Correio de Carajás

CREF amplia fiscalização sobre academias e profissionais irregulares em Marabá

Em Marabá, 81 academias e 641 profissionais possuem registro no Conselho Regional de Educação Física da 18ª região

Fiscal de educação física do CREF 18ª Região preenche formulário de fiscalização em uma academia, com a palavra "IRREGULAR" em destaque na mesa.
CREF tem intensificado o monitoramento de estabelecimentos e também aos profissionais / Imagem ilustrativa gerada por IA
Por: Luciana Araújo
✏️ Atualizado em 07/05/2026 14h20

O aumento da busca por atividades físicas, impulsionado pela conscientização sobre saúde no período pós-pandemia, trouxe também um alerta para a segurança de quem frequenta academias ou contrata personal trainer. Em Marabá, o Conselho Regional de Educação Física da 18ª região (CREF 18) tem intensificado o monitoramento de estabelecimentos e profissionais, chegando a interditar locais que descumprem as normas legais.

Em 30 de abril deste ano, uma academia de Marabá foi interditada pela fiscalização do CREF/Foto: Evangelista Rocha

Para falar sobre o assunto, o Correio de Carajás foi até a Seccional de Marabá para conversar com Roberto Ramalho, vice-presidente do CREF no Pará. Ele, que é diplomado em Educação Física, reforça que a atuação de pessoas sem formação coloca a saúde da população em risco.

O caso mais recente ocorreu na última semana, no bairro Cidade Jardim, quando uma academia foi interditada após ignorar notificações prévias. Roberto explica que no processo seguido pelo conselho, esta é a última medida adotada.

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“Primeiro fizemos o procedimento de orientação, com cuidado, porque a academia estava irregular, não tinha profissional credenciado junto ao conselho. Mesmo assim, ela continuou funcionando”, detalha.

Roberto Ramalho: “A atividade física tem de ser tratada com cuidado, porque não é só mandar correr em volta do campo” /Foto: Evangelista Rocha

Na semana seguinte, a equipe retornou ao local e constatou que pessoas não regulamentadas continuavam atuando e se apresentando como profissionais, na própria academia e nas redes sociais. Devido à persistência da irregularidade, o estabelecimento foi interditado.

“Infelizmente, não é o ponto que a gente queria chegar, mas em alguns casos é necessário”, comenta o vice-presidente. Após a autuação, o estabelecimento regularizou a situação e pôde reabrir.

FISCALIZAÇÃO

A rotina de fiscalização do CREF ocorre por meio de um cronograma semanal estabelecido pelo conselho e, também, a partir de denúncias da população. Djonaltan Costa de Araújo, agente de fiscalização, descreve para a Reportagem a abordagem padrão.

“Chegando ao local a ser fiscalizado, a gente aborda inicialmente o recepcionista, solicitamos documentação do estabelecimento para conferir se o registro no conselho está legal e, logo em seguida, a gente pede para que o profissional do horário se apresente para que a gente possa conferir também sua documentação”, explica.

Segundo Djonaltan, as irregularidades mais comuns envolvem estudantes exercendo a função de professores formados/Foto: Evangelista Rocha

As denúncias recebidas pelo site do Conselho geram uma rota paralela de visitas. Segundo Djonaltan, as irregularidades mais comuns envolvem estudantes exercendo a função de professores formados, o que configura contravenção penal prevista no artigo 47.

“O aluno que está cursando Educação Física tem sim que estagiar, é um direito dele, mas ele tem que estar acompanhado de um profissional regular dentro do salão”, alerta o agente.

Nesse sentido, Roberto reforça a proibição de que acadêmicos atuem de forma autônoma ou remunerada. Segundo ele, essa pessoa não pode trabalhar como personal, nem como professor dentro da academia.

Além disso, a supervisão do CREF não se restringe aos espaços comerciais tradicionais. Ela se aplica integralmente a academias localizadas dentro de condomínios residenciais.

“Já foram detectados falsos profissionais atuando, que inclusive hoje já estão regulares. Fazemos todo o procedimento também em condomínios, notificando quando necessário”, ressalta Roberto. Um dos requisitos para que o personal seja considerado regular é estar quite com o pagamento da anuidade do conselho.

Para garantir a própria segurança, a recomendação do CREF é que o cliente assuma um papel ativo na verificação dos instrutores. Qualquer cidadão pode consultar o status de um profissional no site do Conselho Federal utilizando apenas o nome da pessoa.

“É um processo muito simples. Assim como você vai a um médico ou dentista, você procura saber se essa pessoa no mínimo tem uma qualificação. A atividade física tem que ser tratada com cuidado, porque não é só mandar correr em volta do campo”, orienta o vice-presidente.

Criado em 1998, o conselho completou 28 anos de atuação na regulamentação da profissão, que se divide entre a licenciatura, voltada à educação básica, e o bacharelado, direcionado a clubes, esporte de rendimento e academias.

Apenas em Marabá, a Seccional do CREF acompanha cerca de 81 estabelecimentos registrados e 641 profissionais, mantendo o sistema de denúncias aberto para assegurar que a prática esportiva na região seja orientada exclusivamente por instrutores habilitados.