Os casos de câncer colorretal estão mais comuns entre adolescentes e jovens estão, mesmo em pacientes sem histórico familiar conhecido da doença.
Isso é o que apontam dados apresentados durante a Conferência Nacional da Academia Americana de Pediatria de 2026, no início de outubro.
➡️A pesquisa analisou prontuários médicos de 84 pacientes com 21 anos ou menos que foram diagnosticados com câncer colorretal entre 2012 e 2023.
Leia mais:Os resultados mostraram que apenas 20% dos casos diagnosticados tinham histórico familiar de primeiro ou segundo grau de câncer colorretal, mas a maioria dos pacientes apresentou formas agressivas da doença, nos estágios III ou IV – que indicam um câncer localmente avançado ou com metástase.
Segundo Erica Arnold, médica, pesquisadora em oncologia cirúrgica pediátrica no Nationwide Children’s Hospital e coautora do estudo, mais da metade dos pacientes tinha menos de 18 anos no momento do diagnóstico.
“Com o aumento das taxas de câncer colorretal, inclusive entre adolescentes e adultos jovens sem histórico familiar, esse diagnóstico deve ser considerado em pacientes que apresentam sintomas característicos da doença”, analisa Arnold, em entrevista ao g1.
Os pesquisadores destacam que o levantamento é mais uma evidência que reforça a preocupação dos especialistas com o aumento das taxas desse tipo de câncer em pessoas jovens.
Além disso, eles analisaram que os atrasos no diagnóstico, somados ao comportamento agressivo dos tumores, podem levar a desfechos negativos com relação à doença.
👉Mais de um terço dos pacientes estudados desenvolveram recidiva da doença e quase metade morreu em decorrência do diagnóstico.
Atenção aos sintomas
O estudo também serve de alerta para que pacientes e médicos passem a considerar determinados sintomas como possíveis evidências de um quadro de câncer colorretal.
De acordo com Arnold, os sinais mais comuns da doença em jovens, observados na pesquisa, foram:
- Dor nas costas e dor abdominal
- Alteração nos hábitos intestinais
- Perda de peso
- Sangramento retal
Ainda que todos esses sintomas sejam associados ao câncer colorretal em adultos, muitas vezes eles não são relacionados à doença em adolescentes e jovens por ainda ser um quadro relativamente raro nessa faixa etária.
“Isso pode ter contribuído para o tempo médio de 3 meses entre o início dos sintomas e o diagnóstico”, analisa a pesquisadora.
Com o crescimento dos casos, Arnold ressalta que a combinação desses sinais deve servir de alerta e pode indicar a necessidade de exames preventivos, como a colonoscopia, para a identificação da doença o mais cedo possível.
Diagnóstico tardio e a gravidade dos casos
Por se tratarem de sintomas comuns e que não necessariamente são associados a um quadro de câncer em adolescentes e jovens, a tendência é que haja uma demora mais significativa no diagnóstico, o que pode agravar o caso.
Erica Arnold comenta que os pesquisadores não são capazes de afirmar com certeza se atrasos no diagnóstico ou a biologia do tumor foram a causa das recidivas da doença ou das mortes observadas.
“No entanto, o estágio avançado da doença, combinado com as altas taxas de características histológicas agressivas observadas estiveram infelizmente associado a resultados ruins”, analisa.
Considerando esse cenário, o grupo avalia que, cada vez mais, a possibilidade de câncer colorretal deve ser levada em consideração em faixas etárias mais novas, especialmente pela ausência de relação dos casos com o histórico familiar.
“Em pacientes com esses sintomas, principalmente naqueles que apresentam uma combinação deles, uma investigação completa e rápida por parte da equipe de saúde para descartar o câncer colorretal, assim como diagnósticos alternativos, é fundamental”, defende.
(Fonte: G1)
