Correio de Carajás

Centro especializado promove inclusão de cegos e baixa visão

 

Setembro é o mês oficial da luta pela inclusão da pessoa com deficiência. A iniciativa tem como objetivo gerar visibilidade à causa e promover ações em prol das pessoas com deficiência. Neste mês, dia 21, comemora-se o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, e é também o início da Primavera, sinal de um novo tempo.

Em Marabá, há 13 anos, o Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAP), localizado em frente à Justiça Federal, na Agrópolis do Incra, luta para iluminar o caminho de dezenas de cegos e pessoas com baixa visão. A instituição é coordenada pela SEMED (Secretaria Municipal de Educação) e, atualmente, recebe cerca de 90 alunos que são atendidos por uma equipe técnica especializada.

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Josiane Soares Martins, coordenadora do CAP (Centro de Atendimento Educacional Especializado para Deficientes Visuais) Ignácio Baptista Moura, explica que a unidade está vinculada à Diretoria de Ensino e ao Departamento de Educação Especial da Semed e ainda registrado junto ao Ministério da Educação (MEC) como escola para cegos.

Embora pertença à rede municipal, o CAP atende alunos do ensino médio (responsabilidade do Estado), do ensino superior (Unifesspa e Uepa) e também da comunidade em geral.

A equipe técnica conta com 13 profissionais capacitados para trabalhar com os cegos e baixa visão e o centro dispõe de vários equipamentos tecnológicos para ajudar no processo ensino-aprendizagem, entre os quais oito computadores, seis impressoras Braille, três scanners de mesa, um scanner de voz, seis máquinas Braille Perkins, quatro softwares pedagógicos para deficiente visual e dois kits de desenho especializados.

Josiane Martins observa que o principal foco do CAP são os alunos da rede municipal, que estão inseridos no ensino regular e que no horário inverso participam de atividades específicas, com aprendizagem de Braille, sorobã, e orientação e mobilidade (OM), atividade de vida diária e adaptação de material em áudio, entre outras.

Além disso, a novidade é a estimulação precoce, contando com quatro alunos com idade de um a dois anos de idade. Eles recebem ajuda de fisioterapeuta com a parte motora e um professor especializado que promove estímulos pedagógicos e psicológicos. A equipe de pedagogos faz atendimento para alfabetização em Braille, um processo cuidadoso que já alcançou excelentes resultados.

Dois professores atuam no Departamento de Tecnologia do Centro Especializado. Um para estimular os alunos cegos e de baixa visão a utilizarem o computador com o aplicativo DOSVOX, de acessibilidade assistida para deficientes visuais que funciona como leitor de tela. Outro professor trabalha com material didático, adaptando os livros que são enviados pelas escolas para o Braille.

Atividades físicas

O Centro de Apoio Pedagógico oferece também atividades esportivas, como natação, com parcerias com o Colégio Alvorada, Assera e APAE, que disponibilizam suas piscinas para atividades. Eles também praticam Golbol, uma espécie de futebol adaptado para deficientes visuais.

Semelhante a uma escola tradicional, os alunos do CAP recebem merenda escolar diariamente e o próprio deslocamento interno é um exercício para eles trafegarem de forma independente pela cidade. No centro há uma sala de produção de material em braile, sala de apoio didático e pedagógico, sala de tecnologia educacional e assistiva, sala de leitura e brinquedoteca.

O sonho de Josué

A baixa visão de Josué Oliveira da Silva, de 11 anos de idade, chega ao grau 5,75. Mas quem conversa com ele encontra um menino que está sempre com a autoestima elevada.  Ele reside na Folha 6, Nova Marabá, e diz que vai ao Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual três vezes por semana para aprender a ler em Braille.

No dia a dia, estuda a quarta série do Fundamental na Escola Albertina Moreira, na Folha 7 e se orgulha em ser o secretário da turma. Confessa que gosta de assistir novela e desenhos de ação, mas garante que isso não interfere em sua educação.

Questionado sobre o que mais gosta de fazer, ele tem a resposta na ponta da língua e sua informação é confirmada pela professora: produção de texto. No momento da entrevista, ele estava estudando sobre fábula, texto informativo, bilhete, conto de fadas e discorreu sobre a característica de cada um.

Como Josué, outros meninos e meninas entram no CAP e parece não querer sair. São bem recebidos e tratados no local e as atividades que praticam ali são desafiadoras e contribuem para a inclusão social. (Ulisses Pompeu)

 

 

CAP produz cardápios em

Braile para restaurantes

Diante de uma demanda da Promotoria dos Deficientes, o Centro de Apoio Pedagógico Ignácio Batista Moura passou a produzir cardápios em Braille para restaurantes e lanchonetes de Marabá com preços compatíveis ao mercado nacional.

A necessidade de que bares e restaurantes tenham à disposição cardápios nesta linguagem surgiu da lei estadual nº6.922/2006, que obriga estabelecimentos a colocarem à disposição dos fregueses deficientes visuais os cardápios em braile.

A lei entrou em vigor em 23 de novembro de 2006. No entanto, e o CAP ficou responsável por produzir os cardápios na linguagem específica para os cegos e pessoas de baixa visão, com as despesas de impressão custeadas pelos proprietários dos estabelecimentos. Até agora, apenas 13 empresas enviaram seus cardápios em português para confecção de um novo em Braille.

Segundo a promotora Lilian Viana Freire, é necessário garantir o acesso das pessoas com deficiência visual aos cardápios em braile. “É importante considerar que a Lei Estadual 6.922 de 2006 obriga os bares, restaurantes, lanchonetes, hotéis e motéis a disponibilizarem às pessoas com deficiência visual cardápios em braile. O Centro de Apoio Pedagógico para Deficientes Visuais (CAP) se disponibilizou a confeccionar cardápios em braile em valores compatíveis ao mercado nacional.

Por outro lado, a coordenadora Josiane explica que todo o material do CAP é fornecido pela Semed, embora haja outros parceiros que fornecem equipamentos especializados. “Recentemente ganhamos uma impressora Braille que custa no mercado cerca de R$ 28.000,00”, comemora ela.

 

 

Patrono do centro era

cego e ajudou Marabá

Josiane Martins, coordenadora do Centro de Apoio Pedagógico para Deficientes Visuais, revela que para a identificação da instituição foi sugerido o nome de Ignácio Baptista Moura, considerado um grande herói da Guerra do Paraguai, engenheiro civil, advogado e jornalista. Foi deputado provincial do Pará em 1883, participou junto a Carlos Leitão da fundação do município de Marabá.

A partir de 1892, começou a apresentar falhas na visão, ainda assim tornou-se professor catedrático do antigo Liceu Paraense. Com a perda total da visão, perdeu sua cadeira no Liceu em 1915, porém não deixou se abater, continuando a frente de todos os grandes ideais desta terra.

Foi ele um dos primeiros a praticar a escrita Braille no Pará. Ignácio Moura faleceu em Belém, no dia 25 de fevereiro de 1929.

“A partir da vivência de luta desse personagem de destaque da história marabaense, nossa perspectiva é que esse Centro contribua com o desenvolvimento qualitativo da educação inclusiva da pessoa cega e com baixa visão no sistema escolar e social”, diz Josiane. (Ulisses Pompeu)

 

 

Setembro é o mês oficial da luta pela inclusão da pessoa com deficiência. A iniciativa tem como objetivo gerar visibilidade à causa e promover ações em prol das pessoas com deficiência. Neste mês, dia 21, comemora-se o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, e é também o início da Primavera, sinal de um novo tempo.

Em Marabá, há 13 anos, o Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAP), localizado em frente à Justiça Federal, na Agrópolis do Incra, luta para iluminar o caminho de dezenas de cegos e pessoas com baixa visão. A instituição é coordenada pela SEMED (Secretaria Municipal de Educação) e, atualmente, recebe cerca de 90 alunos que são atendidos por uma equipe técnica especializada.

Josiane Soares Martins, coordenadora do CAP (Centro de Atendimento Educacional Especializado para Deficientes Visuais) Ignácio Baptista Moura, explica que a unidade está vinculada à Diretoria de Ensino e ao Departamento de Educação Especial da Semed e ainda registrado junto ao Ministério da Educação (MEC) como escola para cegos.

Embora pertença à rede municipal, o CAP atende alunos do ensino médio (responsabilidade do Estado), do ensino superior (Unifesspa e Uepa) e também da comunidade em geral.

A equipe técnica conta com 13 profissionais capacitados para trabalhar com os cegos e baixa visão e o centro dispõe de vários equipamentos tecnológicos para ajudar no processo ensino-aprendizagem, entre os quais oito computadores, seis impressoras Braille, três scanners de mesa, um scanner de voz, seis máquinas Braille Perkins, quatro softwares pedagógicos para deficiente visual e dois kits de desenho especializados.

Josiane Martins observa que o principal foco do CAP são os alunos da rede municipal, que estão inseridos no ensino regular e que no horário inverso participam de atividades específicas, com aprendizagem de Braille, sorobã, e orientação e mobilidade (OM), atividade de vida diária e adaptação de material em áudio, entre outras.

Além disso, a novidade é a estimulação precoce, contando com quatro alunos com idade de um a dois anos de idade. Eles recebem ajuda de fisioterapeuta com a parte motora e um professor especializado que promove estímulos pedagógicos e psicológicos. A equipe de pedagogos faz atendimento para alfabetização em Braille, um processo cuidadoso que já alcançou excelentes resultados.

Dois professores atuam no Departamento de Tecnologia do Centro Especializado. Um para estimular os alunos cegos e de baixa visão a utilizarem o computador com o aplicativo DOSVOX, de acessibilidade assistida para deficientes visuais que funciona como leitor de tela. Outro professor trabalha com material didático, adaptando os livros que são enviados pelas escolas para o Braille.

Atividades físicas

O Centro de Apoio Pedagógico oferece também atividades esportivas, como natação, com parcerias com o Colégio Alvorada, Assera e APAE, que disponibilizam suas piscinas para atividades. Eles também praticam Golbol, uma espécie de futebol adaptado para deficientes visuais.

Semelhante a uma escola tradicional, os alunos do CAP recebem merenda escolar diariamente e o próprio deslocamento interno é um exercício para eles trafegarem de forma independente pela cidade. No centro há uma sala de produção de material em braile, sala de apoio didático e pedagógico, sala de tecnologia educacional e assistiva, sala de leitura e brinquedoteca.

O sonho de Josué

A baixa visão de Josué Oliveira da Silva, de 11 anos de idade, chega ao grau 5,75. Mas quem conversa com ele encontra um menino que está sempre com a autoestima elevada.  Ele reside na Folha 6, Nova Marabá, e diz que vai ao Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual três vezes por semana para aprender a ler em Braille.

No dia a dia, estuda a quarta série do Fundamental na Escola Albertina Moreira, na Folha 7 e se orgulha em ser o secretário da turma. Confessa que gosta de assistir novela e desenhos de ação, mas garante que isso não interfere em sua educação.

Questionado sobre o que mais gosta de fazer, ele tem a resposta na ponta da língua e sua informação é confirmada pela professora: produção de texto. No momento da entrevista, ele estava estudando sobre fábula, texto informativo, bilhete, conto de fadas e discorreu sobre a característica de cada um.

Como Josué, outros meninos e meninas entram no CAP e parece não querer sair. São bem recebidos e tratados no local e as atividades que praticam ali são desafiadoras e contribuem para a inclusão social. (Ulisses Pompeu)

 

 

CAP produz cardápios em

Braile para restaurantes

Diante de uma demanda da Promotoria dos Deficientes, o Centro de Apoio Pedagógico Ignácio Batista Moura passou a produzir cardápios em Braille para restaurantes e lanchonetes de Marabá com preços compatíveis ao mercado nacional.

A necessidade de que bares e restaurantes tenham à disposição cardápios nesta linguagem surgiu da lei estadual nº6.922/2006, que obriga estabelecimentos a colocarem à disposição dos fregueses deficientes visuais os cardápios em braile.

A lei entrou em vigor em 23 de novembro de 2006. No entanto, e o CAP ficou responsável por produzir os cardápios na linguagem específica para os cegos e pessoas de baixa visão, com as despesas de impressão custeadas pelos proprietários dos estabelecimentos. Até agora, apenas 13 empresas enviaram seus cardápios em português para confecção de um novo em Braille.

Segundo a promotora Lilian Viana Freire, é necessário garantir o acesso das pessoas com deficiência visual aos cardápios em braile. “É importante considerar que a Lei Estadual 6.922 de 2006 obriga os bares, restaurantes, lanchonetes, hotéis e motéis a disponibilizarem às pessoas com deficiência visual cardápios em braile. O Centro de Apoio Pedagógico para Deficientes Visuais (CAP) se disponibilizou a confeccionar cardápios em braile em valores compatíveis ao mercado nacional.

Por outro lado, a coordenadora Josiane explica que todo o material do CAP é fornecido pela Semed, embora haja outros parceiros que fornecem equipamentos especializados. “Recentemente ganhamos uma impressora Braille que custa no mercado cerca de R$ 28.000,00”, comemora ela.

 

 

Patrono do centro era

cego e ajudou Marabá

Josiane Martins, coordenadora do Centro de Apoio Pedagógico para Deficientes Visuais, revela que para a identificação da instituição foi sugerido o nome de Ignácio Baptista Moura, considerado um grande herói da Guerra do Paraguai, engenheiro civil, advogado e jornalista. Foi deputado provincial do Pará em 1883, participou junto a Carlos Leitão da fundação do município de Marabá.

A partir de 1892, começou a apresentar falhas na visão, ainda assim tornou-se professor catedrático do antigo Liceu Paraense. Com a perda total da visão, perdeu sua cadeira no Liceu em 1915, porém não deixou se abater, continuando a frente de todos os grandes ideais desta terra.

Foi ele um dos primeiros a praticar a escrita Braille no Pará. Ignácio Moura faleceu em Belém, no dia 25 de fevereiro de 1929.

“A partir da vivência de luta desse personagem de destaque da história marabaense, nossa perspectiva é que esse Centro contribua com o desenvolvimento qualitativo da educação inclusiva da pessoa cega e com baixa visão no sistema escolar e social”, diz Josiane. (Ulisses Pompeu)

 

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