Cientistas do Reino Unido e da Dinamarca identificaram um mecanismo que ajuda a explicar por que alguns pacientes desenvolvem formas mais graves da doença inflamatória intestinal. A descoberta foi publicada em 10 de junho deste ano no New England Journal of Medicine.
A doença inflamatória intestinal é um grupo de condições crônicas que inclui a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. As duas provocam inflamação persistente no intestino e podem causar dor abdominal, diarreia, sangramentos, perda de peso, cansaço e internações.
Há cerca de 30 anos, pesquisadores já sabiam que uma variante genética chamada HLA-DRB1*01:03 estava associada a maior risco de quadros intestinais graves. O que ainda não estava claro era como essa alteração aumentava o risco da doença.
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O novo estudo mostrou que, em parte dos pacientes, o próprio organismo produz anticorpos capazes de bloquear a IL-10, uma molécula que ajuda a controlar a inflamação.
A IL-10 funciona como um freio do sistema de defesa do corpo. Ela impede que a resposta inflamatória fique exagerada. Quando anticorpos bloqueiam a ação da IL-10, o intestino pode ficar mais vulnerável a inflamações intensas e persistentes.
A pesquisa analisou amostras de sangue de 4.909 pacientes com doença inflamatória intestinal e de 1.006 pessoas sem a condição. Os anticorpos contra a IL-10 foram encontrados em 173 pacientes, o equivalente a 3,5% do grupo com a doença. Nenhuma pessoa do grupo sem a condição apresentou o mesmo achado.
Entre os pacientes com doença inflamatória intestinal, os anticorpos apareceram em cerca de 2,5% dos casos de doença de Crohn e em 4,4% dos casos de retocolite ulcerativa.
Os pesquisadores também observaram que os anticorpos contra a IL-10 estavam fortemente ligados à variante genética HLA-DRB1*01:03. Isso ajuda a explicar uma associação conhecida há décadas, mas que ainda não tinha um mecanismo bem definido.
Apesar da relevância, a descoberta não significa que todos os casos de doença inflamatória intestinal tenham a mesma origem. O estudo identificou uma explicação para um subgrupo de pacientes, não para a doença como um todo.
Ainda assim, o achado pode ajudar, no futuro, a desenvolver exames de sangue para identificar pessoas com essa alteração e orientar tratamentos mais direcionados. Por enquanto, os autores ressaltam que a pesquisa melhora a compreensão da doença e abre caminho para novos estudos.
(Metrópoles)
