Correio de Carajás

Comandante-geral da PM anuncia reforço de mais de 2.700 novos policiais

Em entrevista ao Correio de Carajás, o oficial também destaca redução histórica da criminalidade no Pará / Foto: Josseli Carvalho
Por: Texto: da Redação | Entrevista: Josseli Carvalho

A segurança pública do Estado do Pará atravessa um momento de profunda reestruturação e expansão de suas forças operacionais. Em passagem pela cidade de Marabá nesta semana, o coronel QOPM Sérgio Ricardo Neves de Almeida, atual comandante-geral da Polícia Militar do Pará (PMPA), concedeu uma entrevista exclusiva ao Correio de Carajás.

Durante a conversa, o oficial detalhou os avanços significativos da corporação, os investimentos milionários em infraestrutura e tecnologia, e, sobretudo, o robusto cronograma de incorporação de novos agentes de segurança que promete transformar o policiamento ostensivo em todas as regiões do estado.

Assumindo o mais alto posto da corporação em 5 de setembro de 2025, sucedendo o coronel Dilson Júnior, o coronel Neves trouxe para o Comando-Geral uma vasta experiência em operações e gestão estratégica.

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Seu foco principal tem sido o fortalecimento da segurança pública de forma integrada, alinhando o aumento do efetivo com a modernização dos equipamentos e a valorização da tropa. O resultado dessa equação, segundo o comandante, já é sentido nas ruas com a queda contínua dos índices de criminalidade.

Maior efetivo da história

O ponto alto da entrevista, e que representa um marco para a segurança pública paraense, é o massivo chamamento de novos policiais militares aprovados em concurso público. O coronel Neves detalhou o cronograma de formação que está injetando milhares de novos agentes nas ruas. Segundo ele, a recomposição do efetivo é uma prioridade absoluta do governo estadual, que tem tratado a segurança pública como uma de suas principais bandeiras.

“A governadora fez o chamamento agora daquilo que a gente chama de T3, que é a terceira turma. Foram quatro mil vagas no total. Mil já se formaram em fevereiro deste ano e já estão atuando. Chamamos também em fevereiro a T2, que está em plena formação neste momento. E agora houve o chamamento da T3, que são mais 1.400 policiais, que serão entregues à sociedade no início do ano que vem”, explicou o gomandante-geral.

A injeção de novos agentes não para por aí. O coronel revelou que, além dessas turmas, há outro grupo expressivo em preparação imediata.

“Está em curso a formação de outros 1.300 novos policiais, que serão entregues para incrementar o policiamento em todo o Estado a partir do mês de setembro deste ano. E a outra turma que vai entrar agora só se forma no início do ano de 2027”, detalhou. Ao todo, somando as turmas em formação e as recém-formadas, o Pará ganha um reforço que ultrapassa a marca de 2.700 novos homens e mulheres fardados apenas no curto e médio prazo.

Descentralização da formação

Um dos grandes diferenciais desta nova fase da Polícia Militar do Pará é a forma como esses novos agentes estão sendo preparados. Historicamente, a formação policial concentrava-se na capital, Belém, o que muitas vezes dificultava a adaptação dos agentes quando destacados para o interior do estado, que possui dimensões continentais e realidades regionais muito distintas.

Para corrigir essa distorção, o comando-geral implementou uma estratégia de descentralização do ensino. “O Estado é dividido, para a Polícia Militar, em quinze regionais. Todas as quinze regionais estão tendo polo de formação. Uns com quarenta alunos, outros com oitenta, outros com cento e vinte”, explicou o Coronel Neves. Essa capilaridade garante que o policial seja formado conhecendo a realidade da região onde possivelmente irá atuar.

No entanto, o comandante fez questão de esclarecer que a distribuição final do efetivo obedecerá a critérios técnicos e estratégicos, baseados na mancha criminal e na necessidade de cada município. “Isso não quer dizer que aquele polo não receba menos ou mais efetivo daquilo que está sendo formado. Esse efetivo todo, tanto da T2 quanto da T3, será distribuído para os interiores, garantindo que todas as regiões do Pará sejam contempladas com esse reforço”, assegurou.

Investimentos

O aumento do efetivo humano, por si só, não seria suficiente para garantir a eficiência do policiamento se não estivesse acompanhado de pesados investimentos em infraestrutura, armamento e tecnologia. Questionado sobre as condições de trabalho oferecidas aos policiais, o Coronel Neves foi enfático ao destacar o volume de recursos injetados na corporação nos últimos anos.

“O governo até aqui já investiu na Polícia Militar, durante as duas gestões anteriores e agora entregue para a nossa governadora, a doutora Ana, mais de 160 milhões de reais. Isso é só investimento direto para a Polícia Militar”, revelou. Esses recursos têm sido aplicados na renovação da frota de viaturas, aquisição de armamentos modernos, coletes balísticos de última geração e na implementação de tecnologias de monitoramento e comunicação.

Apesar dos avanços expressivos, o comandante reconhece que o trabalho de reestruturação é contínuo. “Hoje a gente ainda precisa estruturar algumas outras unidades, mas muito já foi feito. Muito se tem para fazer, mas é o olhar da nossa governadora. Ela já afirmou aqui que a segurança pública é uma das bandeiras principais da sua gestão e vem falando isso desde que lhe foi transmitido o cargo”, pontuou.

Além dos equipamentos, a infraestrutura física dos quartéis, batalhões e companhias independentes também está passando por um processo de revitalização. “Em questão de reformas de prédios, quartéis, BPDs e companhias independentes, a gente já está bem estruturado, mas muito ainda se precisa fazer. É uma política da governadora oferecer uma estrutura com dignidade para que a nossa tropa seja estimulada a desenvolver cada vez melhor e com excelência a sua atividade”, afirmou o Coronel.

Capacitação contínua

A modernização da Polícia Militar do Pará passa também pela qualificação constante de seu material humano. O coronel Neves destacou que o foco não está apenas na formação inicial dos novos soldados, mas na atualização permanente de toda a tropa. “A gente já tem um bom equipamento, um bom material. Estamos também focados nas capacitações continuadas, não só nas de formação. A polícia cresceu muito durante essa gestão. Outra fachada foi apresentada para a sociedade paraense”, avaliou.

Todo esse esforço conjunto — aumento de efetivo, investimentos em tecnologia, melhoria da infraestrutura e capacitação da tropa — tem gerado resultados práticos e mensuráveis nas ruas. O comandante-geral celebrou a queda consistente dos indicadores de violência no estado, atribuindo o sucesso ao trabalho integrado das forças de segurança.

“Se não fossem esses investimentos e o denodo, a vontade da nossa tropa, a gente, junto com o Sistema Integrado de Segurança Pública, não estaríamos a cada mês reduzindo os índices criminais. A cada mês a gente vem mostrando essa redução. E essa redução reflete justamente na sociedade, no seu direito de viver, na garantia do seu patrimônio. O índice de criminalidade tem baixado a cada mês”, comemorou o oficial.

Uma polícia de excelência e respeito

Ao assumir o Comando-Geral da PMPA, o coronel Neves trouxe consigo uma visão clara do papel da instituição perante a sociedade. Questionado sobre seu projeto pessoal à frente da corporação, ele resumiu sua filosofia de comando baseada na excelência do serviço prestado e na proximidade com o cidadão.

“O meu projeto próprio é levar da minha instituição uma atividade, uma apresentação com excelência e respeito, para que a gente possa dizer para a comunidade que a gente está aliada com a sociedade, que a gente está com ela, que nós somos um braço forte dela”, declarou com firmeza.