Correio de Carajás

Bandagem usada por atletas pode ser menos efetiva do que se imaginava

Revisão de estudos publicada na revista científica 'BMJ Evidence-Based Medicine' mostra que o produto pode até oferecer benefícios imediatos e de curto prazo, mas as evidências ainda são 'muito incertas'.

Fisioterapeuta aplicando bandagem elástica (kinesio tape) azul e preta no pescoço e ombro de um paciente.
✏️ Atualizado em 07/04/2026 11h15

Muito comum nos ombros, braços e pernas de atletas de alto rendimento, a kinesio tape – ou bandagem elástica funcional – pode não ser tão eficiente quanto se imaginava.

Isso é o que aponta uma análise de diversas evidências disponíveis sobre o assunto publicada na revista científica “BMJ Evidence-Based Medicine”.

➡️A kinesio tape é uma fita de algodão respirável amplamente utilizada para aliviar dores musculares e articulares e melhorar a amplitude de movimento. O uso é muito frequente especialmente entre atletas de alto nível.

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A revisão dos estudos mostra que o produto pode até oferecer benefícios imediatos e de curto prazo, mas as evidências ainda são “muito incertas”, segundo os pesquisadores.

Ainda que existam alguns achados positivos na dor e mobilidade de curto prazo, os dados sugerem que a fita pode ter efeitos mínimos ou até desprezíveis em períodos mais longos de tempo.

👉A médio e longo prazo, a bandagem também não apresenta vantagens sobre funções como:

  • Força muscular
  • Amplitude de movimento
  • Sintomas específicos musculoesqueléticos

 

“Não há evidências suficientes de que o KT [kinesio tape] melhore a qualidade de vida nesses pacientes”, destacam os pesquisadores na discussão do estudo.

Revisão de estudos clínicos

 

Para analisar a eficiência da bandagem elástica funcional, os pesquisadores utilizaram 128 revisões sistemáticas. As revisões reuniam 310 ensaios clínicos, com quase 16 mil participantes e 29 diferentes condições musculoesqueléticas, em diferentes períodos de tratamento.

Entre as condições avaliadas estavam:

  • Pós-operatório de joelho
  • Dor crônica no joelho ou nas costas
  • Osteoartrite de joelho
  • Cotovelo de tenista (tendinopatia lateral do cotovelo)
  • Fascite plantar

 

A maioria dos trabalhos avaliou condições que afetam pernas e pés (45%) e intensidade da dor (89%).

Além de confirmarem que as evidências sobre o benefício a longo prazo do produto são incertas, os estudos também alertam que o uso pode causar alguns efeitos colaterais.

Entre os principais problemas, os pesquisadores destacam irritação na pele (40%) e coceira (30%).

“Embora eventos adversos geralmente desapareçam sem tratamento, irritação na pele e coceira continuam sendo preocupações”, afirmam os pesquisadores.

Desafios e limitações

 

O grupo afirma que, apesar de reunir uma quantidade significativa de evidências, a revisão “não permite fazer recomendações definitivas sobre o uso do KT em distúrbios musculoesqueléticos”.

Isso porque boa parte dos resultados tem baixa robustez clínica, e a certeza dos achados é limitada pela grande heterogeneidade.

“O uso do produto deve ser feito com cautela na prática clínica, com decisão compartilhada entre profissional e paciente, considerando preferências individuais, alternativas terapêuticas e possíveis efeitos adversos, como irritação e coceira na pele”, recomendam.

 

De acordo com os pesquisadores, estudos futuros devem melhorar a qualidade da metodologia e também encontrar novas formas de avaliar benefícios clínicos.

(Fonte:G1)