O influenciador digital Jimmy Donaldson, conhecido como MrBeast, elegeu a Ilha da Queimada Grande, popularmente chamada de Ilha das Cobras, localizada entre Itanhaém e Peruíbe, no litoral paulista, como o lugar mais mortal do planeta. O youtuber norte-americano passou uma noite no único habitat de uma das espécies de serpentes mais venenosas do mundo, a jararaca-ilhoa.
MrBeast fez um ranking dos cinco lugares mais mortais do planeta: uma jaula no safári africano; uma cachoeira congelada na Europa; uma estrada na Bolívia; uma região da floresta amazônica no Peru e, por fim, a Ilha das Cobras.
A ilha brasileira é considerada a 2ª com maior densidade populacional de cobras no planeta, com aproximadamente 45 serpentes por hectare. Conheça o lugar mortal a partir dos seguintes pontos:
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1. Como visitar a Ilha das Cobras? 🤔
De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), gestor da unidade de preservação ambiental, a visitação é permitida para fins jornalísticos e científicos, mediante autorização da chefia por meio do Sistema SISBio ou conforme orientação do ICMBio Iguape.
Para acessá-la, é necessário um planejamento detalhado e o acompanhamento de profissionais experientes e capacitados, especialmente em primeiros socorros e resgates em ambientes naturais. Além disso, é recomendada a elaboração de um plano de contingência que inclua equipamentos adequados de resgate, comunicação e monitoramento constante das condições climáticas.
O órgão federal ressaltou que todas as regras exigidas (veja quais são no tópico abaixo) foram respeitadas pela produção do MrBeast, e as gravações ocorreram sem nenhum problema.
2. Quais as regras? 🚨
Segundo o ICMBio, entre as principais regras, está a proibição de tocar ou perseguir a fauna local, capturar ou matar animais, causar perturbações ou deixar resíduos. Dessa forma, todo material gerado durante a expedição deve ser removido para descarte adequado.
O uso de drones é permitido apenas com autorização específica do DECEA (Sistema SARPAS) e seguindo as normas estabelecidas para a proteção das espécies locais.
3. Como é a Ilha? 🏝️
Trata-se de uma Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE), ou seja, uma unidade de conservação federal de acesso restrito, onde são permitidas apenas atividades previamente autorizadas.
O ICMBio descreve a Ilha da Queimada Grande como um ambiente selvagem, inóspito, em que não se pode viver e sem qualquer infraestrutura como abrigos, portos ou trilhas estruturadas.
A ilha é caracterizada por vegetação espinhosa, terrenos íngremes e presença frequente de serpentes peçonhentas como a jararaca-ilhoa, espécie endêmica e criticamente ameaçada.
4. Espécies ameaçadas na Ilha 🐬
Estas são as espécies ameaçadas de extinção que podem ser encontradas na Ilha das Cobras:
- Jararaca-ilhoa (Bothropoides insularis)
- Tartaruga-verde (Chelonia myda)
- Dormideira-da-Ilha-da-Queimada-Grande (Dipsas albifrons cavalheiroi)
- Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata)
- Toninha (Pontoporia blainvillei)
- Cação-anjo (Squatina occulta)
- Anjo (Squatina guggenheim)
- Trinta-réis-real (Thalasseus maximus)
5. Cobras encaram visitantes 👀
Anteriormente, o biólogo Eric Comin, que já visitou a unidade de conservação algumas vezes, compartilhou a experiência dele com a equipe de reportagem, e disse que não desembarcaria mais no local.
O biólogo contou que um especialista, que acompanha a expedição, abre o caminho tirando as cobras do chão para que os pesquisadores consigam caminhar. “Ele espanta do chão, vai tirando elas para a galera passar”.
“Geralmente nessas expedições você fica alguns dias na ilha, então sobe com equipamentos, com água e com tudo mais. Essas [cobras] não são agressivas, são bem tranquilas, elas não vêm para cima [da gente], elas só te olham, aquela coisa de te olhar nos olhos, é bem interessante“.
Eric relatou que chegou a ficar bem perto delas, inclusive da jararaca-ilhoa, que é venenosa e só tem na ilha: “Superlegal, uma coisa bem bacana, só que é sinistro. É um animal lindo de se ver, é bem legal mesmo”.
6. Mergulho 🤿
O biólogo contou que o acesso à ilha não é permitido, mas que o mergulho no entorno é liberado. “Essa serpente não vai para a água e, mesmo você estando próximo ao costão rochoso da ilha, você não consegue ver as cobras, então para você ver as serpentes tem que ser com o desembarque”.
“Elas são extremamente terrestres, a adaptação delas é terrestre, elas não são animais aquáticos, então assim, não tem nenhum tipo de risco em relação ao mergulho e serpentes”, complementou.
Para o especialista, a Ilha da Queimada Grande é “um verdadeiro hotspot [uma região natural com uma grande biodiversidade e em risco de extinção] de conservação”. “É um dos melhores pontos de mergulho do estado de São Paulo […]. Ali é rota de espécies migratórias”.
Eric afirmou que no entorno da ilha são encontradas raia-manta, raia-chita, raia-prego, raia-borboleta, além de uma diversidade de peixes e de corais. “A gente tem uma diversidade de peixes totalmente incrível, tem tartarugas, é rota de baleias”.
7. Jararaca-ilhoa 🐍
A jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), de acordo com o biólogo, é considerada uma das cobras mais peçonhentas e perigosas do mundo. “Ela é uma jararaca de coloração meio esverdeada com tom voltado ao amarelo. Com isso, ela tem uma camuflagem muito boa”.
Ela se adaptou na ilha devido a um isolamento geográfico da glaciação. “Acredita-se que foi isso e, nesse isolamento, ela teve que caçar aves do continente que vão até a ilha. Para ela caçar essas aves, se ela pica a ave e a peçonha não é forte, a ave voa, vai embora e cai em outro lugar”.
Por isso, a espécie se adaptou para picar e, consequentemente, provocar a morte imediata do animal. O biólogo afirmou que a serpente não cresce muito, mas mede aproximadamente um metro de comprimento. No entanto, a picada é equivalente a de quatro jararacas. “É muito forte”.
“Dentro desse isolamento geográfico […] a peçonha dela se potencializou de uma tal forma que a partir do momento que ela dava o bote, a ave já morria e ficava no galho”, complementou. Ele ressaltou que essa espécie é extremamente endêmica, ou seja, só existe na Ilha das Cobras.
8. Como foi a experiência do MrBeast? 😲
Jimmy acampou na Ilha das Cobras junto com amigos e cientistas. Os participantes usaram proteções especiais nas pernas contra as mordidas venenosas, mas o grande problema da área é que as serpentes também podem atacar de cima das árvores.
Durante a experiência, o influenciador ajudou a encontrar as cobras mortais para ajudar o cientista com pesquisas. MrBeast explicou que o veneno extraído das serpentes podem ser usados para criar um antídoto que trata 90% das picadas de espécies do Brasil, o que pode salvar milhares de vidas.
Em determinado momento, o cientista deixou uma cobra cair. “Ele [pesquisador] falou que a cobra escapou como eu falo quando deixo o meu telefone cair”, brincou Jimmy, que também elogiou o visual do local: “Olha, para uma ilha cheia de máquinas de matar, aqui é bem bonito”, afirmou o youtuber.
Quando começou a ficar escuro, MrBeast relatou que o grupo focou em sobreviver e montaram um acampamento no local. “Eu não tenho ideia se essas tendas são a prova de cobras […] Então, a gente acordou com uma coisa em mente: Sair dessa ilha o mais rápido possível”, contou ele.
“Sobrevivemos à Ilha das Cobras e ninguém morreu”, comemorou o criador de conteúdo no final do vídeo.
(Fonte:G1)