Correio de Carajás

China erradica malária depois de 70 anos de luta contra a doença

Mosquito Anopheles stephensi é vetor da malária — Foto: Jim Gathany/CDC/Reuters

SAÚDE

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

Anúncio foi feito pela Organização Mundial da Saúde

A China erradicou a malária, após 70 anos de luta contra a doença que matou mais de 400 mil pessoas em 2019, a maioria na África, anunciou nesta quarta-feira (noite de terça, 29 no Brasil) a Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Parabenizamos o povo chinês por livrar o país da malária”, declarou o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “A China se une ao número crescente de países que mostram que um mundo livre de malária é um objetivo viável. Esse sucesso, conquistado com tanto esforço, é resultado de décadas de ação focada e contínua”, acrescentou.

O país, com 30 milhões de casos por ano na década de 1940, não registrou nenhum caso endógeno nos últimos quatro anos. Essa doença parasitária é transmitida pelo mosquito Anopheles.

Leia mais:

Os países que se mantiverem por três anos consecutivos sem transmissão local podem se inscrever para a certificação da OMS para validar seu status de nação livre da malária. Eles precisam apresentar evidências muito rigorosas e demonstrar sua capacidade de prevenir a doença no futuro.

A China é o 40º território a obter esta validação da OMS, que tem sede em Genebra. Os últimos foram El Salvador (2021), Argélia, Argentina (2019), Paraguai e Uzbequistão (2018).

A China é o primeiro país da região do Pacífico Ocidental, segundo a nomenclatura da OMS, a receber esse certificado em mais de trinta anos. No momento, apenas três outros conseguiram: Austrália (1981), Singapura (1982) e Brunei (1987).

Em seu relatório mundial de 2020 sobre a malária, publicado em novembro, a organização constatou que os avanços no combate à doença estão estagnados, principalmente nos países africanos, onde são registrados os piores balanços de infecções e mortes.

Principalmente crianças

 

Após um declínio constante desde 2000, quando a doença causava 736 mil mortes, o número de óbitos passou a 411 mil em 2018 e 409 mil em 2019. Mais de 90% deles ocorreram na África e afetaram principalmente crianças (265 mil). Em 2019, houve 229 milhões de casos de malária, nível que não muda há quatro anos.

Pequim começou na década de 1950 a identificar os locais onde a doença se propagava e a combatê-la com tratamentos preventivos, informou a OMS. O país também eliminou as áreas com condições ideais para os mosquitos se reproduzirem e promoveu o uso de inseticidas nas residências.

Em 1967, a China lançou um programa científico para encontrar novos tratamentos, que levou à descoberta, nos anos 1970, da artemisinina, principal medicamento contra a doença, extraído de uma planta.

Na década de 1980, a China foi um dos primeiros países a fazer experiências com mosquiteiros tratadas com inseticida. De acordo com um balanço, em 1988 havia distribuído mais de 2,4 milhões em todo o território.

O número de casos caiu para 117 mil antes do fim da década de 1990, e as mortes foram reduzidas em 95%. Esforços adicionais em 2003 reduziram a cerca de 5 mil casos por ano ao longo de 10 anos.

“A capacidade criativa da China levou o país ao sucesso na luta contra a malária e teve um efeito cascata importante em nível mundial”, destacou Pedro Alonso, diretor do programa global contra a malária na OMS.

Depois de quatro anos sem casos autóctones, Pequim solicitou a certificação em 2020. Especialistas viajaram àquele país em maio, para verificar a ausência de casos e garantir que haja um dispositivo para evitar que eles reapareçam. O risco de casos importados, no entanto, continua sendo uma preocupação, especialmente os procedentes do Laos, Mianmar e Vietnã.

Um protótipo de vacina apresentou eficácia de 77% em testes realizados na África, anunciou em abril a Universidade de Oxford. Ele poderia ser aprovado em dois anos. (Fonte:G1)

Comentários

Mais

Fragmento de arroz não é ‘resto’ e é vendido desde antes do governo Bolsonaro

Fragmento de arroz não é ‘resto’ e é vendido desde antes do governo Bolsonaro

INVESTIGADO POR:    VERIFICADO POR:     Enganoso Os fragmentos de arroz são um subproduto apto para o consumo humano.…
Site omite que pesquisa com vantagem para Bolsonaro foi feita apenas em SC

Site omite que pesquisa com vantagem para Bolsonaro foi feita apenas em SC

INVESTIGADO POR:  VERIFICADO POR: Enganoso Título de artigo compartilhado em grupos bolsonaristas no Facebook omite que uma pesquisa eleitoral que…
É falso que áudio mostre Luana Piovani defendendo Jair Bolsonaro

É falso que áudio mostre Luana Piovani defendendo Jair Bolsonaro

INVESTIGADO POR: VERIFICADO POR: São falsos posts virais no Facebook e no TikTok com áudio em que supostamente a atriz…
Estudo francês em hamsters não prova eficácia da ivermectina contra a covid-19 em humanos

Estudo francês em hamsters não prova eficácia da ivermectina contra a covid-19 em humanos

Enganoso É enganosa a publicação no site Terça Livre que afirma que um estudo francês apontou a eficácia da ivermectina…
A recusa de vacinação contra a covid-19 pode gerar demissão por justa causa

A recusa de vacinação contra a covid-19 pode gerar demissão por justa causa

Esta semana um assunto polêmico ganhou o noticiário nacional: uma pessoa foi demitida por justa causa por se recusar a…
Em dois meses, CCZ realiza mais de 300 testes de detecção

Em dois meses, CCZ realiza mais de 300 testes de detecção

Do final de maio até o mês de julho, 314 animais foram testados contra a leishmaniose. O médico veterinário Flávio…