📅 Publicado em 03/07/2026 13h10✏️ Atualizado em 03/07/2026 14h01
As investigações sobre o assassinato de Ronaldo Pinheiro Neves, de 56 anos, avançam em Marabá. Um dia após o crime, ocorrido na manhã de quinta-feira (2), na Avenida Minas Gerais, núcleo Cidade Nova, informações foram repassadas ao Correio de Carajás, que procurou a Polícia Civil e o advogado criminalista Wandergleisson Fernandes, que atendeu a vítima momentos antes da execução.
Ronaldo foi morto a tiros em via pública, à luz da manhã, logo após sair do escritório de advocacia. O crime, registrado por diversas câmeras de segurança da área, chamou atenção pela audácia do executor, que agiu em horário de grande circulação de pessoas, por volta das 8h30.

Informações preliminares apontam que o atirador utilizou uma pistola calibre .380 e uma motocicleta Honda Titan vermelha na execução do crime. Ele carregava, ainda, uma bolsa semelhante às usadas por entregadores de comida por aplicativo.
Leia mais:Segundo Wandergleisson Fernandes, Ronaldo esteve no escritório buscando auxílio jurídico em uma demanda patrimonial e pretendia viabilizar um acordo judicial. O atendimento, no entanto, precisou ser interrompido por conta de outros compromissos profissionais do advogado, ficando acertado que a conversa continuaria no período da tarde.
Pouco depois de encerrar a conversa e ao tentar se deslocar para outro compromisso, o advogado se deparou com a execução. “Foi questão de segundos. Sou advogado criminal há 16 anos e nunca passei por uma situação dessa natureza”, afirma.
Após ouvir os disparos, Wandergleisson entrou em contato com a Polícia Civil a quem repassou imagens das câmeras de segurança, material que agora integra o inquérito.
Casal filmado não tem ligação com o crime
Um dos pontos esclarecidos pelo advogado diz respeito a um casal que aparece nas imagens gravadas do crime e que passou a ser alvo de especulações nas redes sociais. Segundo Fernandes, os dois não possuíam qualquer relação com Ronaldo. Eram clientes do escritório que aguardavam atendimento.
Ainda conforme o advogado, a mulher sofreu uma forte crise de pânico após presenciar o homicídio. Ele criticou comentários disseminados na internet que levantavam suspeitas sem qualquer fundamento em relação às duas pessoas.
Investigação policial
O superintendente regional da Polícia Civil, delegado Antônio Mororó, informou à reportagem que equipes da Delegacia de Homicídios estiveram no local logo após o crime para coletar provas e reunir as primeiras informações da investigação.
Segundo ele, a complexidade da execução sugere que o atirador não agiu sozinho. “A experiência nos mostra que esse tipo de situação requer logística. O camarada não sai de casa e simplesmente adivinha onde a vítima estará, certamente trabalhamos com a ideia de pelo menos dois criminosos”, revela.

Mororó destacou que, embora nenhuma linha investigativa tenha sido descartada, detalhes sobre possíveis motivações seguem sob sigilo para não comprometer o andamento do inquérito.
A Polícia Civil também confirmou que Ronaldo era ex-policial militar. De acordo com o delegado, ele integrou a corporação na turma de 1992, mas acabou excluído das fileiras da Polícia Militar após responder a um processo por homicídio. Esse histórico, segundo a polícia, passa a integrar o conjunto de elementos analisados na investigação.
A grande quantidade de câmeras de segurança instaladas na Avenida Minas Gerais tem sido considerada peça-chave para a elucidação do caso. Além de auxiliar na identificação dos envolvidos, as imagens reforçam o grau de ousadia dos criminosos.
“É um crime que choca a comunidade. Mesmo em uma região extremamente monitorada, em plena luz do dia, isso não impediu a ação dos executores. A resposta será dada à altura”, garantiu Mororó.
Testemunhas que estavam nas proximidades já prestaram depoimento formal à Polícia Civil e os relatos, somados às imagens e demais evidências coletadas, devem ajudar a apontar autoria e motivação do homicídio.
