📅 Publicado em 15/01/2026 08h26
Em um cenário midiático em constante transformação, um feito notável de resiliência e compromisso com a informação de qualidade se destaca no sudeste paraense. O Jornal Correio de Carajás, herdeiro direto do histórico Correio do Tocantins, comemora neste dia 15 de janeiro de 2026 seu 43º aniversário de circulação ininterrupta.
Fundado em 15 de janeiro de 1983 em Marabá, o periódico não apenas se consolidou como uma das mídias impressas mais longevas e respeitadas do Pará, mas também se transformou em um cronista fiel de uma região marcada por profundas e contínuas transformações sociais, econômicas e políticas.
Quatro décadas e meia de história do sul e sudeste do Pará estão meticulosamente guardadas em suas páginas amareladas, representando um patrimônio documental inestimável para a compreensão da Amazônia Oriental.
Leia mais:Desde a primeira edição, lançada em solenidade no antigo Clube de Mães na Marabá Pioneira, que trazia como manchete a polêmica, “Querem dividir o Pará”, o jornal assumiu a missão histórica de ser uma tribuna para as questões que moldavam o destino da região.
Os desafios impostos pelas grandes enchentes do Rio Tocantins, que periodicamente castigam a região, o impacto avassalador do garimpo de Serra Pelada na vida das cidades e nas estruturas sociais, as complexas disputas políticas entre elites locais e governos estadual e federal, as revoluções de comportamento que marcaram as últimas décadas, os conflitos sociais e os grandes projetos de desenvolvimento econômico, tudo foi narrado, problematizado e documentado em suas edições.
Mais recentemente, o jornal também registrou em suas páginas a pandemia de COVID-19 e seus efeitos devastadores na região, bem como marcos científicos e tecnológicos que transformaram a vida das comunidades amazônicas.
A trajetória do Correio do Tocantins é indissociável da visão pioneira de seu fundador, o comerciante e jornalista por paixão, Mascarenhas Carvalho da Luz. Piauiense que chegou a Marabá no início da década de 1970, Mascarenhas iniciou sua carreira na comunicação escrevendo uma coluna de variedades no jornal “O Marabá”, posteriormente trabalhou como editor do periódico “Vanguarda” e, após o encerramento deste último em 1982, foi incentivado por intelectuais, empresários e formadores de opinião a criar um novo veículo que preenchesse a lacuna informativa deixada na cidade.
Com um investimento inicial que combinava coragem, determinação e recursos limitados, Mascarenhas reuniu um grupo de profissionais dedicados à missão de informar e transformar. Entre os colaboradores iniciais estavam Carlos Mendes, Raymundo Rosa, Aziz Mutran Filho, Adalício de Macedo, Ozélia Carvalho de Souza, Pyterson Faleiro e Antônio Carlos Guimarães, além dos fotógrafos Cleonis Carneiro e o histórico fotógrafo Miguel Pereira.
O Correio do Tocantins nasceu com 16 páginas impressas, ao preço de 150 cruzeiros, contendo notícias essencialmente de Marabá e informações do Pará. A primeira edição foi um sucesso, gerando grande expectativa na comunidade por uma publicação que finalmente desse voz aos anseios e preocupações locais.
Porém, os primeiros anos foram um verdadeiro sacerdócio, como recorda com nostalgia o fundador. A logística de editar o material em Marabá e imprimi-lo em Belém, a centenas de quilômetros de distância, impunha enormes desafios operacionais. Os originais eram enviados para a capital do Estado, onde o jornal era diagramado, paginado e impresso, mas muitas vezes se perdiam no trajeto, ou chegavam com atraso que esfriava as notícias.
A escassez de mão de obra qualificada era outra dificuldade considerável, obrigando Mascarenhas a importar jornalistas de outras cidades, o que aumentava os custos e a complexidade operacional.
A superação desses obstáculos iniciais veio no início da década de 1990, quando o Correio do Tocantins adquiriu sua primeira máquina plana de impressão, instalada em Marabá. Este foi um momento marcante não apenas para o jornal, mas para toda a região, pois representava a autonomia produtiva e a possibilidade de aumentar a periodicidade.
A partir de então, o jornal passou a circular duas vezes por semana, às terças e sextas-feiras, ampliando seu alcance e sua influência na comunidade. No começo dos anos 2000, com a aquisição de uma impressora rotativa mais moderna, o Correio do Tocantins evoluiu para três edições semanais, às terças, quintas-feiras e sábados, consolidando sua posição como o principal veículo impresso da região e o mais antigo em circulação fora da capital paraense.
Durante essas três décadas iniciais, Mascarenhas Carvalho dedicou sua vida ao jornal, deixando o comércio para se dedicar integralmente à atividade jornalística. Sua paixão pela comunicação e pelo bem público o motivou a enfrentar desafios que muitos considerariam intransponíveis. Quando finalmente passou o controle do jornal para a gestão seguinte, Mascarenhas admitiu ter entrado em uma fase de depressão, tão profunda era sua identificação com o veículo que havia criado. Porém, com o tempo, conseguiu se afastar e observar com satisfação o crescimento contínuo da instituição que havia fundado.
Grupo Correio
Em 2013, um novo e importante capítulo se iniciou na história do Correio do Tocantins. O jornal passou a integrar o Grupo Correio de Comunicação, uma organização multimídia que já contava com rádio e televisão, incluindo a TV Correio, afiliada do SBT. Com essa transformação, o periódico foi rebatizado como Correio de Carajás, refletindo a importância crescente da região de Carajás na dinâmica econômica e social do sudeste paraense.
A mudança de nome não alterou sua missão fundamental de bem informar, mas a fortaleceu significativamente, alinhando a tradição centenária do impresso com a agilidade e o alcance do meio digital.
O Grupo Correio de Comunicação desenvolveu um portal de notícias que complementa a edição impressa, permitindo que a audiência acesse informações em tempo real, enquanto mantém o jornal impresso como um produto de qualidade e profundidade editorial.
Sob a nova gestão, o legado ganhou novas plataformas para continuar sua missão de informar e transformar. O Correio de Carajás segue forte, com uma redação dedicada e profissional, cobrindo as principais notícias do sudeste e sul do Pará, incluindo cidades como Marabá, Parauapebas e outras localidades da região de Carajás.
Hoje, o Correio de Carajás é muito mais do que um simples jornal. É uma instituição comunitária e uma fonte primária inestimável para a compreensão da Amazônia Oriental. Sua importância transcende o noticiário diário e os temas de interesse local, servindo como objeto de estudo acadêmico para pesquisadores que buscam entender os discursos, as narrativas e as dinâmicas de poder que configuraram a região ao longo das últimas décadas.
Estudiosos têm utilizado as páginas do Correio do Tocantins para analisar questões complexas como os debates sobre a criação do estado de Carajás, a valorização da Serra dos Carajás em detrimento de outras regiões, e o embate entre as elites locais e os governos estadual e federal. Suas edições são consultadas por historiadores, sociólogos, geógrafos e jornalistas que desejam compreender os processos históricos que moldaram a Amazônia.
Ao completar 43 anos de circulação ininterrupta neste 15 de janeiro de 2026, o Correio de Carajás reafirma seu papel não apenas como um veículo de comunicação, mas como o guardião da memória viva de uma das fronteiras mais dinâmicas, complexas e importantes do Brasil.
Suas páginas guardam os segredos, os dramas, as esperanças e as transformações de uma região que é fundamental para o futuro do país. Provando que, seja no papel ou na tela, o bom jornalismo continua sendo essencial para a democracia, para a preservação da memória coletiva e para o desenvolvimento consciente das comunidades.

