📅 Publicado em 21/10/2026 11h07
A contagem regressiva para o Festejo Junino de Marabá já movimenta os bastidores de quem respira a dança. Um dos grandes destaques para a temporada de 2027 leva a assinatura de um dos nomes mais respeitados do cenário paraense. Completando três décadas dedicadas à dança, ao ensino e ao movimento junino (marco que ele resume em um comemorativo “trintou”), o produtor cultural, coreógrafo e marcador Claudio Roberto, ou apenas Claudio Yaguara, anunciou seu retorno às arenas de Marabá à frente da quadrilha Arretados da Paixão – que tem o DNA da Explode Coração.

A articulação para essa volta começou logo após o encerramento da temporada junina de 2026, quando Claudio pediu à diretoria que segurasse o lançamento do tema para que pudessem construir um projeto exclusivo. A relação com a Arretados carrega um forte laço afetivo: entre 2018 e 2019, quando a Explode Coração encerrava suas atividades, a então novata quadrilha de bairro prestou homenagens à pioneira, fazendo com que Claudio assumisse o compromisso moral de apoiar o grupo. Agora, o objetivo é retribuir o carinho com um espetáculo que entre para a história e faça os integrantes se sentirem prestigiados.
Mantido sob rigoroso sigilo e guardado a sete chaves — conhecido apenas por dois membros da diretoria e por uma equipe técnica do Maranhão —, o projeto promete uma revolução visual. Segundo Claudio, o planejamento conta com modelagem em 3D e a participação de um carnavalesco com ampla experiência em comissões de frente. O grande diferencial será a integração direta entre os passos da quadrilha e um cenário móvel e automatizado.
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“Os ensaios exigirão precisão absoluta, pois o cenário se movimentará junto com o espetáculo, algo inédito na região. Para garantir essa fluidez, precisamos trabalhar com um limite enxuto de 28 casais na arena, evitando excessos que possam comprometer a dinâmica teatral, que vai ter muito humor”, promete.
O projeto é ambicioso. Além disso, Claudio afirma que tem articulado para resgatar brincantes que haviam se afastado por divergências do meio junino, acenando inclusive com o retorno de veteranos da antiga Explode Coração para uma despedida especial em grande estilo.
Para viabilizar uma estrutura desse porte, Yaguara destaca a evolução financeira e artística de Marabá, impulsionada ao longo dos anos por leis de incentivo (como a Lei Rouanet) e parcerias com grandes empresas. Embora os custos sejam elevados, exigindo a velha e eficiente fórmula de campanhas, rifas e busca por patrocinadores de peso, o coreógrafo reforça que o município se consolidou como referência e polo a ser batido nos concursos estaduais e nacionais.

“Tanto que Marabá, quando vai pra competições com três juninas, por exemplo, os três primeiros lugares são de Marabá. A gente domina na região. Parauapebas e Tucumã também têm tido muito destaque, mas Marabá continua sendo a cidade a ser batida nas juninas. Somos referências, reconhece”.
Essa visão aprimorada sobre os espetáculos apresentados em Marabá pode ser comparada por sua vivência cultural na cidade de Canaã dos Carajás, onde, no período do Concurso Nacional de Quadrilhas, mantém contato direto com coordenadores, compositores e casais de noivos de grandes potências juninas do país. A troca de experiência nos bastidores permitiu absorver novas tendências de musicalidade e estrutura, influenciando diretamente a concepção técnica.
“Nosso principal objetivo é que a Arretados da Paixão supere a si mesma em relação aos anos anteriores, embora o objetivo final permaneça inegociável: buscar o pódio em Marabá e em toda a região”, admite.
O ritmo intenso de trabalho de Claudio Yaguara, contudo, não se restringe ao universo junino. Recentemente, ele celebrou o sucesso estrondoso do Festival de Dança Eva Chaves, consolidado como o maior de sua história. O evento superou a marca de 850 bailarinos inscritos, reuniu 40 companhias de dança de 25 cidades (incluindo estados vizinhos como Tocantins e Maranhão), distribuiu cerca de R$ 40 mil em premiações e arrecadou mais de duas toneladas de alimentos para instituições sociais. Para o produtor, o festival provou que, quando há injeção de investimento e estrutura profissional, a dança local atinge patamares de excelência.

