Correio de Carajás

Comércio, escolas e Procon entram no ritmo de volta às aulas em Marabá

Entre pesquisa e promoções, marabaenses se preparam para o início do ano letivo 2026 com lista de material na mão

O perfil de consumo nessa época do ano varia com a necessidade de cada um, mas a busca por economia é universal / Fotos: Evangelista Rocha
Por: Kauã Fhillipe
✏️ Atualizado em 12/01/2026 10h38

Com o início de um novo ano, a volta às aulas já movimenta a rotina das famílias marabaenses. Com listas de material em mãos, pais e responsáveis percorrem lojas em busca de preços mais acessíveis, enquanto o comércio local registra aumento na procura por produtos escolares. O período, tradicionalmente marcado por planejamento e gastos extras, também aquece a economia e mobiliza as redes de ensino pública e privada.

O Correio de Carajás foi às ruas para acompanhar como as famílias estão lidando com as compras deste período. O representante comercial Sebastião Sá e Lima (capa) é do tipo de consumidor que prefere pesquisar antes de decidir. Durante a entrevista, ele revelou que já havia passado por cinco estabelecimentos diferentes em busca do melhor preço. Acompanhado da filha, que vai cursar o segundo ano do ensino médio, Sebastião avalia que os preços dos materiais escolares vêm aumentando nos últimos anos, o que exige mais atenção na hora da compra. “Tudo subiu e em todos os ramos. Então a gente tem que pesquisar mesmo, porque senão pesa no orçamento”, afirma.

O empreendedor Marcelo Farias também adota uma estratégia parecida. Ele, que durante a entrevista estava na Folha 33, conta que vem pesquisando preços desde a Marabá Pioneira, e destaca a variedade de lojas como um ponto positivo para o consumidor. Diferente de Sebastião, Marcelo optou por não comprar nada de imediato, preferindo concentrar todas as compras em um único estabelecimento, acreditando que assim consegue economizar mais nos materiais dos dois filhos.

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Marcelo: “a gente corre atrás da pechincha. Então a gente corre a cidade inteira à procura e hoje a gente consegue encontrar uma variedade grande de lojas que oferecem isso pra gente”

Já a dona de casa Márcia Furtado seguiu um caminho mais simples. Com a lista de material escolar em mãos, ela fez apenas uma rápida pesquisa antes de decidir onde comprar. Para ela, os preços não sofreram grandes alterações em relação aos anos anteriores. “Eu não achei que aumentou muito, não. Está um preço normal, dá para o bolso”, avalia. Márcia também considera adequada a lista fornecida pela escola e acredita que os itens solicitados são suficientes para o ano letivo dos filhos, um no jardim I e outro no ensino fundamental.

Márcia optou por uma tática de compras menos intenso sem grandes pesquisas, mas garante que os preços estão acessíveis para o bolso

Setor aquecido

Essa movimentação intensa se reflete diretamente no comércio local. Gênesis Soares, subgerente do Mateus Supermercados da Folha 33, afirma que o setor de papelaria vive um dos momentos mais fortes do ano. Segundo ele, promoções específicas, como as de mochilas, chegaram a provocar um aumento expressivo nas vendas, com grande circulação de clientes pelos corredores.

Gênesis avalia o período de retorno escolar de forma positiva para a economia do município, destacando que a volta às aulas gera impacto em diversos setores. “Praticamente todo mundo tem filho ou alguém estudando, ou seja, isso gera um movimento muito grande nas lojas. É um período importante para montar preços, ofertas e produtos, porque fomenta bastante a economia local”, explica.

Segundo Gênesis, o supermercado adotou várias estratégias de vendas bem-sucedidas para atrair ainda mais o público nesse retorno do calendário letivo

Orientações do Procon

A coordenadora do Procon Marabá, Zélia Souza, destaca que o órgão intensificou a atuação no período de volta às aulas, com ações de orientação, fiscalização e repressão a práticas abusivas tanto no comércio de material escolar quanto nas instituições de ensino privadas. “O Procon Marabá está à disposição do consumidor marabaense. Temos equipes em campo, canais abertos e estamos prontos para agir sempre que houver violação de direitos, especialmente neste período de volta às aulas”, destaca.

Segundo Zélia, a orientação é clara: pais e responsáveis devem ficar atentos à precificação dos produtos, realizar pesquisa de preços e observar se há aumentos excessivos nesse período de alta demanda. Caso identifiquem diferenças injustificadas ou cobranças abusivas, o Procon pode solicitar notas fiscais de entrada e saída para verificar se há infração à legislação, especialmente à lei de economia popular, que proíbe elevações excessivas de preços em períodos específicos.

Zélia: “Esse ano nós não temos denúncias. Isso é resultado de recomendações, orientações e do trabalho contínuo do Procon junto à comunidade”

No âmbito das escolas privadas, o Procon atua de forma rigorosa para coibir abusos relacionados a matrículas, mensalidades, reajustes e cobranças indevidas. A coordenadora lembra que nenhuma instituição pode cobrar mais do que o equivalente a 12 mensalidades por ano, sendo a matrícula considerada parte desse total, e que qualquer reajuste deve ser transparente e devidamente justificado, com apresentação de melhorias ou investimentos realizados pela escola.

Um ponto de atenção especial é a situação de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA): Zélia enfatiza que é proibida qualquer cobrança adicional para esses estudantes, reforçando que é a instituição que deve se adequar às necessidades do aluno, e não o contrário. “Qualquer cobrança adicional para aluno com TEA é proibida por lei. Não é o aluno que deve se adequar à escola, é a escola que deve se adequar ao aluno”.

Sobre punições, o órgão pode aplicar multas previstas em decreto municipal, que variam de 500 a 5.000 UFMs. A Unidade Fiscal do Município (UFM) é um valor definido pela prefeitura e utilizado como base para calcular multas e taxas. Atualmente, cada UFM gira em torno de R$25, especialmente em casos de reincidência. O objetivo, segundo a coordenadora, é “evitar práticas abusivas e garantir equilíbrio nas relações de consumo”, protegendo o consumidor marabaense não apenas neste período de volta às aulas, mas ao longo de todo o ano.

Retorno nas instituições de ensino

Enquanto pais e comércio se organizam, as instituições de ensino finalizam os preparativos para o início do ano letivo. Na rede estadual, o diretor da 4ª Unidade Regional de Ensino (4ª Ure), professor Magno Deleon, informou que Marabá conta com 25 escolas de ensino médio. O período de matrículas segue até o dia 30 de janeiro, conforme disponibilidade de vagas, e o retorno das aulas está previsto para o dia 2 de fevereiro, data em que também ocorre a confirmação das matrículas.

De acordo com Deleon, o número total de alunos ainda não pode ser fechado, mas a média histórica aponta para cerca de 12 mil estudantes matriculados no ensino médio no município. As matrículas são realizadas exclusivamente de forma online, por meio do site da Secretaria de Educação do Estado do Pará pelo link https://matriculas.pa.gov.br/matricula-unificada/cadastro.php.

Na rede privada, a mobilização também é intensa. O Grupo Futuro Educacional, em Marabá, deve iniciar o ano letivo com cerca de 410 alunos matriculados, número superior ao registrado no ano anterior. Segundo o diretor Raimundo Júnior, as aulas começam nos dias 12, 19 e 20 de janeiro, para o ensino médio, fundamental e infantil, respectivamente.

Já na rede municipal, o calendário letivo tem início no dia 19 de janeiro, com a realização da Jornada Pedagógica, reunindo professores, diretores e equipes técnicas para planejamento do ano escolar. Os alunos da rede pública municipal retornam às salas de aula no dia 26 de janeiro, tanto na zona urbana quanto na rural.

O secretário municipal de Educação, Cristiano Gomes Lopes, estima que a rede pública de Marabá deve atender quase 50 mil alunos em 2026, número ainda projetado, já que o período de matrículas não foi encerrado. Atualmente, o município conta com 206 escolas de ensino fundamental, sendo 106 na zona urbana e 100 na zona rural. As matrículas podem ser feitas presencialmente nas escolas ou online, com validação obrigatória na unidade escolhida. O link para realizar a inscrição é: https://maraba.matriculasweb.com.br/.