Faixa na entrada e saída da Vila Santa Fé ameaça fechar a Estrada do Rio Preto
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Se você fizer pergunta sobre qual é a principal demanda das comunidades que vivem ao logo da Estrada do Rio Preto, dez em cada dez moradores vão responder que é a melhoria das condições de trafegabilidade na rodovia, marcada por lama no inverno e poeira (muita poeira) no verão. Também pudera, o fluxo de caminhões transportando minério e gado para cima e para baixo nos mais de 200 km da rodovia é tão grande que as vilas vivem cobertas de poeira e as crianças e idosos adoecem constantemente por problemas pulmonares.

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O cartão de entrada e saída na primeira e maior vila da Estrada do Rio Preto – a Santa Fé – é uma faixa com duas frases lacônicas: “Queremos asfalto já! Ou fechamos a rodovia”. E, de fato, não apenas os moradores desta, mas de outras vilas se organizam nos bastidores para realizar uma grande mobilização para um protesto que tenha impacto nos responsáveis para cobrar o asfalto em médio prazo e melhoria das condições de trafegabilidade em curto prazo.

Poeira ao cubo é o que se vê em todos os trechos da Estrada da rodovia

A Estrada tem pontos críticos de poeira e, mais recentemente, a Mineradora Buritirama contratou uma empresa, a CONCASA, para realizar um estudo e já promover melhorias na rodovia. Quando a Reportagem do CORREIO esteve lá, na última semana, veículos da referida empresa estavam trabalhando com caminhões pipas nas vilas, com o intuito de diminuir a poeira e a reclamação.

Mas parece que não está sendo o suficiente. Pelo menos três dos quatro vereadores que moram naquela região usaram a tribuna da Câmara nesta terça-feira, dia 6, para reclamar das condições da estrada e pediram solução para os diversos dramas da comunidade, principalmente da poeira formada pelo barro e também pelo minério que acaba formando outra nuvem, só que escura.

José Alfredo de Miranda, proprietário de uma fazenda ao lado da Vila Três Poderes, é só reclamação com a nuvem de poeira que não desaparece durante o dia e à noite. “São centenas de caminhões todos os dias carregando ferro e isso tudo faz mal pra saúde, até mesmo do gado. A poeira cobre o pasto e quando a vaca ou boi vai comer está cheio de terra e eles emagrecem. Vejo que os líderes da Associação de Moradores trabalham muito, batalham, vão atrás, mas é preciso que as autoridades cobrem da empresa responsável pelo transporte do minério para que encontre uma solução para essa puaca toda. Minha casa não dá 100 metros da estrada e temos de limpar até três vezes por dia”, reclama.

Como ele, o presidente da Associação de Moradores da Vila União, João Rodrigues dos Santos, o João Padre, é outro que reclama da placa presente em todos os ambientes da comunidade em que mora. Reconhece que a empresa tem se mobilizado recentemente para tentar resolver o problema, mas avalia que os esforços ainda são incipientes. “Nosso sonho é a pavimentação. As autoridades precisam se unir com a Buritirama para asfaltar essa estrada que leva tanta riqueza para o Estado e o município de Marabá”, lembra.

Gado magro e pasto amarelado pela poeira em mais de 100 km de estrada

Buritirama diz que investe em engenharia para melhorar a estrada

 

Ontem, terça-feira, 6, no final da tarde, a Assessoria da Mineração Buritirama enviou nota sobre o assunto para a editoria do Portal Correio de Carajás. Leia a seguir: “A Mineração Buritirama, responsável pela extração de manganês em sua reserva mineral localizada na região da Vila União, a 140 quilômetros de Marabá (PA), desenvolve, há anos, a manutenção da estrada, atuando de maneira corretiva, efetuando o reparo da estrada que liga a mina à cidade de Marabá. Atualmente, por meio da adoção e implementação de uma engenharia de base, pretende dar melhores condições ao tráfego dos caminhões que transportam minérios e produtos agropecuários, além dos automóveis e motocicletas.

De acordo com o responsável pelas operações da mineradora, Michel Fontes, a empresa CONCASA foi contratada para realizar um amplo levantamento geotécnico e topográfico de toda a extensão da estrada e, a partir da engenharia disponibilizada pela Buritirama, realizar as obras de adequação do pavimento, e aplicação de polímeros com o objetivo de mitigar e reduzir os problemas associados à poeira e processos erosivos que atingem a estrada, principalmente no período chuvoso. O estudo identificou diversas maneiras para dar mais estabilidade à via com a aplicação de materiais que possam garantir maior compactação ao terreno.

Michel Fontes informa ainda que estas ações proporcionarão “uma significativa redução da poeira, a popular ‘puaca’ no jargão local, por meio de um processo mecânico de compactação do solo. Este será um projeto com altos investimentos da Buritirama, que envolverá a recuperação de bueiros, de pontos de drenagem e, também, muito importante, a colocação de uma sinalização adequada para orientação dos motoristas”, explica.

Michel Fontes ressalta que esta iniciativa da Buritirama possui um cunho, também, social, uma vez que não somente beneficia o transporte naquela via, mas traz benefícios e melhores condições de vida às pessoas que residem nas áreas próximas à estrada.

“Além do nosso movimento, que estimo em cerca de 30% do volume total de tráfego naquela rota, por este corredor trafegam caminhões e carretas com minérios de outras procedências, gado, produtos agrícolas e uma infinidade de outros materiais”, comenta Michel Pontes. A previsão é que os trabalhos na estrada estejam concluídos em aproximadamente seis meses.

Buritirama contratou empresa para molhar estrada e dar outras soluções ao problema

Sobre a Mineração Buritirama

Produtora de manganês de alta qualidade, a Buritirama tem sólida posição no mercado nacional e internacional, fornecendo produtos em diversos segmentos como ferro-ligas, micronutrientes, ração animal e vegetal, baterias, entre outros”.

 

(Ulisses Pompeu – com informações da Mineração Buritirama)

 

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