Correio de Carajás

Caso Gabriel Pimenta leva Brasil ao banco dos réus

Gabriel Pimenta lutava pelas causas populares e, por isso, foi morto/ Fotos: Divulgação
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A Comissão Interamericana apresentou à Corte Interamericana o caso do defensor de direitos humanos o advogado popular Gabriel Sales Pimenta contra o Estado brasileiro pela situação de impunidade na qual se encontram os fatos relacionados à sua morte no Pará em 1982.

Em um país onde a cada dia mais pessoas defensoras de direitos humanos, principalmente aquelas que lutam pelo à terra e ao meio ambiente, são ameaçadas e assassinadas, é importante exigir do Estado medidas de proteção, justiça e reparação para mudar essa realidade.

Os dados sobre violência contra defensores/as de direitos humanos no Brasil são alarmantes. A CPT registrou em 2019 o maior número de conflitos no campo registrado nos últimos 14 anos, uma média de 5 conflitos a cada dia, 96% deles envolveram alguma forma de violência provocada por proprietário ou grileiros.

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De acordo com o relatório da ONG Global Witness “Defendendo o Amanhã: A Crise Climática e as Ameaças às Pessoas Defensoras da Terra e do Meio Ambiente”, publicado em 2020, o ano anterior foi o maior em número de assassinatos, desaparecimentos forçados e ameaças de pessoas que defendem a terra e o meio ambiente.

Assassinato do advogado Gabriel Pimenta é uma ferida aberta há quase 40 anos

O Centro Pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) apresentaram, em 2006, o caso do assassinato do advogado defensor de direitos humanos Gabriel Sales Pimenta à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Gabriel Pimenta exerceu um papel fundamental na representação de trabalhadores rurais em Marabá, no estado do Pará. Ele foi advogado popular do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Marabá e defensor na região de Pau Seco em ações judiciais contra os latifundiários.

Nos meses que antecederam seu assassinato, Gabriel recebeu diversas ameaças em decorrência do papel que cumpria na defesa de camponeses em luta pela terra, tendo solicitado a proteção do Estado ao denunciar as ameaças recebidas às autoridades de Belém, capital do estado do Pará, onde foi pessoalmente pedir ajuda em três ocasiões. A ajuda nunca chegou e no dia 18 de julho de 1982, o defensor foi fatalmente baleado com disparos à queima-roupa, em plena via pública.

Em reconhecimento à inércia do Estado brasileiro em implementar as recomendações emitidas, a CIDH apresentou, no último dia 4, o caso perante a Corte IDH. Consideramos que a análise do caso Gabriel Pimenta pela Corte IDH é uma grande oportunidade para se reforçar as obrigações internacionais do Estado brasileiro em prevenir violações contra defensores/as de direitos humanos e proteger o direito à vida e a integridade pessoal para que os defensores/as exerçam livremente suas atividades sem sofrer atentados, ameaças ou represálias.

O caso reflete o cenário atual de grave situação de violência no campo no Brasil, que já perdura décadas. Esse padrão de graves violações de direitos humanos no campo é decorrente da disputa pelos recursos naturais e pela desigualdade no acesso à terra.

Atuando no caso desde o começo, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) comemorou a apresentação do caso à Corte IDH. “Esperamos que a decisão do Tribunal reconheça a responsabilidade internacional do Estado brasileiro e estabeleça estandartes para o desenvolvimento políticas de proteção e garantia para o livre exercício do direito a defender direitos no Brasil”, diz a CPT. (Fonte: Open Democracy)

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