Correio de Carajás

Caciques dão ultimato e ameaçam confrontar invasores da TI Mãe Maria

Conselho de líderes de 54 aldeias da Terra Indígena Mãe Maria reclamam da demora das autoridades e não descartam confrontar as 150 famílias invasoras nesta quarta-feira

Caciques estão reunidos na tarde desta terça-feira e não descartam confrontar os invasores da TI Mãe Maria
Por: Theiza Cristine e Ulisses Pompeu
✏️ Atualizado em 22/09/2026 14h55

Em um vídeo divulgado nesta terça-feira (22), o cacique Kaharare Parkatêjê afirmou que as lideranças indígenas aguardam até o fim da tarde, especificamente até as 17 horas, por uma resposta das autoridades sobre a reintegração de posse de uma área ocupada por cerca de 150 famílias ao sul da Terra Indígena Mãe Maria, em Bom Jesus do Tocantins, a aproximadamente 20 quilômetros de Marabá.

Caso não haja uma resposta considerada satisfatória, ele afirmou que uma decisão será tomada em conjunto com os demais caciques e lideranças e disse que os indígenas poderão ir até o local.

“Vamos esperar a resposta da autoridade até hoje à tarde. Se não tiver uma resposta hoje boa, a gente vai tomar uma decisão junto com as lideranças”, afirmou o cacique no vídeo.

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Na gravação, outro integrante da comunidade indígena que não disse o nome, reforçou que a Terra Indígena Mãe Maria é uma área demarcada e decretada e pediu providências ao Ministério Público Federal (MPF), à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e à Polícia Federal. Segundo ele, a intenção é evitar que a situação evolua para um novo conflito.

“Nós não queremos chegar a esse nível. Nós não queremos voltar aos anos anteriores de conflito”, declarou.

Ainda no vídeo, afirmam que os indígenas já haviam solicitado a compra de outra área, no Arara, para os ocupantes.

A ocupação ocorreu no sábado (19), quando um grupo de aproximadamente 150 famílias entrou em parte da área sul da Terra Indígena Mãe Maria. Inicialmente, os indígenas das mais de 50 aldeias da região foram orientados a não entrar em contato ou conflito com os ocupantes e a deixar a situação sob responsabilidade das autoridades judiciais e policiais.

A orientação foi seguida. Os indígenas comunicaram a situação à Funai, à Polícia Federal, à Polícia Militar e ao Batalhão de Choque.

O Correio de Carajás conversou na tarde desta terça-feira (22), com Escrawen Sompré, coordenador da Funai em Marabá. Segundo ele, toda a documentação referente ao caso já foi encaminhada para Brasília, onde a Procuradoria Federal Especializada deverá ingressar com a ação de reintegração de posse na Justiça de Marabá. Somoré afirmou que aguarda o retorno do processo e que, neste momento, está na aldeia Kyikatêjê, acompanhado de indígenas e caciques que também esperam por uma decisão judicial. “Como já tem hoje quatro dias de invasão, o pessoal está impaciente, e estamos aqui conversando para que tenha um pouco de paciência, porque a questão da Justiça tem um pouco de demora, mas que vai sair”, declarou.

RELEMBRE O CASO

No domingo (20), o diretor da Funai em Marabá, Escrawen Sompré, esteve na área acompanhado de integrantes das forças de segurança para conversar com os ocupantes. Em comunicado direcionado às comunidades indígenas Parkatêjê, Gavião Kyikatêjê, Akrãtikatêjê e demais povos da região, Sompré informou que os ocupantes alegam possuir documentação relacionada à área.

Segundo o diretor da Funai, a questão deverá ser discutida judicialmente. “Conversamos com o pessoal, mas eu sei que não há documentação legítima da parte deles. A terra é indígena e o documento será contestado em juízo”, afirmou.

Após a visita, Sompré informou que seguiria para Marabá para buscar articulação com a Procuradoria da República e solicitar medidas judiciais ainda durante o plantão. A intenção era buscar uma decisão para a retirada dos ocupantes.

“Eu estou indo para Marabá agora. Vou ver se falo com o plantonista da Procuradoria da República para amanhã cedo ter uma reunião”, declarou.

Na ocasião, o diretor também disse acreditar que a medida poderia avançar rapidamente na Justiça. “Eu acredito que até amanhã, ao final da tarde, a gente já está com essa reintegração de posse”, afirmou.

Caso a decisão judicial seja concedida, a expectativa é que as forças de segurança sejam acionadas para cumprir a determinação.

Ao finalizar o comunicado, Carlos Sompré pediu tranquilidade às comunidades indígenas e afirmou que as autoridades estão acompanhando a situação. “Eu peço a todo mundo que fique tranquilo, que nós estamos agindo”, encerrou.