Correio de Carajás

Com taxa de ocupação de apenas 15%, Sindhotel quer volta de voos a Marabá

Dauro Remor pede volta de voos que foram retirados e fluxo normal nas estradas para os ônibus chegarem a Marabá/ Foto: Ulisses Pompeu
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Diante da pandemia do novo coronavírus e da quarentena imposta em cidades do Estado do Pará, os hotéis e restaurantes estão amargando prejuízos enormes. Os setores turístico e hoteleiro estão entre os mais afetados pela pandemia. Com voos cancelados e sem turistas, não há trabalho a fazer na maioria dos estabelecimentos.

Na órbita de Marabá, o turismo tanto gera oportunidades de negócio para hotéis, companhias aéreas e agências de viagem quanto para restaurantes e transporte. Para todos estes, a receita depende do interesse de visitantes, que preferem reter a segurança jurídica. A isso, infere-se que os turistas orçam cada decisão antes de escolher o destino final. Esta, ademais, tem sido a bússola em tempos de pandemia.

De acordo com Dauro Remor, presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Marabá (Sindhotel), a iminência de decretos de lockdown (suspensão total das atividades) é o principal temor de potenciais hóspedes. “A segurança jurídica nesse segmento é muito importante. Ou seja, um cliente que pega um voo em São Paulo tem que ter a certeza de que não será interrompido no meio do caminho e de que não cairá em uma quarentena quando chegar, como ocorreu no início do processo”, sustenta.

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O retorno da atividade aérea no município, aliás, é a principal reivindicação da entidade por ele representada. “Nós dependemos de turistas e a falta de voos em Marabá está atrapalhando. Temos em torno de 5 mil leitos na cidade que precisam ser ocupados por pessoas de fora”, enfatiza.

À Reportagem do CORREIO, Dauro fala sobre a correlação entre aviação e turismo. Ambos os setores têm um inimigo letal que atende pelo mesmo nome: coronavírus. “Nós dependemos de voos e esperamos que haja pronto restabelecimento da operação aérea em Marabá”, anseia.

Mesmo com a baixa no número de usuários do serviço, os custos com energia e folha de pagamento, para citar, seguem elevados no segmento. “A princípio, o governo federal nos ajudou com a questão dos salários e com uma determinação da Aneel para que, por 90 dias, os serviços essenciais não sofressem cortes de energia”, arrazoa ele.

Taxa de ocupação dos hotéis de Marabá é mínima e empresas acumulam prejuízos/ Foto: Divulgação

Dauro revela que o nível de ocupação em todos os hotéis de Marabá encontra-se abaixo de 15%, o que inviabiliza qualquer possibilidade de plena operação. “Estamos acumulando mais perdas que ganhos. É um prejuízo brutal”, exprime.

A situação dos restaurantes, na avaliação do empresário, é ainda mais crítica, visto que o decreto estadual determinou o fechamento dos estabelecimentos por tempo indeterminado, ficando permitido o exercício da atividade apenas via delivery. “Ocorre que o delivery não sustenta um restaurante. Viver de delivery não dá. O setor está no vermelho”, penhora Dauro.

Neste sentido, ele pontua que a retomada do funcionamento e do fluxo de clientes será lenta, ao mesmo passo que gradual. “Os hotéis dependem das malhas aérea e rodoviária para a sua subsistência. É necessário que os voos retornem e que as estradas sejam liberadas”, argumenta.

Em Marabá, 70% da ocupação hoteleira é responsável pelo turismo de negócios. Eventos, lazer e praias são responsáveis pelos 30% restantes. “No grosso, nós precisamos do turismo de negócios e que as empresas façam com que seus colaboradores cheguem à nossa região. Os restaurantes são impactados da mesma maneira. Tudo tem que voltar a funcionar”, defende ele.

Hotéis fecharam e reabriram

Dauro explica que alguns hotéis de porte pequeno da cidade fecharam as portas durante a pandemia, mas por alguns dias. Depois, perceberam que os custos continuavam os mesmos e decidiram reabrir. Ele revela que hotéis de porte médio têm cerca de 40 funcionários, cada, e que alguns já demitiram cerca de 50% dos colaboradores. “Os restaurantes variam muito o volume de pessoas, dependendo do tamanho. Mas quem não fechou está demitindo nos próximos meses”, prevê.

O parecer final do empresário é que a reabertura dos restaurantes e o retorno da operação aérea em Marabá devem ser estudados pelo governo. “Nós precisamos que o governador reveja essa situação, que busque a reabertura de acordo com a realidade de cada município. O nosso pessoal está preparado para reabrir, com todas as medidas de prevenção que se fizerem necessárias”, conclui Dauro. (Da Redação e Ulisses Pompeu)

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