Correio de Carajás

Câmara cobra mais recursos da Vale à cultura de Marabá

Vereadores e sociedade civil organizada expressam insatisfação com valores aplicados e exigem maior apoio da mineradora aos projetos culturais de Marabá.

Mulher com óculos escuros e microfone em reunião, gesticulando.
Vanda Américo, presidente da Comissão de Desenvolvimento, cobra mais investimento da Vale na cultura de Marabá
✏️ Atualizado em 20/03/2026 09h29

A Câmara Municipal de Marabá intensificou, na quarta-feira (18), o debate sobre os investimentos destinados à cultura local ao reunir vereadores, representantes da mineradora Vale e membros da sociedade civil organizada. O encontro, promovido pela Comissão Especial de Desenvolvimento Socioeconômico, expôs insatisfação com os valores atualmente aplicados no município e reforçou a cobrança por uma contrapartida mais robusta por parte da empresa.

A reunião foi realizada na Sala de Comissões do Legislativo municipal e conduzida pela presidente da comissão, vereadora Vanda Américo (União). Participaram os vereadores Marcelo Alves (PT), Marcos Paulo da Agricultura (PSD), Ubirajara Sompré (MDB), Ilker Moraes (MDB) e Jocenilson Silva (PRD). Pela Vale, estiveram presentes Ana Carolina Alves, diretora de Relações Institucionais, Saulo Lobo, gerente de Relações Institucionais Municipais, Synara Amaral, analista de Relações Institucionais de Marabá, Douglas Passos, gerente de Planejamento dos Projetos das novas pontes sobre o Rio Tocantins, Ezequiel Silva, coordenador de implantação do Projeto Tecnored, e Amanda Araújo, analista administrativa do mesmo projeto. Também participaram representantes da sociedade civil, entre eles Sebastiana Silva, presidente da Liga Cultural de Marabá, o ativista Wilson Teixeira e Laureni Vitorino, presidente da Associação de Moradores do Bairro Araguaia.

Durante a reunião, foram apresentados dados sobre os investimentos culturais realizados pela mineradora. Em 2026, a Vale destinou cerca de R$ 42 milhões para projetos culturais em todo o Brasil. Desse total, aproximadamente R$ 1,371 milhão foi aplicado em Marabá, contemplando três projetos locais. O volume foi considerado insuficiente pelos parlamentares, que cobraram uma ampliação significativa dos recursos destinados ao município.

Leia mais:
Vereadores, representantes da Vale e de grupos culturais após a reunião de mais de duas horas na sala de comissões

A vereadora Vanda Américo destacou a importância de uma distribuição mais justa dos investimentos, levando em consideração o protagonismo de Marabá na produção mineral. Segundo ela, a discrepância entre o volume de recursos aplicados nacionalmente e o montante destinado ao município é evidente e precisa ser corrigida. Para a parlamentar, os grupos culturais locais necessitam de mais apoio para continuar desenvolvendo suas atividades.

O presidente da Câmara, vereador Ilker Moraes, também reforçou a cobrança por maior presença financeira da empresa no cenário cultural da cidade. Ele avaliou que os investimentos atuais ainda estão distantes do ideal e destacou o potencial dos artistas locais, que produzem com qualidade mesmo diante de recursos limitados. Para ele, um aporte mais consistente permitiria elevar ainda mais o nível das produções culturais em Marabá.

Na mesma linha, o vereador Jocenilson Silva afirmou que, diante da magnitude da exploração mineral no município, é necessário ampliar as contrapartidas oferecidas pela empresa. Ele ressaltou que os produtores culturais enfrentam dificuldades e precisam de mais incentivo para fortalecer suas atividades.

O vereador Marcelo Alves disse ter ficado surpreso com os valores apresentados e defendeu que os investimentos deveriam ser proporcionais ao nível de exploração mineral na região. Segundo ele, cabe ao Legislativo atuar na busca por uma redistribuição mais justa desses recursos, garantindo mais apoio aos agentes culturais do município.

Ubirajara Sompré também se manifestou durante a reunião e classificou como desigual a atual política de investimentos culturais da mineradora em Marabá. Para o parlamentar, é fundamental que a empresa amplie sua atenção aos grupos culturais locais, atendendo a uma demanda que ele considera legítima.

Representando a classe artística, o produtor cultural Wilson Teixeira apresentou um panorama das dificuldades enfrentadas pelos fazedores de cultura no município. Ele destacou a carência de apoio ao longo dos anos e defendeu mudanças na política de investimentos, com maior reconhecimento e valorização dos artistas locais.

Ao final do encontro, a diretora de Relações Institucionais da Vale, Ana Carolina Alves, avaliou a pauta como relevante e legítima. Ela afirmou que as demandas apresentadas serão levadas para discussão interna na empresa e se comprometeu a buscar alternativas que possam atender às reivindicações levantadas durante a reunião.

Ana Carolina, da Vale, diz que as demandas apresentadas serão levadas para discussão interna na empresa

A Comissão Especial de Desenvolvimento Socioeconômico segue acompanhando o tema e deve manter o diálogo com a mineradora e com a sociedade civil, em busca de avanços concretos para o fortalecimento da cultura em Marabá. (Fonte: CMM)