Correio de Carajás

Caso Gael é tratado como violência contra a mãe da criança; pai segue sendo procurado

Edivaldo teria sumido com o próprio filho motivado por ciúmes da ex-companheira / Foto: Divulgação
Por: Kauã Fhillipe e Evangelista Rocha

Mesmo após a devolução do menino Gael Rodrigues, de 5 anos, à família, a Polícia Civil em Marabá afirma que o caso não está encerrado. O pai da criança, Edivaldo Rodrigues da Silva Junior, continua foragido e segue sendo procurado pelas autoridades, que tratam o episódio não apenas como o desaparecimento de uma criança, mas também como uma forma de violência psicológica contra a mãe do menino.

Em coletiva realizada na manhã desta segunda-feira (22), o superintendente de Polícia Civil, delegado Antônio Mororó, detalhou como a força policial conduziu as investigações desde o desaparecimento de Gael, registrado no dia 4 de junho.

Segundo Mororó, as diligências começaram logo após a denúncia e rapidamente apontaram que o desaparecimento da criança estava relacionado a uma ação deliberada do pai, motivada por vingança contra a ex-companheira. Conforme a investigação, Edivaldo teria decidido levar o filho após descobrir que a mãe da criança havia iniciado um novo relacionamento.

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“A Polícia Civil, o Ministério Público e também o Poder Judiciário entendem que ele arrebatou a criança como forma de violência contra a mulher”, afirmou o delegado, acrescentando que o homem ”estava violentando essa mulher psicologicamente, usando a criança como instrumento para atingi-la”.

Mororó afirma que Edivaldo devolveu o filho por questões estratégicas/ Foto: Evangelista Rocha

De acordo com a polícia, em posse do filho, Edivaldo permaneceu incomunicável por vários dias. Durante o período, desativou contatos telefônicos e dificultou rastreamento, o que reforçou a suspeita de que agia de forma planejada para evitar localização.

Com o avanço das investigações, a Justiça expediu mandado de prisão preventiva contra o suspeito e, a partir disso, a Polícia Civil organizou uma operação para capturá-lo em Aparecida de Goiânia, onde ele estaria escondido.

A operação contou com uma logística considerada estratégica pela Polícia Civil. A própria mãe de Gael acompanhou a equipe em uma viatura descaracterizada. Segundo Mororó, essa decisão foi tomada para evitar nova revitimização da criança. “Tudo foi pensado para que, no momento da prisão, a criança fosse imediatamente entregue à mãe”, explica.

Entretanto, ao tomar conhecimento da ordem judicial e da movimentação policial, Edivaldo recuou. Em vez de aguardar a abordagem, optou por devolver Gael por meio de seu advogado na Superintendência Regional da Polícia Civil, em Marabá. Para o delegado, a devolução não ocorreu por arrependimento, mas sim por estratégia ao perceber que seria preso.

Mesmo com a criança em segurança, a Polícia Civil afirma que as buscas continuam. O mandado de prisão segue em vigor e novas diligências devem ser retomadas para localizar o suspeito. As autoridades também investigam se familiares ou pessoas próximas estão ajudando Edivaldo a permanecer escondido. Caso seja comprovado auxílio para evitar a prisão, os envolvidos poderão responder por favorecimento pessoal.

Para a Polícia Civil, o caso evidencia uma forma grave de violência doméstica em que crianças podem ser usadas como ferramenta de manipulação emocional. A investigação segue em andamento.