Correio de Carajás

Conselho de Transporte de Marabá não se reúne há três meses

Transporte público vive o seu pior momento, com precarização acelerada

Gilberto Soares, conselheiro, critica falta de convocação do conselho/Foto: Jeferson Lima

O sistema de transporte coletivo de Marabá enfrenta grave crise, precarização, segundo os próprios usuários, e incertezas três meses após a posse da nova administração municipal. A redação do Correio de Carajás foi procurada, na tarde desta quarta-feira (3), por Gilberto Soares dos Santos, o “Beto Jamaica”, membro do Conselho Municipal de Transporte (CMT), para relatar a falta de convocação de reuniões do conselho, o que tem impedido avanços no tema. Ou seja, o CMT ainda não se reuniu no ano de 2025.

Conforme repassado por Gilberto, cobranças em relação a realização da reunião são feitas, no entanto, não há resposta. “Eu estive pessoalmente com o diretor institucional ao qual o Conselho de Transporte é vinculado. Cobrei a realização da reunião, protocolei um documento exigindo que ela aconteça, mas até agora não houve nenhuma convocação”, afirma o conselheiro. O presidente do Conselho e que deveria fazer a convocação é o coronel reformado Denner Favacho da Rocha, na condição de Secretário Municipal de Segurança Institucional.

Beto relembrou que, na última reunião do conselho, ainda na gestão anterior, ficou decidido que 30 ônibus coletivos deveriam circular com cinco na reserva, a partir da criação do Terminal de Integração. O novo prefeito, no entanto, prometeu a adição de 50 veículos com ar-condicionado, o que, gerou um impasse financeiro com a empresa concessionária do transporte.

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Segundo ele, a empresa recuou porque esses 50 ônibus têm um custo. “Na última reunião que tivemos com a Comissão de Transporte e três vereadores, foi informado que apenas oito coletivos estão circulando”, revela.

Diante da falta de resposta da gestão, Gilberto diz que, caso o conselho siga inativo, pretende acionar o Ministério Público.

Ofício protocolado, pedindo ao secretário que tome a providência

SUBSÍDIO E POSSÍVEL NOVA LICITAÇÃO

Outro ponto debatido foi a renovação do subsídio ao transporte coletivo. Segundo Gilberto, a empresa alega que táxis-lotação e aplicativos de transporte afetam a sua operação. “Esse assunto foi discutido no Conselho e na Câmara, então foi aprovada na casa de leis, o subsídio”, rememora.

Para Gilberto, no entanto, a solução não passa por um novo processo licitatório. “O problema de Marabá não é licitação, é o gestor tomar para ele a responsabilidade do transporte, seja por meio de subsídio ou terceirização”, conclui.

RISCO DE MUDANÇA NO MODELO DE TRANSPORTE

Gilberto Soares também alerta para uma proposta que surgiu na reunião da Comissão de Transporte e que, segundo ele, pode comprometer a mobilidade urbana na cidade.

“Foi falado sobre substituir os ônibus por vans ou micro-ônibus. Eu defendo o transporte de massa, que atende idosos, pessoas com deficiência e estudantes. Se forem adotar micro-ônibus, eles precisam ser adaptados”, argumenta.

A preocupação do conselheiro é sobre não haver uma solução definitiva para o serviço que é essencial na cidade. Segundo ele, em todos os governos se fala em estudo e levantamento, no entanto, nada é resolvido.