Correio de Carajás

Como cuidar de idosos e crianças durante o calor extremo do El Niño

Pediatra e geriatra trazem orientações e cuidados essenciais para que esses grupos não sofram com às temperaturas elevadas

Idoso de chapéu e menina de chapéu rosa bebendo água em dia de sol.
✏️ Atualizado em 14/08/2026 16h27

As ondas de calor intensificadas pelo fenômeno El Niño têm preocupado especialistas da saúde, que alertam para os riscos em dois grupos especialmente vulneráveis: idosos e crianças. Segundo o Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Inmet em conjunto com outros órgãos federais, há 100% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo até pelo menos o início de 2027, com possibilidade elevada de atingir a categoria de muito forte, quando o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial supera 2°C. Esse cenário aumenta a ocorrência de extremos climáticos, como estiagens prolongadas, ondas de calor, enchentes e queimadas, impactando diretamente a saúde da população.

A combinação de altas temperaturas e baixa umidade eleva o risco de desidratação, insolação e complicações graves. A médica geriatra Recielle Chaves, professora na Afya Marabá, explica que o envelhecimento reduz a capacidade do corpo de regular a temperatura. “Muitos idosos não percebem a sede, usam medicamentos que favorecem a desidratação e têm doenças crônicas que dificultam a adaptação ao calor”, explica. Segundo ela, sinais como boca seca, pouca urina, sonolência excessiva, confusão mental e pele muito quente exigem atenção imediata. “Esses sintomas podem indicar risco de insolação ou agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias. É fundamental que familiares e cuidadores estejam atentos”, alerta.

Já a pediatra Izabella Sad, professora na Afya Redenção, destaca que as crianças também sofrem de forma intensa com o calor. “Elas desidratam mais rápido, têm menor reserva hídrica e muitas vezes não conseguem comunicar sede ou mal-estar”, diz a especialista. A insolação pode evoluir para sintomas graves como irritabilidade, fala enrolada, convulsões ou perda de consciência. “Os pais devem observar sinais precoces, como choro sem lágrimas, urina escura e menos frequente, boca seca e sonolência. Em crianças pequenas, a evolução pode ser rápida e merece atenção.”

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Influência do El Niño: os cuidados e a atenção aos sinais

As especialistas reforçam que a prevenção é a melhor estratégia. Para os idosos, a geriatra recomenda hidratação constante, mesmo sem sede, ambientes frescos e ventilados, roupas leves e refeições ricas em frutas e verduras. “Não devemos deixar o idoso sozinho em veículos fechados e precisamos ter atenção redobrada àqueles que moram sem assistência direta de seus familiares em seus lares ou apresentam demência, pois muitas vezes não conseguem reconhecer os primeiros sinais de superaquecimento”.

No caso das crianças, a pediatra orienta que o consumo de água seja oferecido ao longo do dia sem esperar que peçam. “É importante evitar exposição prolongada ao sol e garantir pausas em locais frescos. Em bebês, o aleitamento materno em livre demanda é essencial. Já na alimentação, prefira frutas, legumes e preparações leves, que não fiquem muito tempo fora da refrigeração”, recomenda.

Ela acrescenta que o calor intenso pode impactar não apenas na saúde física, mas também no desenvolvimento, na cognição e até na imunidade das crianças. “Se a atividade ao ar livre durar mais de alguns minutos no calor amazônico, os pais devem observar a quantidade da ingestão de líquidos e outros fatores como: beber água, descanso na sombra, o comportamento físico e psicológico norma, ou se apresentar estafe, é o momento de interromper e reavaliar a atividade.”

Com o avanço dos eventos climáticos extremos, os cuidados básicos tornam-se essenciais para proteger vidas. Como resume a geriatra Recielle Chaves: “Medidas simples, como oferecer água e garantir ambientes frescos, podem salvar vidas.” A pediatra Izabella Sad complementa: “Muitas vezes, retirar a criança do sol e hidratar já resolve. Mas se houver sinais de alerta, como vômitos, fraqueza ou tontura, o atendimento médico deve ser imediato.”