Correio de Carajás

Com quase mil participantes, 12º Festival da Castanha fomenta turismo e fortalece identidade indígena

Evento na Terra Indígena Mãe Maria reúne mil participantes para valorizar tradições, impulsionar a bioeconomia e desconstruir estereótipos sobre os povos originários.

Grupo de indígenas com lanças e bastões em frente a um palco de festival cultural.
Fotos: Mídia Gavião
Por: Ana Mangas
✏️ Atualizado em 22/05/2026 14h12

A Aldeia Gavião Kyikatejê, localizada na Terra Indígena Mãe Maria, transformou o local em uma grande celebração da identidade e da bioeconomia amazônica. O 12º Festival da Colheita da Castanha Nova reúne cerca de mil participantes, consolidando o evento como um momento estratégico de valorização cultural, geração de renda e fortalecimento de laços entre diferentes povos.

Nesta edição, a aldeia recebe sete delegações: duas vindas do próprio estado do Pará e cinco de outras regiões do país, como Tocantins, Maranhão e Mato Grosso do Sul.

“O festival é um chamamento para fazer uma imersão na comunidade indígena, trocando essa interculturalidade com o povo não indígena para conhecer nossa realidade. Queremos trazer a população não indígena para desconstruir o estereótipo que sabem sobre nós”, afirma Concita Sompré, uma das lideranças do povo Gavião e organizadoras do evento.

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A programação, que se estende até o próximo dia 23, conta com uma intensa agenda diária na arena principal, englobando desfiles, apresentações culturais, pinturas corporais, shows musicais — uma novidade desta edição — e competições esportivas tradicionais.

Foto: Mídia Gavião

O festival também alcançou forte adesão institucional. Neste sábado, o evento espera receber cerca de 500 estudantes de escolas do município de Marabá, aproximando a juventude urbana da realidade dos povos originários.

De acordo com Concita, a comercialização de comidas e peças de artesanato tem movimentado a economia local, garantindo sustentabilidade financeira para as famílias da comunidade.

Para as delegações visitantes, o festival representa uma rica oportunidade de aprendizado prático e adaptação. É o caso da comitiva do povo Akwẽ, vinda de Tocantínia (TO), que viajou com uma delegação de 51 pessoas — entre anciãos e 40 atletas.

Reginaldo Xerente, secretário dos povos indígenas de Tocantínia, destacou o choque cultural positivo ao lidar com regras e modalidades esportivas diferentes das de seu povo.

“Foi uma novidade para a gente, porque nós temos uma competição totalmente diferente. Lá, por exemplo, não tem a ‘tora empenada’. Usamos a tora grande, que é maior que a tora normal daqui. O tipo de flecha também muda. É uma experiência que estamos levando para, no próximo ano, virmos mais preparados para as modalidades locais”, ressalta, com espírito esportivo.

Se na arena esportiva o desafio é a adaptação, a exposição do artesanato Xerente conquistou o público. A comitiva levou para o festival peças exclusivas produzidas com o tradicional capim-dourado, matéria-prima nativa colhida anualmente entre julho e setembro na região do Cerrado.

Segundo Reginaldo, a aceitação dos visitantes e turistas surpreendeu positivamente. “As pessoas estão gostando muito do nosso artesanato, já saíram bastantes peças. Hoje fabricamos várias espécies de produtos que mandamos até para o exterior.”

O Festival da Castanha Nova segue até o dia 23, encerrando com o show da aparelhagem Tupinambá.