O livro Castanheiras do Asfalto, do jornalista e escritor Ulisses Pompeu, encerrou nesta sexta-feira (25) uma série de ações de lançamento realizadas em instituições de ensino de Marabá. A última atividade aconteceu no Campus Rural do Instituto Federal do Pará (IFPA), onde mais de 100 estudantes e educadores participaram de uma palestra sobre a história dos castanhais e a presença das castanheiras na paisagem urbana do município.
O lançamento oficial da obra ocorreu em 16 de junho e, desde então, Ulisses Pompeu percorreu escolas públicas, particulares e universidades para compartilhar os resultados de sua pesquisa. As atividades foram realizadas em formato de palestra, com foco em educação ambiental, história regional e preservação das castanheiras.
Segundo o autor, ao todo, foram 14 ações de lançamento, realizadas em 12 instituições, alcançando mais de 900 pessoas, entre estudantes e educadores.
Leia mais:Na noite de quinta-feira (24), a atividade havia sido realizada na Universidade do Estado do Pará (UEPA), durante a Semana Acadêmica. Alunos e professores participaram da programação e receberam exemplares gratuitos do livro.

“É muito satisfatório estar na academia, com alunos e professores dos cursos de Engenharia Ambiental e Engenharia Florestal, por exemplo, que têm amplo conhecimento sobre madeiras como a castanheira”, afirmou Ulisses.

No Campus Rural do IFPA, o encontro aconteceu no Barracão das Castanheiras e reuniu mais de 100 alunos e educadores. A relação dos estudantes com o tema era ainda mais próxima, já que grande parte deles é formada por filhos de pequenos produtores e possui familiaridade com a castanheira e com a coleta e utilização de seus frutos.

Essa experiência apareceu durante a atividade, quando os estudantes participaram das discussões, fizeram perguntas e apresentaram reflexões no início e no final da programação.
A diretora-geral do Campus Rural, Maria Suely Ferreira Gomes, agradeceu a presença de Ulisses Pompeu e a disposição do autor em compartilhar com os estudantes a experiência acumulada durante a pesquisa sobre as castanheiras.

Ela também destacou a missão do IFPA Rural de formar jovens para que possam permanecer e trabalhar nas propriedades de suas famílias, além da história do próprio local, que tem relação direta com a presença das castanheiras.
“Temos uma história de luta permanente nesta região. Estamos localizados na antiga Fazenda Cabaceira e temos aqui um bosque e um castanhal plantados na década de 1970. Naquela época, os fazendeiros derrubavam e depois plantavam e agora as árvores estão adultas e formam uma bela paisagem. Por isso, digo que estamos num espaço sagrado”, explicou Maria Suely.

História dos castanhais
Durante a palestra, Ulisses Pompeu apresentou aos estudantes um pouco da história dos castanhais de Marabá entre as décadas de 1920 e 1970, período em que a extração e a comercialização da castanha-do-pará tiveram papel central na economia do município.
O autor também contou como realizou o levantamento das castanheiras existentes na área urbana de Marabá. Ao longo de uma pesquisa que se estendeu por dez anos, ele mapeou 137 árvores e acompanhou as transformações provocadas pelo crescimento da cidade sobre esses exemplares.
A conversa também avançou para questões sociais relacionadas ao antigo ciclo da castanha. Os estudantes fizeram perguntas sobre a relação entre trabalhadores e patrões durante o período de maior exploração dos castanhais e sobre as consequências desse modelo para as gerações seguintes que permaneceram no campo.
Entre os temas levantados estiveram os conflitos fundiários que marcaram a região e a forma como relações de poder construídas durante o período dos castanhais continuaram influenciando a vida de famílias que viveram e ainda vivem no meio rural.
Com a atividade no Campus Rural do IFPA, a série de lançamentos do Castanheiras do Asfalto nas instituições de ensino chega ao fim com uma proposta que ultrapassou a apresentação de um livro: levar para dentro das salas de aula e espaços acadêmicos a história de uma árvore que ajudou a construir a economia de Marabá e que ainda permanece como parte da paisagem e da memória da cidade.
