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Besuntado de Tonga promete surpresa na abertura das Olimpíadas: “Se preparem”

Foto: reprodução

TÓQUIO

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Pita Nikolas Taufatofua não é um nome que, mencionado de súbito, chamaria a atenção de um brasileiro. Mas se, em vez do nome, a referência for o apelido que carrega desde a cerimônia de abertura das Olimpíadas do Rio, em 2016, sem dúvida a associação será mais direta.

Pois Pita Nikolas Taufatofua é, menos para os íntimos e mais para o mundo, o Besuntado de Tonga.

O atleta de 37 anos ganhou os holofotes internacionais por ter carregado a bandeira de Tonga no Maracanã com o corpo banhado a óleo e uma saia típica. Aqueles minutos de aparição nas telas de uma audiência global ávida por peculiaridades mudou a vida dele.

Alçado ao posto de celebridade – em Tonga e ilhas vizinhas do Pacífico, principalmente -, ele também disputou as Olimpíadas de Inverno em PyeongChang, na Coreia do Sul, em 2018, no esqui cross-country. Nelas, por sinal, foi novamente o responsável por carregar a bandeira de Tonga, e mesmo sob uma temperatura abaixo de zero usou a mesma indumentária do Rio.

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Agora, nas Olimpíadas de Tóquio 2020 que ocorrem em 2021, o Besuntado de Tonga ataca novamente. Desta vez, dividirá a tarefa de portar a bandeira com sua compatriota Malia Paseka, primeira mulher do país a se classificar para disputar o taekwondo.

Pita promete um show à parte na cerimônia de abertura de Tóquio, embora as regras de presença de participantes ainda estejam indefinidas.

Pita como porta-bandeira de Tonga na Rio 2016 — Foto: Paul Gilham/Getty Images
Pita como porta-bandeira de Tonga na Rio 2016 — Foto: Paul Gilham/Getty Images

– Tudo o que posso dizer é que é melhor estar preparado. Malia vai levar a bandeira, mas todo mundo deve estar preparado para o que vai acontecer quando Tonga entrar no estádio. Com ou sem espectadores, vai ser espetacular – afirmou Pita.

Pita, é bom frisar, vai competir no taekwondo. Está listado para lutar na categoria acima de 80 quilos, a mesma da campanha da Rio 2016, quando caiu nas oitavas de final. Só que o desejo real do tonganês era disputar o megaevento em outros ares. Ou melhor, águas.

Ele tentou se classificar para a canoagem velocidade, na distância dos 200m do caiaque individual. Entretanto, foi impedido de deixar a cidade de Brisbane, na Austrália, onde mora, para disputar a seletiva mundial em junho por causa das restrições por causa da pandemia do novo coronavírus.

– Foi um pouco decepcionante, porque eu passei os últimos dois anos da minha vida tentando sair do zero na canoagem. Mas ainda não desisti de disputá-la em Tóquio. Estou levando meus remos para o Japão e vou tentar. Eu tive um sonho de ser o primeiro da história a competir em três esportes nos Jogos Olímpicos e não vou abrir mão dele. O povo de Tonga não desiste tão facilmente. Fui humilhado publicamente quando disputei minha primeira competição no caiaque, mas não me intimidei. É possível tentar as coisas mesmo com as críticas – disse.

 

Por trás do lado folclórico, Pita tem uma história de superação e solidariedade. Nascido na Austrália, foi ainda pequeno para Tonga e morou em uma casa humilde e pequena, dividindo poucos cômodos com pais e irmãos. O seu país tem apenas uma medalha olímpica, conquistada no boxe em Atlanta 1996.

A pobreza fez com que crescesse com um afã por ajudar. Durante 15 anos, enquanto deslanchava sua carreira esportiva, trabalhou em lares para crianças carentes e desabrigadas. Há alguns anos, tornou-se embaixador da Unicef para ações voltadas aos jovens das ilhas do Pacífico. No contato com crianças e adolescentes, costumava servir de inspiração e plataforma para ensejar melhorias nas áreas de educação, saúde e até mesmo na reconstrução de áreas devastadas por fenômenos naturais, como ciclones.

A pandemia limitou a atuação. Pita não pôde mais viajar com a frequência de antes de 2020 e as ações passaram a ser online. Com a terceira participação em Olimpíadas ele acha que, enfim, pode voltar a influenciar a juventude do seu povo.

Se aquela cerimônia de abertura mudou a vida de Pita…

Pita Taufatofua na cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno de PyeongChang, em 2018  — Foto: ARIS MESSINIS / AFP
Pita Taufatofua na cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno de PyeongChang, em 2018 — Foto: ARIS MESSINIS / AFP

– Eu era apenas um ilhéu que veio do Pacífico. No Rio eu não sabia o que era um empresário, o que era a mídia e como ela funcionava. Foi difícil, mas acho que a fama que surgiu não me mudou. Meu objetivo não era ficar famoso, era ser um atleta olímpico, competir e ver se conquistaria uma medalha para o meu país. Tentar compartilhar esses valores, mostrar a realidade de Tonga e ajudar as pessoas foi mais importante para mim do que ser o cara banhado a óleo que todos conhecem – disse o atleta, cujo irmão é casado com uma brasileira de Florianópolis; ambos lhe deram uma sobrinha, Sophie.

…ele quer continuar a transformar. Com a lembrança do que foi e do que virá, o Besuntado de Tonga desfila amor pelos valores olímpicos e pelo Brasil.

– Desde que era criança sonhava com os Jogos Olímpicos. E as Olimpíadas do Rio foram minhas primeiras. Do momento em que chegamos lá, tudo foi muito especial. As pessoas foram incríveis. Está fixado na minha cabeça e na minha memória. Eu sinto falta de vocês brasileiros. Não vejo a hora de voltar. Sei que os tempos estão difíceis agora, mas o espírito dos brasileiros é cheio de amor e vai superar qualquer dificuldade – desejou.

(Fonte:G1)

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