📅 Publicado em 24/01/2026 08h23✏️ Atualizado em 24/01/2026 08h24
Em um feito inédito, a pecuária brasileira superou a produção dos Estados Unidos em 2025, impulsionada pela forte demanda internacional e pelo crescimento dos abates. A Região Norte, com destaque para os municípios paraenses de São Félix do Xingu e Marabá, desempenha papel crucial nesse cenário.
Em um marco histórico para a agropecuária nacional, o Brasil consolidou sua posição como uma superpotência do setor ao ultrapassar os Estados Unidos e se tornar, pela primeira vez, o maior produtor mundial de carne bovina. De acordo com as projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção brasileira em 2025 atingiu a marca de 12,35 milhões de toneladas equivalentes de carcaça, um volume 4,5% superior às 11,81 milhões de toneladas produzidas pelos norte-americanos.
A China, com 7,79 milhões de toneladas, completa o pódio. Essa ascensão quebra uma hegemonia histórica, já que os EUA lideravam o ranking de produção de forma ininterrupta desde o início da série histórica do USDA, em 1960. Para se ter uma ideia da magnitude da mudança, em 2021, a produção americana superava a brasileira em mais de 30%.
Leia mais:A mudança no topo do pódio global é resultado de uma combinação de fatores que favoreceram o Brasil e desafiaram a pecuária norte-americana. Do lado brasileiro, o crescimento de 4,2% na produção em relação a 2024 foi impulsionado por uma forte demanda internacional, especialmente de mercados como China e Estados Unidos, e pelos preços da carne em níveis recordes no mercado global.
Esse cenário incentivou os pecuaristas a intensificarem o envio de animais para o abate, aproveitando a conjuntura favorável. Com isso, a participação do Brasil na oferta global do setor alcançou 19,9%, o que significa que quase um quinto de toda a carne bovina produzida no mundo em 2025 teve origem no país.
Enquanto o Brasil acelerava, os Estados Unidos enfrentavam uma retração de 3,9% em sua oferta. A pecuária americana lida atualmente com o menor rebanho desde 1952, com um estoque de apenas 86,6 milhões de cabeças de gado, em comparação com as 186,9 milhões estimadas para o rebanho brasileiro.
A crise no setor norte-americano decorre de uma série de fatores, incluindo condições climáticas adversas que reduziram a qualidade das pastagens e a disponibilidade de alimento para o gado, além do aumento nos custos de produção, como ração e energia, que levou muitos produtores a reduzirem seus rebanhos.
Se na produção a liderança é uma novidade, no comércio exterior o Brasil já é uma força consolidada há mais de duas décadas. O país lidera as exportações globais do produto e, em 2025, alcançou embarques que se aproximam da cifra de US$ 17 bilhões.
Segundo as estimativas do USDA, o Brasil atingiu o volume recorde de 4,25 milhões de toneladas de carne bovina exportada, um avanço de 16,8% em relação a 2024. A Austrália aparece em um distante segundo lugar, com 2,18 milhões de toneladas, seguida pela Índia, com 1,61 milhões de toneladas (onde se comercializa a carne de búfalo como equivalente).
Em contrapartida, as exportações americanas registraram um recuo de 14%, fechando o ano com 1,17 milhão de toneladas vendidas ao mercado externo.
Nesse cenário de protagonismo nacional, a Região Norte do Brasil assume um papel central, concentrando alguns dos maiores e mais importantes rebanhos bovinos do país. O município de São Félix do Xingu, no Pará, é o líder absoluto no ranking nacional, com um rebanho estimado em 2,5 milhões de cabeças de gado, um número que é aproximadamente 38 vezes superior à sua população humana.
Outro destaque paraense é Marabá, que se firma entre as cinco maiores potências da pecuária nacional, ocupando a quinta posição com um rebanho de 1,3 milhão de cabeças. Completam o top 5 os municípios de Corumbá (Mato Grosso do Sul), com 2,2 milhões, Porto Velho (Rondônia), com 1,8 milhão, e Cáceres (Mato Grosso), com 1,4 milhão.
A força da pecuária na Região Norte demonstra a relevância econômica da Amazônia e sua contribuição decisiva para o desempenho do Brasil no mercado internacional.
Para o futuro, as projeções indicam um cenário de ajustes. O USDA projeta para 2026 um empate técnico entre a produção de Brasil e Estados Unidos, ambos com uma estimativa de 11,7 milhões de toneladas. A queda esperada na produção brasileira se deve, em grande parte, à necessidade de recomposição dos rebanhos após o ciclo de abates intensos.
No entanto, especialistas do setor avaliam que os avanços em produtividade podem reduzir o impacto dessa retração. O uso de tecnologias como inseminação artificial mais eficiente, a engorda acelerada em confinamento e o abate de animais mais jovens são estratégias que permitem ao Brasil manter uma produção robusta mesmo em períodos de retenção de fêmeas para a reprodução, garantindo a sustentabilidade de sua posição de liderança no cenário global.

