Correio de Carajás

Cadeirantes vão ao MP denunciar descaso da prefeitura

Usuários relatam que a escassez do material básico na rede pública impede a higiene e a dignidade, forçando reutilização e gerando riscos de infecção grave.

Grupo de pessoas em cadeiras de rodas participando de uma reunião com uma mulher sentada em uma mesa de madeira.
Promotora Lílian Viana ouviu a denúncia dos cadeirantes/Foto: Chagas Filho
Por: Por Chagas Filho
✏️ Atualizado em 25/03/2026 16h30

Um grupo de cadeirantes procurou o Ministério Público na manhã desta quarta-feira (25) para denunciar mais uma situação de descaso da Prefeitura de Marabá. Eles foram recebidos pela promotora Lílian Viana Freire. A principal reivindicação diz respeito à falta de sondas vesicais. Há meses, eles têm ido aos centros de saúde buscar as sondas, mas a resposta que recebem é de que simplesmente o material está em falta.

Sem essa sonda, que é inserida na uretra, os cadeirantes não conseguem urinar e isso acarreta diversos problemas. “Eu estou com quatro meses que não recebo a sonda. Sem ela não dá pra viver. Como é que nós vamos esvaziar a bexiga?”, questiona Luiz Claudio Chaves, o popular “Cacá”.

Outro que se queixa é Maurício Pereira. Ele observa que devido à escassez do utensílio, eles, muitas vezes, precisam reutilizar a sonda. Mas isso é um perigo para a saúde. “Aí vem a questão das infecções”, explica, ao acrescentar que isso pode levá-los à internação hospitalar e uso de antibióticos injetáveis, causando mais dor e sofrimento a quem já perdeu a modibilidade.

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Gabriela Guinhazi, que também é cadeirante, explica que faltam também medicamentos, mas o pior mesmo é a ausência das sondas, que todos eles dependem para viver. “Eu acho que é muita escassez pra pessoas que dependem disso pra viver”, reafirma.

Outra cadeirante, Monchiara de Sá resume a situação: “Está uma calamidade”. Ela diz mais: “Esperamos que alguém possa fazer alguma coisa por nós, porque não temos como sobreviver sem as sondas”.

Após ouvir os cadeirantes, a promotora Lílian Viana Freire, titular da 13ª Promotoria de Justiça, que atua na defesa de pessoas com deficiência, afirmou que vai tomar todas as medidas possíveis para resolver a situação, que, conforme avaliação dela, “é grave”.

“Isso impacta não só no bem estar dessas pessoas, isso impacta, na realidade, na própria sobrevivência delas… Isso fere não somente o direito à saúde dessas pessoas, mas o próprio princípio da dignidade da pessoa humana, que é um princípio constitucional”, argumenta.

A reportagem deste CORREIO entrou em contato com a prefeitura para saber por que o material está em falta nos postos de saúde e qual a previsão de aquisição, mas até o fechamento dessa reportagem nenhuma resposta foi dada.