Antes do jantar do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com correspondentes, a Casa Branca cogitou nomear um “sobrevivente designado” — uma pessoa que assumiria a presidência dos EUA caso toda a cúpula do governo morra.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta segunda-feira (27) que o governo Trump discutiu sobre essa possibilidade, mas acabou descartando apontar quem seria o sobrevivente designado — uma figura criada que assume o poder caso uma catástrofe ocorra.
Na entrevista, Leavitt também confirmou que o governo Trump se reunirá para discutir o aumento á proteção e segurança de Trump. Ela disse que a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, convocará uma reunião com autoridades do Departamento de Segurança Interna, do Serviço Secreto dos EUA e da equipe de operações da Casa Branca para “garantir a segurança e a proteção do presidente”.
Sobrevivente designado
O sobrevivente designado uma figura criada na Guerra Fria que assume nada menos que a presidência da maior potência mundial em caso de uma hecatombe ou um atentado terrorista que matasse todas as autoridades.
Nos EUA, a linha de sucessão presidencial se estende por uma série de mais de uma dezena de nomes. A tradição de se escolher um sobrevivente designado teve início nos anos 1950 e remonta à Guerra Fria entre Estados Unidos e a então União Soviética.
Em caso de morte ou impedimento do presidente, quem assume é o vice-presidente – nos EUA, o vice também exerce o cargo de presidente do Senado, apesar de não ser um senador.
O número dois da linha sucessória é o Presidente da Câmara dos Deputados, seguido pelo presidente “pro tempore” do Senado (um senador escolhido pela Casa que assume a liderança desta em caso de ausência do vice-presidente).
Em seguida, vêm os secretários do Executivo: primeiro o secretário de Estado, seguido pelo do Tesouro, da Defesa, Advogado-Geral, do Interior etc.
A identidade do sobrevivente designado só foi tornada pública a partir dos anos 1980. Desde então, o ranking mais alto a ser escolhido para a função foi o Advogado-Geral, sétimo na linha sucessória.
Tiros no jantar dos correspondentes
Veja o que ocorreu e tudo o se sabe até agora sobre o episódio:
- Na noite de sábado, Donald Trump participava de um jantar em um hotel em Washington com os jornalistas correspondentes de meios estrangeiros que são credenciados na Casa Branca. O evento, anual, é um o encontro mais tradicional entre o presidente dos EUA e esses jornalistas, e seria o primeiro da atual gestão de Trump;
- No começo do evento, sons de tiros foram ouvidos do salão. Cinegrafistas que registravam o evento capturaram o barulho dos disparos;
- Agentes de segurança então entraram rapidamente no local e retiraram Trump, a primeira-dama, Melania Trump, e o vice-presidente, JD Vance, que estavam em uma mesa em um palco do salão. Outras autoridades do alto escalão, como os secretários de Estado e de Guerra e o diretor do FBI, também foram retirados;
- Os jornalistas foram mantidos no local para checagens de segurança — uma equipe da TV Globo também participava do jantar;
- A polícia local então informou que o suspeito dos disparos tentou invadir o salão, mas foi interceptado por agentes do Serviço Secreto. Depois, o próprio Trump divulgou, em sua rede social Truth Social, um vídeo em que um homem consegue furar um bloqueio de agentes de segurança;
- O atirador chegou a disparar contra um dos agentes, mas o tiro atingiu o colete à prova de balas do oficial, que passa bem, segundo o Serviço Secreto. Ninguém mais foi ferido.
- A imprensa que estava no local, incluindo a da TV Globo, relatou que o esquema de segurança e revista para a entrada no jantar não foram rigorosos, mesmo com a cúpula do governo Trump presente. A equipe da TV Globo que foi ao evento afirmou ter passado por apenas uma checagem de segurança;
- O suspeito foi identificado como Cole Tomas Allen, 31 anos, um cidadão dos Estados Unidos nascido na cidade de Torrance, na Califórnia. Allen, segundo as autoridades, é engenheiro mecânico, desenvolvedor de jogos e ex-professor particular.
- Antes do crime, ele escreveu uma carta com críticas a Trump, e a principal suspeita da polícia é de que o atirador alvejava o presidente dos EUA. Ele portava uma espingarda, uma pistola e facas, também segundo as investigações.
- A polícia também descobriu que Allen estava hospedado no próprio hotel do evento. Ele foi preso e, nesta segunda, passará pela primeira audiência.
- Trump também disse que, aparentemente, o atirador agiu sozinho, como um “lobo solitário”. A polícia local confirmou a informação. Ainda não se sabe a motivação para o ataque;
- O presidente dos EUA também usou o episódio para voltar a defender seu projeto para a construção de um salão de festas “ultrassecreto” dentro da Casa Branca, que tem recebido críticas pelo custo, estimado em cerca de R$ 2 bilhões. O jantar dos correspondentes com Trump sempre acontece no hotel de Washington onde ocorreu o episódio de sábado.
- O jantar foi adiado e ocorrerá dentro de 30 dias, segundo o presidente norte-americano.
(Fonte:G1)

