📅 Publicado em 28/01/2026 08h23
Uma reviravolta marcou o caso do desaparecimento da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, em Caldas Novas, no sul de Goiás. Nesta quarta-feira (28), o síndico do condomínio onde ela morava, Cléber Rosa de Oliveira, e seu filho, Maykon Douglas de Oliveira, foram presos pela Polícia Civil. A prisão ocorreu após a localização do corpo da corretora, que estava em estado de ossada, pondo fim a mais de um mês de buscas e incertezas.
De acordo com o delegado Pedromar Augusto de Souza, responsável pelo caso, as prisões estão relacionadas à investigação de um crime de homicídio. Além do síndico e de seu filho, um porteiro do prédio também foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos. Em uma conversa preliminar com a polícia, o síndico teria admitido uma discussão com a corretora no subsolo do prédio no dia do desaparecimento, alegando ter agido sozinho.
O mistério começou na noite de 17 de dezembro de 2025. Daiane, natural de Uberlândia (MG) e moradora de Caldas Novas há dois anos, administrava apartamentos da família no condomínio. Naquela noite, ela enfrentava mais um dos frequentes e, segundo a família, propositais cortes de energia em seu apartamento. A situação a levou a gravar um vídeo, que foi enviado a uma amiga, como forma de documentar o problema.
Leia mais:As imagens registradas pelo celular de Daiane mostram ela no corredor, verificando o quadro de luz, e depois entrando no elevador às 18h57. Dentro da cabine, ela conversa com um vizinho e explica que está indo ao subsolo para tentar restabelecer a energia, afirmando que suas contas estavam em dia e que suspeitava que alguém estivesse “brincando de desligar” o disjuntor. As câmeras do elevador a mostram descendo, retornando brevemente à recepção e, em seguida, descendo definitivamente para o subsolo às 18h58. Desde então, ela não foi mais vista.
A relação entre Daiane e o síndico Cléber já era marcada por conflitos. O Ministério Público de Goiás havia denunciado o síndico pelo crime de perseguição (stalking), com o agravante de abuso de função. Segundo a denúncia, Cléber usava sua posição para vigiar a rotina da corretora por meio das câmeras do condomínio e criar obstáculos em seu dia a dia, incluindo a interferência no fornecimento de serviços essenciais como água, gás e internet nos apartamentos que ela administrava. Ao todo, 12 processos judiciais envolviam os nomes de Daiane e Cléber.
A investigação ganhou um novo fôlego na última semana, quando a Polícia Civil apreendeu o gravador de imagens (DVR) do sistema de segurança do prédio para perícia. O objetivo era verificar se houve adulteração nas gravações ou se existiam imagens do subsolo que não haviam sido entregues. Os objetos pessoais da corretora também foram recolhidos em seu apartamento.
