Correio de Carajás

Correio de Carajás acompanha debates sobre educação no 2º dia de congresso Jeduca

Sabatina com o ministro da Educação, Leonardo Barchini, foi um dos destaques do segundo dia do Congresso da Jeduca. - Foto: Guga Scatena

Segundo dia do congresso teve participação do Correio de Carajás em sabatina com ministro da Educação e discussões sobre IA, alfabetização, imigração e plataformas digitais

O segundo dia do 10º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação, realizado nesta quarta-feira (23), em São Paulo, reuniu discussões sobre os impactos da tecnologia na educação e no jornalismo, os direitos de crianças e adolescentes, alfabetização, imigração e os desafios enfrentados por estudantes em diferentes contextos. Representando o Correio de Carajás, a repórter Luciana Araújo participou de uma sabatina com o ministro da Educação, Leonardo Barchini, e questionou o governo sobre mudanças relacionadas ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

A pergunta feita pela jornalista marabaense partiu de relatos de profissionais da educação do Pará sobre a relação entre aprovação de estudantes e resultados do Ideb. Luciana também questionou Barchini sobre mudanças em discussão na metodologia do índice e a segurança dos dados utilizados para avaliar a qualidade do ensino.

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Antes da sabatina, a programação começou com uma discussão sobre crianças afetadas por guerras, imigração e violações de direitos humanos. As jornalistas Hadeel Arja, da Síria, e Jo Napolitano, dos Estados Unidos, compartilharam experiências de cobertura em contextos de conflito e deslocamento, com atenção aos cuidados necessários para contar histórias de crianças que vivem essas situações.

Jo Napolitano, editora sênior do The 74, destacou que crianças e outros grupos frequentemente tratados como invisíveis também devem ser vistos a partir das oportunidades que podem ter ao longo da vida.

“Sinto que estamos operando no mundo com a inteligência e as capacidades de, talvez, 10% da população mundial. E o resto jogamos fora, assumimos que essas pessoas não têm nada a oferecer. Precisamos pensar as trajetórias das crianças como uma questão de oportunidades, não de capacidade”, afirmou.

O tema também se aproxima de uma realidade presente nas redes de ensino brasileiras, que precisam lidar com estudantes de diferentes origens e trajetórias, incluindo os imigrantes. Em Marabá, onde a rede municipal atende alunos com diferentes contextos sociais e familiares, a discussão sobre acolhimento ajuda a ampliar a cobertura para além dos indicadores de matrícula e desempenho.

Na sequência, as professoras Paola Uccelli e Catherine Snow, da Harvard Graduate School of Education, discutiram a passagem da educação infantil para o ensino fundamental. O debate tratou da importância da linguagem oral, da compreensão de textos e das práticas de leitura e escrita para a continuidade da aprendizagem entre as duas etapas.
A alfabetização foi apresentada como um processo que não se limita ao domínio da leitura e da escrita. As especialistas também chamaram atenção para currículos e práticas capazes de envolver crianças e jovens e para os efeitos da tecnologia sobre a interação e a leitura.

Catherine Snow destacou que o uso de recursos tecnológicos precisa considerar o espaço ocupado pela interação entre estudantes e professores.

“A tecnologia na sala de aula é algo assustador. As evidências não são claras se as crianças aprendem menos quanto mais cedo são expostas a programas de computador ou a telas. Mas penso que esses programas se tornam ruins, se eles substituem a interação humana”, disse.

Para uma cidade como Marabá, onde os resultados da educação básica são acompanhados por indicadores como o Ideb, a discussão sobre alfabetização também reforça a importância de observar o que existe por trás dos números. O desempenho dos estudantes é resultado de processos que começam antes das avaliações e envolvem linguagem, aprendizagem, condições escolares e práticas pedagógicas.

IA E REDES SOCIAIS

Outro tema que atravessou o segundo dia foi a inteligência artificial. Jornalistas e especialistas discutiram como ferramentas de IA já alteram rotinas de apuração, produção e organização das redações, além de apresentarem recursos para pesquisa reversa, análise de dados, automação e identificação de conteúdos manipulados.

Participantes do painel chamaram atenção para os riscos de erros e de homogeneização dos resultados produzidos por ferramentas de inteligência artificial. Por isso, a checagem das informações continua sendo uma etapa necessária do trabalho jornalístico, mesmo quando parte do processo é automatizada.

No período da tarde, o congresso voltou a discutir os direitos de crianças e adolescentes no ambiente digital. O painel sobre o ECA Digital abordou os desafios que passam a fazer parte da rotina de escolas e jornalistas diante das novas regras para proteção desse público na internet.

A discussão envolveu formas de implementar e acompanhar as mudanças, buscando equilibrar proteção, participação e uma presença saudável de crianças e adolescentes no ambiente digital. Para o jornalismo, o tema também envolve os cuidados na exposição de menores em notícias e nas redes sociais, especialmente quando os assuntos tratados envolvem violência ou situações de vulnerabilidade.

A relação entre educação e tecnologia apareceu novamente no debate sobre o crescimento dos vídeos curtos. Jornalistas de veículos como DW Brasil, Estadão, g1 e Metrópoles discutiram como Reels, TikTok e Shorts têm alterado o consumo de notícias e levado redações tradicionalmente ligadas ao texto a repensarem formatos, equipes, rotinas e processos de apuração.

No fim da programação, a plataformização da educação colocou em discussão o avanço das ferramentas digitais nas escolas e a influência que elas podem exercer sobre as formas de ensinar, aprender e acompanhar o desempenho dos estudantes. A mesa reuniu diferentes perspectivas sobre os efeitos dessa transformação para professores e alunos.

O congresso termina depois de dois dias de debates sobre questões que atravessam tanto o cotidiano das escolas quanto a maneira como esses problemas são acompanhados pela imprensa. A programação do segundo dia reuniu temas que vão dos processos de alfabetização e acolhimento de estudantes imigrantes ao uso de inteligência artificial, proteção de crianças e adolescentes e digitalização do ensino.

Para Luciana, representar o Correio de Carajás e acompanhar as discussões em São Paulo amplia as possibilidades de olhar para questões que fazem parte da rotina educacional de Marabá. Agora, o desafio está em transformar debates nacionais em pautas locais, observando como políticas, tecnologias e mudanças sociais chegam às escolas e afetam estudantes, professores e famílias.