses…
Índice reúne dados sobre a inclusão de brasileiros com deficiência

Índice reúne dados sobre a inclusão de brasileiros com deficiência

Passados 11 anos desde a realização do último censo nacional, o Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural, uma associação sem…
Anvisa aprova indicação de baricitinibe para covid-19

Anvisa aprova indicação de baricitinibe para covid-19

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou na noite desta sexta-feira que aprovou a indicação do medicamento baricitinibe para…
Pará registra 587.922 casos de Covid-19 e 16.578 mortes pela doença

Pará registra 587.922 casos de Covid-19 e 16.578 mortes pela doença

O Pará contabilizou mais 51 casos de Covid-19 e 4 mortes causadas pela doença. Segundo o boletim divulgado pela Secretaria…
“Forma Pará” recepciona calouros de Jacundá e Itupiranga

“Forma Pará” recepciona calouros de Jacundá e Itupiranga

“O Forma Pará, antes de qualquer coisa, é um programa que cuida de pessoas. E vocês também serão profissionais que…
Família de adolescente morto por “Trem da Alegria” não recebeu apoio financeiro da empresa

Família de adolescente morto por “Trem da Alegria” não recebeu apoio financeiro da empresa

A família do adolescente Marcos Henrique dos Santos, de 14 anos, que foi morto na noite desta quinta-feira (16), no…