📅 Publicado em 29/08/2025 18h11✏️ Atualizado em 29/08/2025 18h12
Teve início esta semana o asfaltamento do último trecho da BR-422, ligando Tucuruí a Novo Repartimento. O momento, descrito como “histórico” pelas autoridades presentes, representa a conclusão de um projeto que transformará definitivamente a mobilidade regional e consolidará uma nova rota de acesso entre importantes municípios do estado do Pará.
O superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Pará, Diego Benitah, esteve presente no local das obras para acompanhar o início dos trabalhos de pavimentação dos últimos 18 quilômetros da rodovia. Em declaração no local, Benitah enfatizou a importância do momento para ambos os municípios beneficiados.
“Uma data muito importante para Tucuruí e para Novo Repartimento. Nós estamos aqui na BR-422, uma importante rodovia que interliga os dois municípios, mas também interliga todo o estado do Pará, essa região muito importante e com a união de forças, nesses últimos dois anos, nós conseguimos avançar muito”, declarou o superintendente.
Leia mais:A obra representa o fechamento de um ciclo iniciado há mais de três anos, quando foi assinada a Ordem de Serviço para pavimentação asfáltica da Transcametá, como é conhecida a BR-422, em julho de 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro. O investimento total do projeto alcança R$ 176 milhões, executado pelo consórcio formado pelas construtoras LCM e Ápia S/A. Foi uma resposta à luta da “Comissão Pró Asfalto BR-422”, frente formada por lideranças da comunidade civil.
Voz que tem lutado por recursos em Brasília desde 2023, a deputada federal Andréia Siqueira (MDB) também comemorou esta nova fase, por meio de suas redes sociais, ressaltando que a rodovia completamente asfaltada garantirá desenvolvimento para toda a região e beneficiará, principalmente, produtores rurais, no escoamento de produção. Foi justamente em 2023, que a obra foi retomada com vigor.

Cronograma de conclusão
Fernando Sousa, representante da empreiteira LCM, forneceu detalhes técnicos sobre o andamento dos trabalhos e as perspectivas para os próximos meses. Segundo Sousa, restam aproximadamente 19 quilômetros para conclusão.
O cronograma estabelecido prevê que os trabalhos de pavimentação propriamente ditos sejam concluídos até dezembro de 2025, deixando para o início do próximo ano apenas os serviços complementares de acabamento. Esta estratégia permite que a rodovia seja liberada para tráfego ainda este ano, mesmo com alguns serviços de finalização pendentes para o período pós-chuvas.
Diego Benitah reforçou a meta ambiciosa estabelecida pelo DNIT para a conclusão da obra. “Nós estamos iniciando no município de Tucuruí, aqui no limite, para encontrar com o pavimento que nós já executamos (no sentido contrário). São 19 quilômetros que restam e o nosso objetivo é que a gente consiga entregar esse empreendimento agora no mês de dezembro, que é o nosso objetivo”.

A partir de Marabá
A BR-422, conhecida como Transcametá, representa muito mais do que uma simples ligação rodoviária entre dois municípios. Sua pavimentação completa simboliza a superação de décadas de desafios logísticos que afetavam diretamente a qualidade de vida e o desenvolvimento econômico da região.
Historicamente, o principal acesso entre Marabá e Tucuruí sempre foi via PA-150, atravessando Nova Ipixuna, Jacundá e Goianésia, para então acessar a PA-263 até Breu Branco, na margem direita do Rio Tocantins, e finalmente cruzar a barragem para chegar a Tucuruí. Esta rota tradicional totaliza 273 quilômetros e demanda até cinco horas de viagem, dependendo das condições climáticas e do estado de conservação das estradas.
A nova configuração rodoviária, utilizando a BR-230 (Transamazônica) até Novo Repartimento e depois a BR-422 até Tucuruí, oferece uma alternativa significativamente mais eficiente. Com 252 quilômetros de extensão total, a nova rota pode ser percorrida em aproximadamente três horas e quarenta minutos, representando uma economia de tempo de mais de uma hora em relação ao trajeto tradicional.
Esta transformação na mobilidade regional não aconteceu de forma isolada. A pavimentação da BR-422 está intrinsecamente ligada aos avanços obtidos na própria BR-230, especialmente no trecho entre Itupiranga e Novo Repartimento, que enfrentou desafios históricos significativos, incluindo questões relacionadas à terra indígena Parakanã.
Aspectos técnicos
O projeto de pavimentação da BR-422 envolveu um planejamento técnico abrangente que vai muito além da simples aplicação de asfalto. As etapas incluem drenagem, terraplanagem, sub-base, base e imprimação, seguindo os padrões técnicos estabelecidos pelo DNIT para rodovias federais em ambiente amazônico.
Uma das decisões estratégicas mais importantes do projeto foi a instalação de uma usina de asfalto em Novo Repartimento, permitindo a produção local da massa asfáltica necessária para a obra. Esta solução logística não apenas otimizou os custos de transporte do material, mas também garantiu maior agilidade na execução dos trabalhos e melhor controle de qualidade do produto final.
Até o momento da retomada dos trabalhos em agosto de 2025, já haviam sido executados mais de 40 quilômetros de pavimentação, partindo de Novo Repartimento em direção a Tucuruí. Os 19 quilômetros restantes, que agora recebem o asfaltamento, já contavam com a terraplenagem concluída, facilitando a retomada dos trabalhos após o período de chuvas.
Repercussão
Presidente da Comissão Pró Asfalto BR-422, Roberto Barbosa, rememora que a mobilização para que a rodovia fosse finalmente asfaltada começou em 2020, com o movimento, também integrado por Paulo Borges, Márcio Bicalho, Wilson Rodrigues, Moizes Baltazar e outros apoiadores.
Roberto, que também é pecuarista e atual presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, vislumbra que a rodovia totalmente asfaltada, caso realmente seja entregue este ano, significará um novo momento para a economia regional.