Daniel Alves recebe a camisa 10 do São Paulo ao lado de Lugano e Leco — Foto: Marcos Ribolli
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Depois da recepção calorosa no aeroporto de Congonhas, na segunda-feira, Daniel Alves foi apresentado como reforço do São Paulo na noite desta terça-feira, no Morumbi, em evento que contou com entrevista coletiva e entrada no gramado para receber o calor dos mais de 40 mil torcedores presentes (44.268 no total) – com camisa recebida das mãos de Kaká e até recado de Messi.

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De terno e gravata, Daniel Alves apareceu no salão nobre no Morumbi por volta das 19h36, ao lado do presidente Carlos Augusto Barros e Silva (o Leco) e do diretor executivo Raí. Sorridente e concentrado, o lateral ouviu oito minutos de discurso de Leco e mais sete de Raí antes de falar e comemorar sua nova etapa. A entrevista durou cerca de 35 minutos.

– Sabe que hoje estou realizando um sonho de criança, sonhei muito por esse momento. Esse momento chegou, e só tenho a dizer ao São Paulo que hoje eles não estão contratando um jogador, mas um torcedor do São Paulo.

– (…) Alguém que se emocionou com Raí, Lugano, Kaká, Luis Fabiano, são meus amigos e muitos outros jogadores. Muller, Cafu e por aí vai. Está sendo prazeroso viver esse dia. Vivi muita coisa, mas esse momento está sendo especial.

Raí reforçou a representatividade da contratação do lateral.

– Desnecessário falar da grandeza desse personagem, desse brasileiro. Nos últimos três meses falamos muito disso, da força das raízes. Eu acho que, como bem disse o presidente, citando o Leônidas, eu também disse ao Dani que encaro como divisor de águas uma contratação desse tamanho. (…) Minha maior contribuição para a vinda do Daniel foi quando ganhamos a Libertadores e o Mundial em 92 – destacou.

Na entrevista, Daniel Alves falou sobre as motivações que o levaram, aos 36 anos, a voltar para o Brasil e escolher o São Paulo, seu clube de coração. Uma dessas motivações, claro, é disputar a Copa de 2022.

– A primeira coisa que eu solicitei para o São Paulo é que eu preciso de solidez de projeto, que eu preciso de estabilidade esportivamente falando, porque tenho outros objetivos na frente e preciso construir ela com as dificuldades, em jogar no Brasil, mas meu sonho é superior a qualquer dificuldade que tenho pelo caminho – explicou Dani Alves.

Daniel Alves durante apresentação pelo São Paulo — Foto: Marcos Ribolli
Daniel Alves durante apresentação pelo São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

– Tenho o sonho de jogar a Copa de 2022 e preciso de um time que acredite em mim, na minha história no futebol, e esse foi o ponto primordial. (…) Eu venho ao São Paulo para dar resultado, não quero que ninguém pense que eu venho para encerrar minha carreira. Tenho muitos objetivos – completou.

Daniel Alves assinou contrato válido até dezembro de 2022, apresentou-se ao elenco na manhã desta terça, mas ainda não tem data para estrear. O São Paulo quer ouvir do jogador, com os resultados dos exames em mãos, as condições em que ele está depois das férias.

Campeão da Copa América com a seleção brasileira em julho, Daniel Alves estava em férias e ficou até a última segunda-feira no Nordeste. Portanto, vai precisar de uma pré-temporada. Mesmo assim, quer estrear já no sábado, contra o Santos, no Morumbi, pelo Brasileirão.

– Eu estava enchendo o saco do Raí e do Lugano que eu queria sentir esse jogo do São Paulo. Eu não sei o que eles acham, mas pedi uns minutos. Espero que eles me ouçam. Eu venho aqui para ajudar e fazer as coisas um pouquinho melhor – avisou Dani Alves.

Veja outras respostas de Daniel Alves:

Mudança de patamar do São Paulo

– Olha, o Raí acabou de falar que o São Paulo está em construção. Está caminhando para representar e respeitar toda a história. E eu estou vindo com esse intuito, para poder contribuir com minha experiência, trabalho e performance. Para que o São Paulo não passe tanto tempo sem aspirar títulos. E por isso aceitei esse desafio. Sei da história do São Paulo, que me fez tanta alegria. O São Paulo não pode viver muito tempo sem troféus. É motivante estar em um clube que sempre torci, sempre vibrei, tem um sabor especial.

O fator Tite

– Eu não conversei com o Tite e nem com minha esposa e amigos sobre a minha decisão porque eu não queria intervenção em nenhum aspecto. Deixei meu coração. A posição em que eu vinha atuando no PSG não era de lateral. Eu conheço as posições em que atuo, sou um jogador de resultado. Não quero que seja teoria, mas sim prática. Estão se juntando duas histórias muito incríveis tentando caminhar para o mesmo lado.

Lateral ou meia?

– Quando você toma a decisão de vir para um clube em construção, a única ideia é ajudar. Domino todas as posições, de meia, de lateral, sou disciplinado taticamente, que ajuda bastante os companheiros. Tenho um desempenho importante. Não é uma preocupação onde vou jogar. Quero contribuir. O mais importante é que o resultado seja favorável, conivente com a posse que o São Paulo está fazendo comigo.

Pai palmeirense?

– Na realidade meu pai era são-paulino e virou a casaca. Espero que agora com a chegada do filho ele volte. Ele que me apresentou o São Paulo, com sacrifício, na TV preta e branca. Espero que ele possa pensar melhor nisso com a chegada do filho aqui. Nossa história é muito curiosa. E acho que ele não vai deixar de vibrar com isso.

Salvador da pátria

– Acredito que não tem risco, porque não tem salvador da pátria, ainda mais eu. O que trago para os meus companheiros e a qualidade que temos no grupo é a experiência e o faro de campeão. Onde passei, conquistei alguma coisa, e aqui no São Paulo não vai ser diferente. Brinquei com o Pato hoje que a gente tem mais chance de títulos, só falei para ele que não me garfe. Por onde passei, deixei títulos. Eu venho para contribuir para o São Paulo ganhar, ser pioneiro e que seja um clube que inspire outros clubes em estratégia, e por isso estou aqui.

Camisa 10

– Não quis pegar o número de ninguém, por isso escolhi o número do Raí. Para não ficar dúvida que eu vim aqui para somar. Os números estavam soltos. Simplesmente porque era uma referência e o número estava solto. Quero ser tratado da mesma forma que todos.

Jogadores voltando ao Brasil

– Eu acredito que na minha visão e na visão deles, a gente deve um pouco ao nosso futebol porque não atuamos tanto aqui. Eu gostaria, falando de mim, de retribuir tudo o que o futebol brasileiro me deu. Ter vivido grandes momentos com clubes europeus e não ter vivido com clubes brasileiros. Vivi coisas boas com o Bahia, mas não deu tempo de viver mais coisas. E por isso estou aqui. Temos um compromisso com o nosso futebol, com os jovens que querem ser jogadores, ajudar a família, como fizemos. Devolver um pouco essa oportunidade que o futebol brasileiro deu.

Como retribuir para o futebol brasileiro?

– Eu acredito que sim (lateral na Europa é diferente do que aqui), em alguns aspectos acredito que sim. Retribuir trazendo esse aprendizado que vivi em vários países, várias ideologias, clubes diferentes, experiências que peguei lá. O futebol moderno pede os extremos. Eu costumo dizer que a minha posição de que nós somos amigos de toda a área.

– Amigos do meio, da área e do ataque estamos para ajudar todos eles. E temos que ver a demanda para ajudar para fazer o melhor. Sou uma pessoa muito receptiva e gosto de escutar como ele gosta de receber a bola, como jogar… Eu estou aqui no São Paulo para ajudar meus companheiros e sempre ver a melhor forma que eles jogam.

Custo para o São Paulo

– Olha, eu volto a insistir, no dia de ontem eu me senti um torcedor realizando um sonho. Surpreendente para mim, não esperava tanto carinho. Estou muito feliz.

– Vou discordar só na questão: não acredito que sou caro, porque vim de graça. Eu sou o jogador mais barato da história do futebol, fui comprado só pelo Barcelona, o resto fui tudo de graça.

Maior contratação do Brasil?

– Eu acredito que para o futebol brasileiro pode ser uma coisa grande “eu, Daniel Alves”, mas para mim não. Muitos jogadores maiores que eu já voltaram para o Brasil e se eu falar aqui não vai acabar hoje. A começar pelo Romário e aí vai. O que posso dizer é que o São Paulo e o Brasil contratou um dos jogadores mais profissionais, disciplinados. Não é uma profissão fácil, de brincadeira e não quero que a expectativa seja maior que minhas pretensões. Se coloca a expectativa lá em cima pode chegar lá frente e não ser isso. Acredito que o futebol contratou outros grandes jogadores, como o Filipe Luís, que acabou de chegar.

PSG e Neymar

– Eu acredito que hoje é um dia muito especial para mim e não gostaria de falar dos meus amigos, nem do PSG… Acaba desviando o foco. Quero viver esse momento aqui. Parece que não, mas para mim é incrível.

São Paulo briga por títulos?

– Eu tenho acompanhado o futebol brasileiro, evidente, sei que tem contratações que tem melhorado bastante. Mas você misturou as coisas. Não acredito que quem tem mais dinheiro pode mais. Dinheiro é uma coisa e o futebol é outra. O São Paulo pela história sempre vai entrar na conta. O São Paulo teve uma transição, e numa transição sempre tem seus pontos baixos, e por isso estou aqui para essa transição seja o mais rápido possível e aspirar coisas o mais rápido possível.

– Sei que o campeonato é difícil, equilibrado. Tem muitos times que brigam pelo título, e não descarto o São Paulo ser uma das possibilidades.
Daniel Alves responde a centenas de jornalistas no salão nobre do Morumbi — Foto: Marcos Ribolli
Daniel Alves responde a centenas de jornalistas no salão nobre do Morumbi — Foto: Marcos Ribolli

 

Irmão chamado Disney

– Como a gente não tinha dinheiro, meu pai queria colocar o parque dentro de casa. Esse é o nome dele mesmo. É cantor de forró, está no caminho correto. Que ele saiba que tem um irmão aqui para ajudar.

Apoio a Juanfran

– Me coloquei à disposição para ajudar, uma pessoa que está mudando de país, e isso requer uma atenção importante. O São Paulo está adquirindo uma contratação muito boa, um jogador muito bom taticamente. Tem o um contra um muito forte e vai agregar muito ao São Paulo. O São Paulo está muito assertivo em suas contratações, não que antes não foi, mas agora está trazendo campeões que podem aportar esse espírito.

(Fonte:G1)
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