Foto: Ricardo Bufolin / CBG
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Da arquibancada, a equipe masculina do Brasil acompanhava a apresentação dos Estados Unidos na noite deste domingo. Arthur Zanetti, Arthur Nory, Caio Souza, Francisco Barretto e Luis Guilherme Porto sabiam que tinham feito um ótimo trabalho mais cedo, na primeira subdivisão dos Jogos Pan-Americanos de Lima. Era questão de tempo para conhecer a cor da medalha do grupo. E ela foi dourada! Nem precisou secar os americanos, que ficaram com a prata. O Brasil faturou a medalha de ouro por equipes na ginástica artística e mais 12 vagas nas finais individuais.

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O Brasil mostrou mais uma vez que está consolidado entre as grandes equipes no masculino. Os 250,450 pontos deste domingo colocariam o país na quarta posição da classificatória do Mundial do ano passado, à frente inclusive da equipe principal dos Estados Unidos. No Pan, os americanos foram com um time B, que apostou em séries mais simples, porém bem executadas. Quase deu certo, mas os 249,400 não foram o suficiente para barrar os brasileiros. O Canadá levou o bronze, com 246,725.

– Eu estava fazendo contas de todo jeito. No final achava que o Brasil já tinha ganhado, mas ainda faltava uma nota de um americano. Eu só queria ganhar (risos). O time do Brasil foi maravilhoso, fez seu papel. Era um objetivo nosso bater os 250 pontos. A equipe fez por merecer. Os 15 pontos (nas argolas) foram bons. Uma série para um ponto só de desconto hoje em dia é muito boa. É trabalhar e se possível melhorar essa nota na final – disse Zanetti, que tirou nas argolas a maior nota entre todos os aparelhos na competição.

Zanetti e Chico estavam na equipe do Brasil no Pan de Guadalajara, em 2011, quando o país conseguiu seu primeiro título da competição. Eles agora são bicampeões pan-americanos. Caio e Nory estavam na equipe vice-campeã em Toronto 2015. Luis Guilherme estreou no Pan já com o ouro.

Todos tiveram importante participação. Zanetti puxou o grupo nas argolas com um notão. Nory colocou suas notas em todos aparelhos no somatório da equipe. Chico teve uma competição 100% e foi fundamental para salvar o cavalo com alças do Brasil. Caio brilhou especialmente no salto e nas barras paralelas. E o caçula Luis também voou no salto.

O Pan de Lima foi um ensaio de luxo para o Brasil de olho no Mundial de Stuttgart, em outubro. Na Alemanha, os brasileiros vão buscar uma das nove vagas na disputa por equipes para a Olimpíada de Tóquio 2020 – China, Rússia e Japão já estão garantidos.

Brasileiros classificados para as finais individuais

  • Individual geral – Arthur Nory (2º) e Caio Souza (5º)
  • Solo – Arthur Nory (5º) e Arthur Zanetti (7º)
  • Cavalo com alças – Francisco Barretto (5º)
  • Argolas – Arthur Zanetti (1º) e Caio Souza (8º)
  • Salto – Luis Guilherme Porto (3º)
  • Barras paralelas – Caio Souza (1º) e Arthur Nory (5º)
  • Barra fixa – Arthur Nory (1º) e Francisco Barretto (2º)

A final por equipes aparelho por aparelho

Barras paralelas
O Brasil começou muito bem a disputa. Coube ao estreante Luis abrir o trabalho, e ele passou sem grandes falhas para conseguir 13,050 pontos. Uma boa nota que ainda acabou sendo descartada, porque depois o Brasil ainda conseguiu três séries praticamente cravadas com Nory (14,300), Chico (14,000) e Caio, que comemorou muito a nota 14,850, a melhor do dia nas barras paralelas. Somando 43,150 pontos, o Brasil foi o líder no aparelho.

Caio Souza no Pan de Lima — Foto: Ricardo Bufolin / Panamerica Press / CBG

Barra fixa
O Brasil viveu um momento de tensão na barra fixa. Luis abriu com dificuldades e tirou 11,500. Nory foi na sequência, começou muito bem em seu aparelho mais forte, mas sofreu uma queda em um dos seus voos mais difíceis, um Jaeger com pirueta. Ficou por uns segundos no chão até olhar para a barra e dizer: “A barra está torta”. Estava mesmo. Os árbitros confirmaram o problema e deram a chance de refazer a série. Antes Caio e Chico cravaram suas apresentações e tiraram 13,850 e 14,050 pontos. Então Nory entrou de novo em ação e praticamente cravou sua apresentação, inclusive o Jaeger com pirueta. A nota 14,400 foi a mais alta do aparelho entre todos os competidores e puxou o resultado do Brasil. Com 42,300 pontos, o Brasil também foi líder na barra fixa.

Arthur Nory no pan de Lima — Foto: Ricardo Bufolin / Panamerica Press / CBG
Arthur Nory no pan de Lima — Foto: Ricardo Bufolin / Panamerica Press / CBG

Solo
O Brasil teve seu primeiro problema no solo, mas nada que atrapalhasse o somatório da equipe. Caio sofreu uma queda na segunda acrobacia e conseguiu 12,700 pontos. Mas a nota foi descartada, porque foi superada por Luis (13,450), Zanetti (13,650) e Nory (13,750), medalhista de bronze neste aparelho na Rio 2016. Somando 40,850 pontos, o Brasil só ficou atrás dos Estados Unidos no solo.

Arthur Nory no pan de Lima — Foto: Ricardo Bufolin / Panamerica Press / CBG
Arthur Nory no pan de Lima — Foto: Ricardo Bufolin / Panamerica Press / CBG

Cavalo

Era a vez do cavalo com alças, sempre o ponto fraco do Brasil. Luis apresentou uma série sem grande dificuldade, mas passou sem queda (12,550). Nory teve problemas de execução e quase caiu (12,250). Caio estava bem, mas no final perdeu o ritmo e sofreu mais uma queda (11,800). Aí Francisco Barretto, que foi reserva na final deste aparelho no último Mundial, recuperou. Ele conseguiu 13,950 para não deixar o Brasil desandar. Com 38,750 pontos, o Brasil foi o terceiro melhor no aparelho, mas bem atrás de Estados Unidos e Canadá, o que colocou o ouro em risco.

Francisco Barretto no Pan de Lima — Foto: Ricardo Bufolin / Panamerica Press / CBG
Francisco Barretto no Pan de Lima — Foto: Ricardo Bufolin / Panamerica Press / CBG

Argolas
O Brasil voltou ao trilho nas argolas, comandado por Arthur Zanetti. Luis (13,000) e Nory (13,250) abriram. Caio, que foi reserva da final deste aparelho no último Mundial, conseguiu 13,800 pontos. Aí veio o campeão olímpico. Zanetti fez uma série com um décimo de dificuldade menor em relação ao que vem apresentando neste ano, mas compensou com uma excelente execução. A nota 15,000 foi a maior entre todos os aparelhos do Pan. Assim, o Brasil somou 42,050 pontos e foi líder no aparelho. Foi o diferencial para os Estados Unidos, que se apresentaram por último no aparelho, tiveram falhas e acabaram com a prata.

Arthur Zanetti no Pan de Lima — Foto: Ricardo Bufolin / Panamerica Press / CBG
Arthur Zanetti no Pan de Lima — Foto: Ricardo Bufolin / Panamerica Press / CBG

Salto
No aparelho que mais dá pontos, o Brasil mostrou segurança. Nory conseguiu 14,250. Zanetti deu um passo grande na aterrissagem e tirou 14,200, nota que ainda foi descartada. Finalista do salto no último Mundial, Caio tirou 14,550, mas não tentou um segundo voo para buscar vaga na decisão do aparelho no Pan. Bronze no salto da Universíade no começo deste mês, Luis também tirou 14,550 e depois tirou um 14,050 no segundo voo. Com média de 14,300, ele se classificou para a final. Com mais 43,350 pontos, o Brasil foi o líder no salto.

Luis Guilherme Porto no Pan de Lima — Foto: Ricardo Bufolin / Panamerica Press / CBG
Luis Guilherme Porto no Pan de Lima — Foto: Ricardo Bufolin / Panamerica Press / CBG

(Fonte:G1)

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