Correio de Carajás

Boto resgatado na Orla é solto perto da praia; Semma promete monitoramento, mas não explica como fará isso sem chip

Semma optou por devolver o mamífero à natureza, afirmando que continuará monitorando o animal para acompanhar sua recuperação/ Fotos: Evangelista Rocha
Por: Da Redação
✏️ Atualizado em 29/06/2026 12h27

Na manhã desta segunda-feira (29), um boto ferido mobilizou equipes de resgate e chamou a atenção de alguns moradores na Orla do Rio Tocantins, em Marabá. Após ser levado para até a Seção Fluvial do 52º Batalhão de Infantaria de Selva, as equipes procuraram um local para mantê-lo resguardado, mas o tanque disponível na unidade militar foi considerado muito pequeno para o tamanho do bicho. Uma equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) optou por devolver o mamífero à natureza, afirmando que continuará monitorando o animal para acompanhar sua recuperação. No entanto, ao ser questionado pela reportagem, o coordenador de fiscalização do órgão, Mateus Rocha, não conseguiu explicar detalhadamente como a fiscalização será feita de forma eficiente no rio, já que nenhum chip de rastreamento foi implantado no animal.

O episódio teve início por volta das 9h30, quando o nadador Nayron Botelho, apelidado carinhosamente pela população local de “Acquaman de Marabá”, foi o responsável por conseguir conter o animal após tentativas frustradas com redes de pesca.

“Quando eu cheguei lá, eu vi que com aquela rede não ia ter muito sucesso. Tinha que pular e segurar na nadadeira”, relatou Nayron ao CORREIO.

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“Quando eu cheguei lá, vi que com aquela rede não ia ter muito sucesso. Tinha que pular e segurar na nadadeira”, relata Nayron Botelho

Na primeira tentativa, o nadador acabou escorregando na pele lisa do boto, mas insistiu em uma segunda investida. Com o auxílio de três militares do Corpo de Bombeiros, eles conseguiram segurar o mamífero pela nadadeira, cabeça e cauda, acomodando-o dentro da lancha de resgate. Nayron afirma estar habituado a nadar no Rio Tocantins ao lado desses animais e conta não ter sentido medo.

Assim que o boto foi resgatado na lancha, a equipe de reportagem do CORREIO se deslocou até a Seção Fluvial do 52º BIS, onde ficou na porta por mais de uma hora até conseguir autorização para entrar no local.

Ao CORREIO, o coordenador de fiscalização da Semma, Mateus Rocha, explicou que o boto apresentava feridas pelo corpo. De acordo com o órgão ambiental, os machucados provavelmente decorrem de redes de pesca e de prováveis brigas territoriais com outros botos por alimentação, algo considerado natural para a espécie. Como o quadro não apresentava sangramento intenso ou perfurações graves que exigissem internação, o animal foi levado para a praia, onde a equipe esperou por sua reação antes de liberá-lo. Um drone da Semma registrou o momento em que ele nadou indo embora normalmente.

De acordo com o coordenador da Semma, Mateus Rocha, o boto não apresentava sangramento intenso ou perfurações graves que exigissem internação

Contradições no Monitoramento

Apesar da garantia de que o mamífero seguirá sob vigilância, a estratégia da Semma gerou questionamentos. Ao ser indagado sobre a logística para reencontrar o animal no Rio Tocantins sem o uso de tecnologia de geolocalização (como chips), Mateus Rocha limitou-se a dizer que o ponto de soltura foi marcado via GPS e que fiscais em uma embarcação farão rondas na região, além de contar com o apoio posterior de um médico veterinário, de um biólogo e da Fundação Zoobotânica.

Rocha também admitiu que o município de Marabá não dispõe de um especialista técnico fixo para esse tipo de ocorrência.

A Semma informou que realiza trabalhos de educação ambiental com a Colônia de Pescadores Z-30 e que redes com malhas menores que 5 mm — consideradas ilegais e perigosas — são rotineiramente apreendidas pelas equipes de fiscalização para evitar novos acidentes com botos e quelônios na região.