Correio de Carajás

Café de açaí feito em Parauapebas ganha mercado

De uma necessidade, aliado a criatividade, nasceu mais um produto genuinamente amazônico e que promete em breve ser uma das grandes novidades no mercado. Trata-se do café feito com o caroço de açaí, que tem sabor semelhante ao café tradicional, mas mantêm o leve travor do fruto e, com uma grande vantagem, não tem cafeína.

A descoberta do produto, que promete ser sucesso de vendas, foi feita há quase três décadas pela agricultora Perina Rodrigues, de 50 anos, que mora em uma área da Vila Paulo Fonteles, a 60 quilômetros da sede do município de Parauapebas. Só agora, porém, com o incentivo da Secretaria Municipal de Produção Rural (Sempror), começa a ganhar destaque. O produto vai fazer parte de uma feira de exposição de café, que acontece este ano na cidade de Viçosa, em Minas Gerais.

Mas esse subproduto do açaí, que já ganhou o mundo pelo sabor e riqueza nutricional do sumo, nasceu da necessidade em que vivia Perina e o marido dela, Roberto Carlos Cunha, de 50 anos. Recém-casados e vindos de Goiás, os dois chegaram em Parauapebas em busca de melhorar de vida, como muitas outras pessoas que migraram para o município.

Leia mais:

Roberto Carlos conseguiu um pedaço de terra na Vila Paulo Fonteles, mas o aceso, à época, era muito difícil, feito em pau de arara até certo ponto e o resto do trajeto a pé, em pequenas trilhas no meio do mato, enfrentado a adversidade da floresta e ameaça constante de onças que eram em grande número no local aquele tempo. “Por conta disso, vir ao núcleo urbano de Parauapebas era raro e, como também não tínhamos dinheiro para fazer rancho que durasse muito tempo, tivemos que nos virar com o que a gente tirava da floresta”, lembra.

Certa vez, ele a esposa ficaram sem açúcar e logo tiveram a ideia de extrair o mel da cana e usar para adoçar o café. Até que um dia foi o café que acabou. “Sem dinheiro e nem meios para ir a Parauapebas, fiquei pensando, aí surgiu a ideia de torrar semente de bacaba para tentar fazer café. A cor ficou igual do café, mas o sabor foi reprovado, porque amargava muito”, conta Perina.

Foi então que decidiu usar o caroço de açaí, fruto abundante naquela região. O cheiro ficou igual ao do café tradicional e o sabor também foi aprovado. A partir daí, sempre que não tinha café, ela torrava açaí e assim foram sobrevivendo. Os filhos foram chegando e, uma vez, em um trabalho de escola deles, a mãe apresentou o café que tinha feito de açaí.

Foi quando o produto começou a ser conhecido na comunidade. “Sempre que tinha oportunidade, fazia degustação do produto e o sabor sempre era aprovado”, recorda Perina.

Contato

Em uma das ações da Sempror este ano, na Vila Horeb, Perina conheceu Raquel Rosa, que coordena projetos da secretaria. Conversaram e Perina falou dos doces que faz e do café de açaí. A novidade deixou Raquel surpresa e ela pediu para experimentar o café. “Fiquei impressionada com a semelhança com o café tradicional e decidimos apostar no produto, para que se torne comercial e vire fonte de renda para Perina e outras mulheres que fazem parte da Associação Filhas da Terra, daquela comunidade”, afirma Raquel.

Município quer implantar fábrica para produção artesanal

Vai ser encomendado um estudo nutricional do café, para saber que propriedades têm e os possíveis benefícios ou problemas para a saúde de quem consome. Depois disso, o próximo passo é patentear o café, para que não haja risco de que empresas nacionais ou estrangeiras requeiram a patente do processo, como já aconteceu com outros produtos da Amazônia.

Segundo Raquel, também serão levadas amostras do café para os laboratórios especializados em café e depois será feito um estudo sobre a viabilidade econômica para a implantação de uma indústria do grão no município. Mas essa fabricação vai conservar a forma artesanal, para ser um produto diferenciado no mercado.

“É nosso objetivo tornar o produto comercial, com alto valor agregado”, destaca Raquel, observando que isso também vai ser um avanço no processo de aproveitamento de um resíduo, que normalmente é jogado no lixo.

Ela observa que o caroço de açaí já é usado para fabricação de artesanato, ração animal e adubo. No entanto, boa parte desse resíduo ainda vai para o lixo. “Com a indústria de café, parte dessa produção vai ser aproveitada”, diz ela.          

Processo de fabricação

A fabricação do café de açaí ainda é todo artesanal. A primeira etapa é colher o açaí, feito do modo tradicional. O fruto, depois de higienizado, é amassado para extração da polpa. O caroço é colocado em uma bacia e exposto para secar ao sol.

Quando está bem seco, o caroço é pilado, como se faz com o arroz, para extrair as fibras que envolvem a semente. O próximo passo é peneirar, para retirar a fibra. O caroço é novamente lavado, para retirar o resto das impurezas, e está pronto para ser torrado. O processo de torração é feito em uma panela, mexendo constantemente, até atingir o ponto.

Um vez torrado, o caroço é colocado em um moedor, que foi adaptado de uma antiga máquina de moer carne. Depois disso, o café está pronto para ser feito, do mesmo modo que é feito o café comum.

FAP 2017

Durante a Feira Agropecuária de Parauapebas (FAP), o café foi um dos produtos que ficou em exposição na barraca dos agricultores. Na visita a feira, no último dia de exposição, o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, ficou encantado com o sabor do café e levou amostras para divulgar para os amigos.

Segundo Perina, ver o produto que nasceu de uma necessidade, ganhando o mercado, é uma grande alegria para ela. “Nunca imaginei que meu café de açaí ia ganhar mercado”, frisou a agricultora, que tem muitas outras habilidades, como a fabricação de doce, inclusive com uma iguaria que também promete ganhar mercado, que é o brigadeiro de açaí. (Tina Santos)

 

 

De uma necessidade, aliado a criatividade, nasceu mais um produto genuinamente amazônico e que promete em breve ser uma das grandes novidades no mercado. Trata-se do café feito com o caroço de açaí, que tem sabor semelhante ao café tradicional, mas mantêm o leve travor do fruto e, com uma grande vantagem, não tem cafeína.

A descoberta do produto, que promete ser sucesso de vendas, foi feita há quase três décadas pela agricultora Perina Rodrigues, de 50 anos, que mora em uma área da Vila Paulo Fonteles, a 60 quilômetros da sede do município de Parauapebas. Só agora, porém, com o incentivo da Secretaria Municipal de Produção Rural (Sempror), começa a ganhar destaque. O produto vai fazer parte de uma feira de exposição de café, que acontece este ano na cidade de Viçosa, em Minas Gerais.

Mas esse subproduto do açaí, que já ganhou o mundo pelo sabor e riqueza nutricional do sumo, nasceu da necessidade em que vivia Perina e o marido dela, Roberto Carlos Cunha, de 50 anos. Recém-casados e vindos de Goiás, os dois chegaram em Parauapebas em busca de melhorar de vida, como muitas outras pessoas que migraram para o município.

Roberto Carlos conseguiu um pedaço de terra na Vila Paulo Fonteles, mas o aceso, à época, era muito difícil, feito em pau de arara até certo ponto e o resto do trajeto a pé, em pequenas trilhas no meio do mato, enfrentado a adversidade da floresta e ameaça constante de onças que eram em grande número no local aquele tempo. “Por conta disso, vir ao núcleo urbano de Parauapebas era raro e, como também não tínhamos dinheiro para fazer rancho que durasse muito tempo, tivemos que nos virar com o que a gente tirava da floresta”, lembra.

Certa vez, ele a esposa ficaram sem açúcar e logo tiveram a ideia de extrair o mel da cana e usar para adoçar o café. Até que um dia foi o café que acabou. “Sem dinheiro e nem meios para ir a Parauapebas, fiquei pensando, aí surgiu a ideia de torrar semente de bacaba para tentar fazer café. A cor ficou igual do café, mas o sabor foi reprovado, porque amargava muito”, conta Perina.

Foi então que decidiu usar o caroço de açaí, fruto abundante naquela região. O cheiro ficou igual ao do café tradicional e o sabor também foi aprovado. A partir daí, sempre que não tinha café, ela torrava açaí e assim foram sobrevivendo. Os filhos foram chegando e, uma vez, em um trabalho de escola deles, a mãe apresentou o café que tinha feito de açaí.

Foi quando o produto começou a ser conhecido na comunidade. “Sempre que tinha oportunidade, fazia degustação do produto e o sabor sempre era aprovado”, recorda Perina.

Contato

Em uma das ações da Sempror este ano, na Vila Horeb, Perina conheceu Raquel Rosa, que coordena projetos da secretaria. Conversaram e Perina falou dos doces que faz e do café de açaí. A novidade deixou Raquel surpresa e ela pediu para experimentar o café. “Fiquei impressionada com a semelhança com o café tradicional e decidimos apostar no produto, para que se torne comercial e vire fonte de renda para Perina e outras mulheres que fazem parte da Associação Filhas da Terra, daquela comunidade”, afirma Raquel.

Município quer implantar fábrica para produção artesanal

Vai ser encomendado um estudo nutricional do café, para saber que propriedades têm e os possíveis benefícios ou problemas para a saúde de quem consome. Depois disso, o próximo passo é patentear o café, para que não haja risco de que empresas nacionais ou estrangeiras requeiram a patente do processo, como já aconteceu com outros produtos da Amazônia.

Segundo Raquel, também serão levadas amostras do café para os laboratórios especializados em café e depois será feito um estudo sobre a viabilidade econômica para a implantação de uma indústria do grão no município. Mas essa fabricação vai conservar a forma artesanal, para ser um produto diferenciado no mercado.

“É nosso objetivo tornar o produto comercial, com alto valor agregado”, destaca Raquel, observando que isso também vai ser um avanço no processo de aproveitamento de um resíduo, que normalmente é jogado no lixo.

Ela observa que o caroço de açaí já é usado para fabricação de artesanato, ração animal e adubo. No entanto, boa parte desse resíduo ainda vai para o lixo. “Com a indústria de café, parte dessa produção vai ser aproveitada”, diz ela.          

Processo de fabricação

A fabricação do café de açaí ainda é todo artesanal. A primeira etapa é colher o açaí, feito do modo tradicional. O fruto, depois de higienizado, é amassado para extração da polpa. O caroço é colocado em uma bacia e exposto para secar ao sol.

Quando está bem seco, o caroço é pilado, como se faz com o arroz, para extrair as fibras que envolvem a semente. O próximo passo é peneirar, para retirar a fibra. O caroço é novamente lavado, para retirar o resto das impurezas, e está pronto para ser torrado. O processo de torração é feito em uma panela, mexendo constantemente, até atingir o ponto.

Um vez torrado, o caroço é colocado em um moedor, que foi adaptado de uma antiga máquina de moer carne. Depois disso, o café está pronto para ser feito, do mesmo modo que é feito o café comum.

FAP 2017

Durante a Feira Agropecuária de Parauapebas (FAP), o café foi um dos produtos que ficou em exposição na barraca dos agricultores. Na visita a feira, no último dia de exposição, o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, ficou encantado com o sabor do café e levou amostras para divulgar para os amigos.

Segundo Perina, ver o produto que nasceu de uma necessidade, ganhando o mercado, é uma grande alegria para ela. “Nunca imaginei que meu café de açaí ia ganhar mercado”, frisou a agricultora, que tem muitas outras habilidades, como a fabricação de doce, inclusive com uma iguaria que também promete ganhar mercado, que é o brigadeiro de açaí. (Tina Santos)

 

 

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