📅 Publicado em 04/02/2026 16h04✏️ Atualizado em 04/02/2026 16h05
Em uma entrevista exclusiva ao Correio de Carajás, a delegada de Polícia Federal Marcela Dias Fontes, que atua como subchefe da Delegacia da PF em Marabá, traça um panorama sobre o trabalho da instituição na região. O ponto de partida e principal destaque foi o combate aos crimes cibernéticos contra crianças, um tema que, segundo ela, exige uma nova e mais precisa terminologia: “assédio virtual infantil”.
A delegada fez questão de esclarecer a mudança de nomenclatura, abandonando o popular termo “pedofilia” para descrever os crimes praticados no ambiente online.
“A gente não está usando mais esse termo [pedofilia], porque pedofilia envolve doença, e (a ocorrência do crime) não necessariamente é uma doença psíquica. Então, nem todo mundo que pratica esse crime vai ter essa doença de ser pedófilo. A gente coloca como assédio virtual infantil, para dizer aquilo realmente que é, porque é um assédio, e mesmo em questão virtual, está sendo feito”, pontuou a delegada.
Leia mais:Essa atuação é uma competência da Polícia Federal, conforme estipulado pela Constituição, que atribui à PF a investigação de crimes com repercussão interestadual ou internacional praticados pela internet.
A policial confirma que há um forte movimento de criminosos em redes sociais, jogos online e até na dark web, e que a delegacia de Marabá possui uma equipe de delegados dedicada a reprimir essas ações, embora as investigações tramitem em sigilo para garantir sua eficácia.
Prevenção e repressão
O trabalho da PF não se limita a investigar e prender os criminosos. A prevenção é um pilar estratégico, materializado no projeto “Guardiões da Infância”. Trata-se de uma iniciativa nacional em que policiais federais habilitados vão a escolas para dialogar diretamente com os alunos.
“A gente vai na escola, informar, fazer uma palestra com as crianças sobre o perigo da internet, de se expor, o que tem que ser alertado aos pais, o que fazer, o que não fazer”, detalhou a delegada. Ela confirmou que ações do projeto já foram realizadas em Marabá no ano anterior, buscando criar uma cultura de segurança digital desde cedo.

Para os pais e responsáveis, a delegada deixou um guia claro de como proteger os mais jovens:
•Supervisão Ativa: É crucial verificar as redes sociais, os jogos e as conversas dos filhos.
•Controle da Exposição: Evitar a publicação de fotos que possam ser exploradas por criminosos, como imagens de biquíni, em uniformes escolares (que identificam a rotina) ou que revelem a localização.
•Atenção aos Jogos Online: Plataformas como o Roblox são frequentemente usadas por aliciadores. “Eles se infiltram nesses jogos e começam a aliciar as crianças. Ficam naqueles grupos, o WhatsApp infantil, e começam a aliciar, falando ‘envia uma foto X que eu te dou em dinheiro do jogo’, e a criança acaba fazendo, acaba cedendo”, alertou.
•Diálogo e Confiança: É fundamental explicar às crianças que elas não devem ter amizade ou conversas privadas com adultos desconhecidos e que qualquer abordagem suspeita deve ser imediatamente relatada aos pais.
Caso ocorra qualquer incidente, a orientação é procurar a Polícia Federal para que a investigação seja iniciada. As denúncias podem ser feitas de múltiplas formas: presencialmente no plantão da delegacia, por e-mail para o protocolo da unidade ou, a nível nacional, pela plataforma ComunicaPF no site da PF.

Estrutura, tecnologia e planos
A subchefe da DPF explicou a hierarquia da instituição: a delegacia de Marabá é uma unidade descentralizada, subordinada à Superintendência Regional em Belém, que por sua vez responde à Direção-Geral em Brasília. Internamente, a modernização é um fato.
“A gente não usa papel aqui. […] É tudo online. Onde eu estiver, eu consigo trabalhar, porque é tudo informatizado”, afirmou, destacando que os sistemas são padronizados em todo o Brasil.
Atualmente em um prédio alugado na Folha 17 da Nova Marabá, a Delegacia de Polícia Federal possui um terreno e autorização para a construção de uma sede própria, um projeto que agora depende de questões orçamentárias em Brasília. A unidade também aguarda a chegada de novos policiais (agentes, delegados, peritos e escrivães) que estão em formação na Academia Nacional de Polícia, fruto do último concurso. O atual delegado-chefe da DPF Marabá é Leandro Fernandes da Silva Oliveira.
Para o futuro, o grande projeto é trazer para Marabá uma base da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO). “É uma atuação em conjunto. Um pouco de cada órgão vem para cá, da Polícia Militar, da Polícia Civil”, explicou.
A iniciativa, que recentemente reintegrou a Polícia Rodoviária Federal (PRF) em seu acordo de cooperação nacional, fortaleceria o combate a organizações criminosas na região.
