Correio de Carajás

Biles sofre duas quedas, mas leva inédito tetra no Mundial

Simone Biles está de volta ao trono da ginástica artística. Dona de quatro ouros na Rio 2016, a americana de 21 anos se tornou nesta quinta-feira a primeira tetracampeã mundial do individual geral, a prova mais tradicional da modalidade. Mas foi difícil. E muito. Uma queda no salto e outra na trave colocaram em xeque o domínio de Simone Biles.

Foram as dificuldades muito elevadas que mantiveram a invencibilidade de cinco anos na prova, e também falhas das principais rivais. Simone mostrou que não é imbatível, mas é preciso ser perfeita para superá-la. Com 57,491 pontos, a campeã olímpica ficou na frente da japonesa Mai Murakami (55,798) e da americana Morgan Hurd (55,732), que defendia o título da prova.

– Definitivamente não foi o melhor dia para mim, mas ainda temos as finais por aparelhos, então estou tentando não bater muito em mesma por hoje, porque ainda consegui uma medalha de ouro para os Estados Unidos. Isso é muito empolgante. Ainda sou campeã mundial (suspira). Tomara que eu me reconstrua para ir às finais e ver o que acontece – disse Simone.

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Mai Murakami, Simone Biles e Morgan Hurd formaram o pódio do Mundial de Doha — Foto: Ricardo Bufolin/CBG
Mai Murakami, Simone Biles e Morgan Hurd formaram o pódio do Mundial de Doha — Foto: Ricardo Bufolin/CBG

Em um dia que até Simone Biles mostrou que não é uma máquina, as brasileiras Flávia Saraiva e Jade Barbosa também sofreram com quedas. Nada que as impedissem de conquistarem ótimas colocações. Flavinha entrou para o top 10 do mundo pela primeira vez com 54,366 pontos e a oitava posição. Bronze nesta prova no Mundial de 2007, Jade celebrou seu retorno a uma final com a 15ª posição e 52,866 pontos.

– Estou muito feliz. Vou voltar para casa muito orgulhosa, não só com o meu trabalho, mas com o do time todo. Ainda não acabou, ainda tem sábado, vou focar para sábado. Mas saio do individual geral muito feliz. Acho que consegui fazer bem meu trabalho. Tive uma queda na trave, mas estar entre as oito melhores é muito importante. Estou muito feliz – disse Flavinha.

Flávia Saraiva levou o Brasil ao top 10 no Mundial de Doha — Foto: Ricardo Bufolin/CBG
Flávia Saraiva levou o Brasil ao top 10 no Mundial de Doha — Foto: Ricardo Bufolin/CBG

A finalista olímpica da trave volta ao Aspire Dome no sábado para a final do solo. No mesmo dia, Caio Souza disputa a decisão do salto. Antes, nesta sexta-feira, Arthur Zanetti briga por medalha nas argolas.

Primeira rotação

Flavinha abriu a disputa das barras assimétricas, justamente seu aparelho mais fraco. Ela acertou a ligação de elementos que errou nas apresentações anteriores e tirou 13,000 pontos, seis décimos a mais do que na classificatória. Jade começou na trave, justamente o aparelho em que caiu na classificatória e na final por equipes. Desta vez só teve alguns desequilíbrios e ficou com 12,933, um ponto a mais que na classificatória. As brasileiras começaram na 15ª e 16ª posições, mas com boas chances de crescer no ranking.

Entre as favoritas, uma surpresa. Simone Biles tentou o salto que batizou neste Mundial de Doha, um voo de alto grau de dificuldade que a fez cair na aterrissagem. Não fosse pela nota de dificuldade muito alta, Simone poderia deixar a briga por medalhas, mas ainda tirou 14,533 e só ficou atrás da também americana Morgan Hurd (14,600) e da japonesa Mai Murakami (14,566) que acertaram seus saltos.

Segunda rotação

Jade foi para o solo e fez uma boa série, mas acabou sofrendo uma queda na penúltima acrobacia e tirou 12,100, caindo para a 21ª posição. Flavinha foi a última a se apresentar na rotação, estava fazendo uma grande série na trave, mas também sofreu uma queda em uma das acrobacias e ficou com 13,000, caindo para a 18ª posição.

Simone Biles não demorou para assumir a liderança. Já nas barras assimétricas, seu aparelho mais fraco, praticamente cravou tudo e conseguiu 14,725 para ir ao primeiro posto, passando Morgan Hurd por alguns décimos. A belga Nina Derwael brilhou nas barras, seu principal aparelho, e com 15,100 foi para a terceira posição, seguida pela russa Angelina Melnikova.

Terceira rotação

Jade Barbosa reagiu no salto, seu principal aparelho. Ela praticamente cravou seu Duplo Twist Yurchenko e tirou 14,500 para subir para a 15ª colocação. Flavinha também não se deixou abater, deu show no solo com uma série quase cravada, mostrando que está bem para a final do aparelho no sábado. Com 13,833, ela subiu para a 12ª colocação.

Simone Biles viu seu ouro em xeque com uma trave com desequilíbrios e uma queda. Com 13,233 pontos, ela teve de secar as rivais. Deu certo. A belga Nina Derwael foi a que chegou mais perto de ultrapassá-la com 13,733 – menos de um décimo as separaram. Morgan Hurd tinha mais chances de chegar à liderança, mas teve de segurar a trave para não cair e só ficou no quarto posto, atrás também da russa Angelina Melnikova.

Jade fechou sua prova com uma série bem executada nas barras assimétricas, comemorou os 13,333 pontos que a deixaram na 15ª posição, com 52,866 no geral. Flavinha cravou um Duplo Twist Yurchenko para tirar 14,533 e ganhar sua vaga no top 10. Com 54,366 pontos, ela foi a oitava colocada.

Entre as favoritas, Simone Biles fez o que dela se esperava no solo: voou alto. Tanto que até pisou fora do tablado em uma acrobacia. Com 15,000 pontos, afastou qualquer ameaça de ter sua invencibilidade ferida. Com um ótimo solo, a japonesa Mai Murakami arrancou a prata no último aparelho. Campeã mundial no ano passado, Morgan Hurd teve de se contentar com o bronze.

Simone Biles - Mundial Ginástica em Doha — Foto: Francois Nel/Getty
Simone Biles – Mundial Ginástica em Doha — Foto: Francois Nel/Getty

(Fonte:G1)