Correio de Carajás

Corpo de Tyezer está sendo velado em Marabá e enterro será às 17h desta segunda

Familiares, amigos e atletas se despedem do ex-jogador e técnico na igreja de São Félix de Valois

Por: Kauã Fhillipe
✏️ Atualizado em 26/01/2026 15h06

Na manhã nublada desta segunda-feira (26), o município de Marabá recebeu o corpo do técnico do time sub-20 do Águia de Marabá, Ronan Tyezer Rodrigues, para o velório realizado na Paróquia São Félix de Valois, na Marabá Pioneira. A igreja estava tomada por amigos, familiares, membros da comissão técnica do Azulão, admiradores e curiosos, todos reunidos pela saudade e pelas memórias deixadas pelo profissional.

De cabeça baixa e voz mansa, o pai, Antônio Rodrigues da Silva, falou com saudosismo sobre a trajetória do filho, que partiu de forma precoce. “Tyezer vai deixar saudade. Era um homem extrovertido, brincalhão e uma pessoa que todo mundo amava nessa cidade”, disse.

Seu Antônio conta que recebeu diversas ligações de autoridades e de profissionais renomados do futebol para lamentar o ocorrido com o filho

Ele relembrou a carreira promissora do filho, que saiu ainda jovem de Minas Gerais e sempre esteve envolvido com o futebol. Tyezer chegou a atuar como jogador profissional pelo Atlético Goianiense, até que o Águia de Marabá cruzou o seu caminho, clube onde construiu o nome pelo qual ficou conhecido. Após pendurar as chuteiras, recebeu um convite direto da presidência do clube para assumir as categorias de base. “O Ferreirinha teve a ideia de criar um time sub-20 e o primeiro nome que veio à cabeça foi o dele. Ele começou a pegar essa molecada de bairro, formou um time, classificou para a Copinha e estava muito satisfeito”, contou o pai.

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A tragédia ocorrida no Tocantins, segundo Antônio, jamais apagará o impacto que Tyezer construiu ao longo dos anos em Marabá. Em meio à dor, ele agradeceu o apoio recebido. “Quero agradecer de coração a todas as pessoas que entraram em oração com a sua fé. Agradeço também a toda a equipe do Águia, que cuidou de tudo o tempo inteiro. Fizemos o que pudemos, mas infelizmente Deus quis levá-lo. Sou grato a todos que oraram por ele, aqui e em todo o Brasil”, declara.

Profissionais do esporte que acompanharam de perto a trajetória do técnico também estiveram presentes no velório. É o caso do jornalista Paulo Henrique, que acompanha o futebol marabaense desde os anos 2000 e destacou o legado deixado por Tyezer. “Ele sempre foi um cara batalhador, montou sua própria escolinha, a T10, junto com a esposa, no bairro Novo Horizonte. Teve uma relevância enorme quando foi convidado para trabalhar no Águia, com conquistas importantes no Sub-17 e fortalecendo o Sub-20”, afirma.

Paulo Henrique também lembrou da capacidade do treinador em identificar talentos e sua ousadia dentro de campo. “Tyezer era um exímio descobridor de talentos. Ia às comunidades, às aldeias, observava jogadores e trazia para o Águia. Era um técnico ousado, com um estilo de jogo ofensivo, sempre buscando a vitória. Por isso vai fazer muita falta. Perdemos um rapaz com uma visão muito grande de futebol, que certamente chegaria ao profissional em pouco tempo. A trajetória dele é muito bonita e marcada por conquistas aqui em Marabá”, conclui.

Paulo: “Ele era dono de uma trajetória muito bonita e certamente viria a ser técnico do time principal. É uma pena ter partido tão cedo”

A igreja estava tomada por coroas de flores de instituições e de autoridades que fizeram questão de deixar suas homenagens. O secretário Regional de Governo do Sul e Sudeste do Pará, João Chamon, conta que sempre manteve uma relação próxima com o treinador e que essa perda é irreparável para Marabá. “A gente entende os desígnios de Deus, mas é muito difícil aceitar. Ele estava em plena juventude, começando a despontar como treinador, fez um grande trabalho na Copinha e levou o Águia a um patamar inédito na competição. Para nós, fica a dor e a tristeza”.

Tyezer foi vítima do acidente que ocorreu no dia 15 de janeiro, quando o ônibus que transportava a delegação do Sub-20 do Águia de Marabá retornava de São Paulo, após a participação histórica da equipe na Copa São Paulo de Futebol Juniores. O veículo se envolveu em uma grave ocorrência na rodovia BR-153, deixando vários integrantes feridos e provocando as mortes do técnico e do preparador técnico Hecton Alves. Tyezer era pai de Felipe Mateus, de 19 anos de idade, que também atuava no Sub-20 do Águia de Marabá e viajava no ônibus que se envolveu no acidente no Estado do Tocantins.

O sepultamento está agendado para às 17h desta segunda-feira, no cemitério Parque das Flores, no Km 5, rodovia Transamazônica, sentido Itupiranga.