Correio de Carajás

Blocos tentam retomar Carnaval de rua após hiato de 2025

Carro de Mão, Gaiola das Loucas e Vai Quem Quer fazem preparativos para reunir brincantes na folia de momo em Marabá

A expectativa da Secult para 2026 é alcançar em torno 200 a 250 mil pessoas no Carnaval marabaense / Fotos: Evangelista Rocha, Capa: Arquivo CORREIO
Por: Kauã Fhillipe

A partir do velho ditado de que “o ano só começa depois do Carnaval”, Marabá entra na reta final dos preparativos para o que muitos chamam de segundo réveillon. Após um ano de hiato das mais tradicionais concentrações da cidade, os blocos de rua voltam com força total em 2026. A promessa, segundo os organizadores, é de uma festa maior, mais estruturada, com atrações diversas e, claro, com o público como grande protagonista da folia.

A reportagem foi atrás dos blocos mais tradicionais para entender o que vem por aí neste Carnaval e o que os foliões podem esperar da programação.

Bloco Carro de Mão – Marabá Pioneira

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“Rejeite a modernidade, abrace a tradição” poderia ser facilmente o lema do Bloco Carro de Mão, do bairro Santa Rosa. Conhecido por preservar o carnaval raiz, o bloco mantém viva a essência dos grandes arrastões, atravessando a Marabá Pioneira de ponta a ponta ao som das marchinhas que marcaram gerações. Sem trio elétrico ou grandes estruturas, o Carro de Mão aposta na simplicidade e na participação popular como combustível da folia.

Para 2026, o Carro de Mão mantém a fórmula que deu certo ao longo de quase quatro décadas: arrastão de rua, marchinhas autorais e homenagens aos próprios brincantes, com fotos estampadas no carro de som a cada edição. “Nosso bloco é de arrastão, não é de palco. Aqui é só marchinha, tradição e alegria”, reforça Amilton Bezerra, fundador e presidente do bloco, que convida os foliões a se juntarem ao percurso de cerca de sete quilômetros pela Velha Marabá. A saída está marcada para domingo dia 15, às 14h, com uma atrações que se juntam a essa celebração da comunidade.

Com abadá em mãos, Amilton Bezerra ostenta a estrutura automotiva que será empurrada pela comunidade durante o carnaval

Amilton relembra que o bloco surgiu em 1987, inicialmente como uma brincadeira de bairro, e hoje se tornou um dos símbolos do Carnaval da Velha Marabá. “Quando o carro não sai, a cobrança é grande. O bairro todo se mobiliza. A gente luta todo ano pra fazer essa festa, não ganha nada com isso, mas é gratificante demais ver o povo na rua brincando”, afirma. Segundo ele, o bloco reúne em média de 2 a 3 mil pessoas e segue firme no propósito de ser um carnaval feito para a comunidade.

Gaiola das Loucas – Cidade Nova

Celebrando 40 anos de história, o Gaiola das Loucas, que sai da Praça do Novo Horizonte, prepara uma edição especial. O fundador e coordenador do bloco, Raimundo Neto, o Netão, conta que os preparativos já estão na fase final e que a estrutura deste ano será robusta. Serão dois palcos, com propostas musicais diferentes, além de mudanças na dinâmica da programação.

“Nós estamos com uma programação para fazer um arrastão uma semana antes da sexta-feira de Carnaval. E na terça-feira, dia 17, a gente coloca o palco como sempre colocou, em frente ao Sesi”, explica.

Os palcos vão abranger públicos distintos: um dedicado à música eletrônica e outro voltado às atrações regionais, embaladas pelo ritmo da folia. A programação oficial começa às 14h do dia 17, com o tradicional arrastão, e segue a partir das 18h com shows de DJ Ronny Boy, Beto Lima, Tom Baiano e Flavinha. No segundo palco, DJs se revezam durante a noite. “Tem a turma que gosta da música mecânica e tem a turma que prefere a música ao vivo. A ideia é abraçar todo mundo”, resume Netão.

Netão: “Hoje, o Gaiola é um dos maiores blocos de rua do Pará. É um patrimônio cultural de Marabá e eu só temos a agradecer”

Ao longo dos anos, o Gaiola se tornou muito mais que uma festa, o bloco carrega um peso simbólico para a cidade. Para Netão, o bloco se tornou um verdadeiro patrimônio cultural de Marabá. “Se você for lá presenciar o Gaiola, vai ver gente de todas as idades. A gente brinca durante o dia e segue até meia-noite, atendendo criança, idoso, adolescente… é uma festa muito bonita”, afirma.

Conhecido pelo caráter irreverente, o bloco mantém sua essência característica. “É homem vestido de mulher, mulher vestida de homem. A gente até parou de fazer abadá, porque o pessoal prefere sair com a roupa da esposa, da namorada, inventar fantasia. Isso é o espírito do Gaiola”, conta.

Criado há quatro décadas, inicialmente com o nome Bloco das Piranhas, o Gaiola nasceu de forma despretensiosa, com um pequeno grupo de amigos, e ganhou força ao longo dos anos. A dimensão da festa impressiona, isso porque no ano passado, segundo estimativas da organização, o público chegou a cerca de 60 a 70 mil pessoas. Para este ano, a expectativa é ainda maior. “A gente sempre joga no lado positivo. Queremos atingir 80 mil pessoas”, projeta.

Vai Quem Quer – Nova Marabá

Um dos blocos mais queridos e aguardados de Marabá está oficialmente de volta. Após um ano de pausa e muitos pedidos da população, o bloco Vai Quem Quer retorna em 2026 prometendo reunir novamente a multidão na Folha 28. A festa acontece na segunda-feira, 16 de fevereiro, a partir das 14h, com o tradicional arrastão que percorre as ruas da Nova Marabá e aquece os foliões para uma tarde inteira de celebração.

Depois do arrastão, a programação segue com shows que garantem animação até a madrugada. A partir das 18h, o som começa com DJ Beea, seguido por Real Som, Nego Loiro, e Banda Quero Mais. O encerramento está previsto para 0h30.

Outros núcleos de Marabá também receberão festas, o que para o secretário de Cultura, Genival Crescêncio, simboliza a democratização do Carnaval em Marabá e o impacto positivo que o feriado gera no município. “É a maior festa popular do país e gera uma grande expectativa na população, além de movimentar a economia criativa do município. Grandes eventos trazem retorno para vários setores, como rede hoteleira, supermercados, restaurantes, transporte por aplicativo e o comércio em geral”, frisa.

Na sexta-feira (13), a partir das 20h, a Praça Liberdade na Cidade Nova recebe nomes da música regional como a cantora Nenzinha e a Banda LAMAZON. No sábado (14), a Liga Carnavalesca de Marabá promove os shows na Praça São Félix, na Marabá Pioneira, como DJ Junior Batidão, Ruana Ly e Banda TDN; simultaneamente, no São Félix, a banda de tecnobrega Fruto Sensual é o grande destaque da noite. No domingo (15), o núcleo Morada Nova é o palco, começando com DJ Alex às 20h e encerrando com a Banda Batidão do Melody à meia-noite.

Genival ressalta a proibição de garrafas de vidro nos blocos e nas festas públicas, preservando a segurança de todos os brincantes presentes. Órgãos de segurança como a Polícia Militar farão ação integrada durante todas as noites do Carnaval. “Nos últimos eventos da cidade, os incidentes que nós tivemos foram com cortes em decorrência de quebra de vidros nos espaços. Então a gente faz esse apelo para a população se vestir do bloco da alegria para que possamos fazer mais um grande evento aqui no município”.