Correio de Carajás

Crise dos ônibus: Prefeitura faz contrato de emergência com saída da Nasson e TCA

Ônibus da Integração Transportes chegarão a Marabá hoje à noite e começam a operar neste sábado
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Uma frota com 40 ônibus da empresa Integração Serviços e Locação Eirele, de Anápolis, deve chegar a Marabá na noite de hoje, sexta-feira, 14, para começar a operar as rotas do transporte coletivo urbano já no sábado, dia 15, quando as empresas TCA e Nasson devem abandonar a concessão de 25 anos que têm com a Prefeitura de Marabá.

A Secretaria de Comunicação da Prefeitura confirmou que as empresas Nasson e TCA informaram à Justiça de Goiânia que não cumprirão a determinação para continuarem operando no transporte coletivo na cidade por mais 90 dias. Diante disso, usou o chamado “Plano B” e realizou um contrato emergencial com outra empresa de Anápolis (TCA e Nasson também são de lá), que deverá operar o sistema até a divulgação do resultado final de uma licitação que será publicada nos próximos dias.

Ainda ontem, a Integração Transportes enviou uma frota com 40 ônibus para Marabá, os quais devem começar a operar já no sábado. Durante a semana, o fluxo de veículos será reavaliado e há possibilidade de enviar mais 20 veículos para a cidade.

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Ainda segundo a SECOM da Prefeitura, todos os funcionários da Nasson e TCA serão contratados automaticamente pela nova empresa, que não deverá assumir as dívidas anteriores dos funcionários. A garagem da Integração Transportes será instalada provisoriamente em uma área da Folha 16, Nova Marabá.

Já o Terminal de Integração provisório, que havia sido construído pela Nasson e TCA entre as Folhas 23 e 26, deverá ser desativado imediatamente. “A nova empresa assumirá de forma emergencial, mas seus ônibus percorrerão todas as rotas do contrato anterior, até mesmo as que não foram cumpridas. E o preço da passagem permanece o mesmo”, informou o secretário Alessandro Viana.

Terminal de Integração será desmobilizado com a saída de TCA e Nasson

QUEM TEM VT CARD PERDEU

Questionado pela Reportagem do CORREIO sobre a validade do VT Card, já que as empresas anteriores operavam com esse sistema, a SECOM informou que o VT Card é um instrumento particular da TCA e Nasson. “Quem tem, será ressarcido pela empresa anterior”, porque a nova não trabalha com esse sistema”, alegou.

Todavia, quando houver nova licitação, as passagens e VT Cards serão substituídos com cartões com chip. Outra novidade será que quem ganhar a licitação, será obrigada a operar com aplicativo com informação de horário e partida e onde se localiza cada ônibus.

O QUE ALEGAM AS EMPRESAS?

Nasson e TCA divulgaram um documento em PDF, informando que a partir deste sábado, 15, encerra o ciclo de relacionamento com a população e o poder público municipal. A informação causou grande preocupação na população, que encaminhou o documento para os contatos de WhatsApp dos veículos do Grupo Correio, questionando a procedência.

A Reportagem do Portal Correio de Carajás logo entrou em contato por telefone com o gerente das empresas em Marabá, João Martins, que confirmou a veracidade da informação. “Mas essa situação não é irreversível, se a Prefeitura nos procurar para um diálogo, podemos entrar num acordo”, encerrou João, sem entrar em mais detalhes sobre os motivos do fim das atividades.

No documento, são relatados todos os empecilhos que a empresa sofreu desde 2012 com a firmação dos contratos de concessão, que “previam a construção imediata do Terminal de Integração à custa da Prefeitura e concessão de reajuste anual de tarifas, nos cinco primeiros anos, em percentual previsto nos contratos, dentre outras obrigações bilaterais”, diz o documento.

Além disso, também é citado que as empresas estão cientes das reclamações em relação aos serviços prestados e a qualidade dos ônibus. Ela atribui as reclamações ao descaso da falta de apoio da Prefeitura, em três pontos citados: não construir o terminal, não conceder o reajuste da tarifa na forma devida, e suspender unilateralmente a compra de vale transporte.

Em números, a TCA e Nasson alegam que a Prefeitura teria deixado de fornecer, em todo ano de 2016, 135 mil vales transportes, o que totalizou um rombo mensal de R$ 486.000,00. Se passando 38 meses desde então, “deixaram de adentrar aos caixas das empresas algo em torno de R$ 18.468.000,00”, afirma o documento.

A POPULAÇÃO

Quem, de fato, sentirá na pele os efeitos da decisão das empresas TCA e Nasson é a população, que depende do transporte coletivo para circular pela cidade. A Reportagem do Portal Correio de Carajás foi até o Terminal de Integração para ouvir o que os usuários têm a dizer, e todos se mostraram preocupados.

Kessia Araújo é vendedora externa e precisa dos ônibus públicos para exercer sua profissão, mas com a notícia da saída das empresas, pode ficar complicado se locomover. “Com a empresa atuando na cidade já está difícil, imagina sem. Eu espero que haja melhorias com a vinda de uma nova empresa, principalmente no conforto e no tempo de espera de um ônibus”, queixa-se Kessia.

Kessia: “Eu espero que haja melhorias com a vinda de uma nova empresa”

Marciane Lima, estudante que se desloca pelo menos três vezes na semana entre os Núcleos Marabá Pioneira e Nova Marabá, também reclama do tempo de espera. “Nós percebemos que tem menos ônibus rodando, ficamos mais tempo nos pontos aguardando, e desse jeito a solução é vir para o terminal, mas mesmo assim ainda demora muito. Espero que com a nova empresa, esse tempo de espera diminua”, clama Marciane.

Marciane espera que o tempo de espera pelo ônibus na parada diminua com a nova empresa

Uma cobradora, que não quis se identificar, informou que segunda-feira, 17, haverá uma reunião com os funcionários para falar sobre a paralisação. “O sindicato e o advogado da empresa nos convocaram, mas só para se reunir mesmo, pois o salário e o vale alimentação ninguém fala nada. Dessa forma só vamos receber pela via judicial. A situação fica complicada e ainda precisamos ficar calados, caso contrário somos ameaçados de demissão por justa causa”, relatou a cobradora, que insistiu ainda no fim da entrevista para não ser identificada. (Ulisses Pompeu, Zeus Bandeira e Fabiane Barbosa)

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