Correio de Carajás

“Dar voz a quem ainda não tem”, diz presidente da Mulheres do Agro em Marabá

Pecuarista radicada em Marabá há 16 anos assume comando com foco em novos projetos e combate à violência contra a mulher

Lorena Rezende diz que gestão feminina nos negócios do agro é cada vez mais comum / Foto: Evangelista Rocha
Por: UIisses Pompeu e Ana Mangas

Goiana e radicada na região há 16 anos, a pecuarista Lorena Rezende assumiu a presidência da Comissão das Mulheres do Agro de Marabá, após atuar como vice-presidente da entidade. Vinda de uma forte tradição familiar na pecuária, com esposo e sogro atuantes no setor, Lorena carrega a vivência prática do campo e o compromisso de fortalecer o papel das mulheres na atividade rural.

Ao CORREIO ela falou sobre o sentimento de assumir o cargo máximo da entidade, e destacou o orgulho e a responsabilidade do momento. “Estou muito feliz porque é um desafio, né? E nós estamos com muito projeto para ser executado entre 2026 e 2027”, afirma.

Entre as principais iniciativas para o próximo ano, ela destaca uma edição histórica e grandiosa da tradicional cavalgada local, que teve um forte apelo social voltado à conscientização e ao combate à violência contra a mulher, envolvendo todas as famílias da comunidade.

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Segundo ela, a Comissão das Mulheres do Agro de Marabá já conta com mais de 100 comissárias integradas ao sindicato rural. O principal objetivo da organização é agregar e fortalecer a presença feminina no campo, rompendo as barreiras estruturais. “Nós precisamos dar voz para aquelas mulheres que estão ao redor, que ainda não têm voz, porque, infelizmente, nós temos ainda uma sociedade machista”, lamenta a presidente.

O avanço das mulheres na gestão rural reflete uma tendência nacional. Atualmente, de acordo com Lorena, as mulheres já respondem por 33% das propriedades e negócios rurais no país, um índice considerado expressivo, mas que tende a crescer. Segundo a presidente da Comissão, os números já apresentam alta constante e a expectativa é otimista: a meta é que a participação feminina supere a marca de 40% nos próximos anos, consolidando ainda mais a autonomia e a liderança das mulheres na economia do campo, principalmente na região.

Questionada pela Reportagem do CORREIO, ela não descarta que, no futuro, o próprio Sindicato dos Produtores Rurais de Marabá eleja e emposse uma mulher como sua primeira presidente.