Foto: Arquivo Correio

Em 2015, a população de Marabá viu a leishmaniose visceral tomar conta de toda a cidade, chegando ao número de 400 cães contaminados, 19 pessoas infectadas e três mortes em decorrência da doença, tudo isso entre janeiro e agosto daquele ano. Embora os casos tenham diminuído em 2018, como afirmou em entrevista ao CORREIO o coordenador de endemias do Centro de Controle de Zoonoses, José Amadeu Moreira, a doença ainda merece atenção, prevenção e controle no município.

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Para que o combate seja efetivo, a médica veterinária Raquel Ribeiro alerta para os cuidados necessários para evitar a proliferação do mosquito transmissor e a contaminação de cães e seres humanos. “A população tem que se conscientizar de que é necessário limpar o espaço de convívio; locais que tem mato, entulho e lixo acumulado devem ser higienizados. É importante também usar telas para evitar que o mosquito entre em casa”, afirma, lembrando que o inseto se reproduz em áreas sujas, como galinheiros, por exemplo.

Ela explica que a doença é transmitida pelo flebótomo, popularmente conhecido como mosquito-palha, que ao picar o animal acaba transmitindo o protozoário leishmania. “Em relação ao animal, ao cão, hoje existem várias formas de prevenção, como o uso de repelentes que podem ser diários, semanais ou mensais. E tem as coleiras repelentes que podem ter duração de quatro, seis ou até oito meses”, informa, dizendo que a pulverização de inseticida nos logradouros públicos também pode ser uma opção válida.

O parasita, uma vez dentro do organismo, acaba se reproduzindo no interior das células do sistema imunológico. “Os cães não são transmissores da doença, são reservatórios, ou seja, o contato com o cão mesmo que ele esteja contaminado não vai transmitir a leishmaniose. O reservatório é onde o mosquito se multiplica, o inseto pica o cachorro e no organismo dele a leishmania vai proliferar”.

A veterinária acrescenta que além do cachorro, gatos também têm servido de reservatório para a doença, e também animais silvestres como raposas e roedores. “Como eles não transmitem, não adianta mata-los. Porque o mosquito vai acabar transmitindo, já que vai continuar no ambiente”, chama atenção, lembrando que muitas pessoas têm abandonado animais e até os sacrificado, como se eles fossem culpados pelo avanço dessa enfermidade.

TRATAMENTO

Raquel fala também sobre o tratamento da calazar, nome popular da leishmaniose, nos animais, que pode ser uma opção à eutanásia. “Com o diagnóstico precoce o tratamento é efetivo, então não tem razão para matar o animal. Porque o objetivo do tratamento é reduzir as chances de transmissão para o mosquito, a diminuição da quantidade de leishmania no organismo do animal, para que ele não tenha sintomas”, atesta. Segundo ela, neste caso, é preciso que o dono entenda como a doença se manifesta e evolui e também que tenha comprometimento com o tratamento.

COMBATE

Até esta sexta-feira (10), cidades de todo o país realizam a Semana Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose, em cumprimento à Lei 12.604. Na cidade de Marabá, várias ações vêm sendo realizadas durante esses dias, como blitz educativas e arrastões de casa em casa. O primeiro aconteceu no Bairro Araguaia na última-terça (7) e o outro ocorre nesta quinta (9) no Jardim União.     (Nathália Viegas)

SAIBA MAIS

O CORREIO tentou contato com o Departamento de Vigilância em Saúde (SMS) e também com a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Marabá para ter acesso aos dados atualizados sobre a doença no município. No entanto, até o fechamento desta edição, nenhuma resposta foi dada ao Jornal.

 

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