Correio de Carajás

Promotores pedem ajuda ao PGR para investigar mortes de servidores da Adepará

Ofício enviado à Procuradoria-Geral de Justiça aponta indícios de relação entre os crimes e a atividade de fiscalização das vítimas

Fábio Alan, fiscal agropecuário, foi morto em academia em São Geraldo; Netinho, na Adepará em São João do Araguaia
Por: Luciana Araújo
✏️ Atualizado em 29/10/2026 11h42

Promotores de Justiça do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) pediram reforço nas investigações sobre os assassinatos de dois servidores da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), mortos em 2026 em São Geraldo do Araguaia e São João do Araguaia. Em ofício enviado ao procurador-geral de Justiça, Alexandre Marcus Fonseca Tourinho, na sexta-feira (23), eles solicitaram articulação com o Governo do Pará e apoio de um grupo especializado do próprio Ministério Público para acompanhar os casos.

Os promotores afirmam que há indícios de que os homicídios estejam relacionados ao trabalho de fiscalização dos servidores. Por isso, pedem que a Polícia Civil tenha prioridade e recursos para esclarecer a motivação dos crimes e identificar os responsáveis, incluindo possíveis mandantes.

Um dos casos é o do fiscal agropecuário Fábio Alan Queiroz Correa, assassinado a tiros em 12 de março, em São Geraldo do Araguaia. Segundo noticiou este CORREIO, ele chegava a uma academia acompanhado da esposa quando foi atacado por um homem armado. Câmeras de segurança registraram a ação, durante a qual o atirador disparou pelo menos cinco vezes contra o servidor. Fábio Alan era engenheiro agrônomo e trabalhava na Adepará havia mais de 20 anos. Na época, não havia confirmação de que ele tivesse recebido ameaças de morte.

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O segundo homicídio ocorreu em 1º de outubro, quando Raimundo Santos da Silva Neto, conhecido como Netinho, foi morto dentro da unidade da Adepará onde trabalhava, na Vila Diamante, em São João do Araguaia. o corpo foi encontrado por uma mulher que foi ao local entregar documentos relacionados a atividades agropecuárias. A Polícia Civil iniciou a investigação, mas a autoria e a motivação do crime ainda não haviam sido esclarecidas nas informações divulgadas na ocasião.

MPPA quer atuação de grupo especializado

Na solicitação, os promotores classificam a repetição de crimes contra servidores públicos no exercício de suas funções como uma ameaça à atuação do Estado. Eles também mencionam a possibilidade de envolvimento de grupos organizados nos assassinatos, hipótese que ainda precisa ser investigada.

Além de cobrar prioridade na apuração dos casos, os promotores pedem a atuação do Grupo de Atuação Especializada no Tribunal do Júri (GAEJURI), do MPPA, para acompanhar os inquéritos e dar suporte a possíveis ações penais.

“Os fatos recentemente registrados revelam um cenário de acentuada vulnerabilidade e risco à integridade física dos servidores da ADEPARÁ, havendo fortes indícios de que os episódios de violência estejam diretamente relacionados ao regular exercício de suas atribuições de fiscalização e defesa agropecuária, especialmente em diligências e ações realizadas em atendimento a requisições ou demandas deste Ministério Público”, destaca o documento.

O ofício também solicita que o Governo do Pará e a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) disponibilizem recursos humanos, inteligência e estrutura logística para as investigações.

O documento é assinado pelos promotores de Justiça Erick Ricardo de Souza Fernandes, Lilian Viana Freire, Jairo do Socorro dos Santos da Costa, Aline Cunha da Silva, Aline Tavares Moreira, Thraz Rodrigues Cruz, Samuel Furtado Sobral, Aleixo Nunes Gonçalves Neto, Francisc a Paula Morais da Gama, Andre Felipe Gomes Guimarães, Alexssandra Muniz Mardegan, Jane Cleide Silva Souza, Cristine Magella Correa Lima e Josélia Leontina de Barros Lopes.

Denúncias que possam ajudar a identificar os responsáveis podem ser feitas anonimamente pelo Disque-Denúncia, no número 181. (Com informações do MPPA)