Correio de Carajás

Audiência pública: comunidade reclama segurança nas escolas

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Alunos, professores, pais de estudantes e autoridades se reuniram na Escola Estadual Gabriel Sales Pimenta, localizada em Morada Nova, na última quinta-feira (16), para discutir um problema que vem tirando o sossego da comunidade escolar: a falta de segurança. Na ocasião, após ouvir relatos de roubos e furtos ocorridos dentro da escola, a diretora da 4ª Unidade Regional de Educação (URE) – órgão ligado à Secretaria de Educação do Estado –, Alcinara Jadão, disse que o primeiro passo a ser tomado é a reestruturação do horário dos vigilantes da instituição.

“Porque a escola tem seis vigias e ainda tem um que não é da escola e foi realocado para cá. Então, tem que verificar essa questão da escala, que é gerencial”, destacou, se comprometendo a reunir com a diretora do colégio para montar uma nova escala de vigilância, principalmente, no portão de entrada. Além disso, ela declarou que é necessário uma padronização dos alunos, que devem comparecer ao ambiente escolar uniformizados.

Jadão disse também que os estudantes devem deixar de levar os aparelhos telefônicos para a sala de aula, a fim de evitar que mais casos de furtos e roubos ocorram no local. “A pessoa que entra dentro da escola atrás de celular ou para tomar o cordão de ouro, está disposta a tudo e, como a diretora falou, ninguém vai ficar pegando em arma e nem ir para cima de um bandido”, afirmou.

Leia mais:

Já o sargento Gladson, comandante do Posto Policial Destacado (PPD) em Morada Nova, se colocou à disposição da comunidade para dar mais segurança aos alunos e funcionários da escola. Ele divulgou um número de telefone de contato direto com o destacamento (99247-8265) e ainda garantiu que vai rever os horários das rondas na região para que elas sejam feitas conforme a necessidade da instituição.

Reforço

A audiência pública contou também com a presença do secretário de Segurança Institucional do município (SMSI), Jair Guimarães. Em sua fala, ele disse que vai intensificar a fiscalização do trânsito, por meio de blitz realizada pelo Departamento Municipal de Trânsito e Transportes Urbanos (DMTU), em parceria com Polícia Rodoviária Federal (PRF), levando em consideração que grande parte dos atos criminosos são cometidos com o auxílio de motocicletas roubadas.

Jair disse ainda que estuda a possibilidade de instalar uma base fixa da Guarda Municipal de Marabá (GMM) e do DMTU no complexo São Félix e Morada Nova. O superintendente da GMM, Roberto Lemos, por sua vez, garantiu que vai também disponibilizar a Ronda Escolar para a instituição. Segundo ele, devido a limitação de pessoal e transporte, a segurança no âmbito escolar não poderá ser feita diariamente, mas nos momentos de mais necessidade, previamente acordados junto à instituição de ensino.

O deputado estadual João Chamon, que acompanhou toda a reunião, demonstrou indignação com a situação da comunidade na região e garantiu a doação de uma viatura à SMSI, além de um carro para a GMM e três motocicletas para o DMTU.

Reclamações

De acordo com a diretora do colégio, Susana Nunes, não havia registros anteriores de pessoas entrarem armadas na escola para cometer assaltos. Ela declarou ainda que o fato ocorrido há algumas semanas chegou a chocar quem frequenta a unidade escolar, principalmente, a servente da escola que foi vítima do roubo.

“Na semana passada aconteceu com estudantes. Eu estava na sala falando da questão dos uniformes, quando escutei um barulho e vi quatro alunas em desespero falando que tinha um cara com arma, não sei se de brinquedo ou de verdade”, revelou. Para piorar a situação, o rapaz que cometeu o crime usava o uniforme da escola, conforme relato da própria administradora.

Para a aluna Gislaine Rodrigues, a situação é ainda mais grave, uma vez que os furtos acontecem dentro da sala de aula e são cometidos pelos próprios alunos, segundo ela. “Essa semana, aconteceu dentro da minha sala, uma garota deixou o celular em cima da mesa e foi falar comigo. Quando ela voltou, até chamaram a polícia, porque tinham levado o celular dela”, relatou. A garota ainda afirmou que não se sente protegida no ambiente escolar e que seu sentimento é de humilhação, além de acrescentar que nem os muros da instituição são capazes de impedir a entrada de meliantes.

Chamon quer diminuir a burocracia para a contração de docentes

Embora a reunião tivesse o propósito de discutir a segurança na escola, outros problemas foram expostos por pais de alunos e pelos próprios estudantes. Dentre as reclamações mais comuns, estava a falta de um professor de língua portuguesa para os alunos do primeiro ano do tempo integral.

“Uma escola que desde o mês de agosto que não tem uma disciplina de língua portuguesa no dito ensino integral, essa escola está deixando a desejar quanto a educação dos nossos filhos”, declarou Aglaides Cordeiro, mãe de um aluno da instituição. Ela disse que não há também professores de arte para os estudantes e que até o momento ninguém tinha dado uma resposta ou apresentado soluções para esse problema.

No entanto, Alcinara Jadão, diretora da 4ª URE, defendeu que o que impede os alunos de terem acesso ao ensino de português e artes é a falta de profissionais para assumir as vagas. “Eu não posso colocar um professor que foi convocado, mas não foi habilitado, para trabalhar. Como não foi habilitado? Ele se inscreveu e quando vai ver, tem acúmulo de horário. Ele já tem 200 horas no município e não pode dar aula no tempo integral”, justificou, acrescentando que não é permitida mais a política de indicação de professores.

Para solucionar o impasse o deputado estadual João Chamou se adiantou e chegou a marcar uma reunião com a secretária de Educação do estado, Ana Cláudia Hage, para discutir a situação da “escola como um todo”. “É inadmissível que em pleno século 21 uma escola de segundo grau deixe de ter como disciplina a mais importante das matérias, a língua mãe, que é o português. Quando eu soube disso, tomei a primeira providência que foi marcar no dia 23, às 15 horas, uma reunião com secretária de educação do estado do Pará”, declarou.

O parlamentar disse ainda que é importante que a diretora da 4ª URE, da escola, representante dos alunos, dos pais e dos professores se façam presentes no encontro. Além disso, se comprometeu a fazer um projeto de lei que estenda para três anos o tempo limite do professor contratado e que diminua a burocracia para contratação de professores no estado. 

Saiba Mais – A audiência pública foi uma iniciativa dos pais dos alunos em parceria com professores e gestores da escola. Dentre as autoridades presentes estavam o vice-prefeito de Marabá Toni Cunha, os vereadores Márcio do São Félix e Cabo Rodrigo e o diretor do DMTU, Jocenilson Silva. 

(Nathália Viegas)

Alunos, professores, pais de estudantes e autoridades se reuniram na Escola Estadual Gabriel Sales Pimenta, localizada em Morada Nova, na última quinta-feira (16), para discutir um problema que vem tirando o sossego da comunidade escolar: a falta de segurança. Na ocasião, após ouvir relatos de roubos e furtos ocorridos dentro da escola, a diretora da 4ª Unidade Regional de Educação (URE) – órgão ligado à Secretaria de Educação do Estado –, Alcinara Jadão, disse que o primeiro passo a ser tomado é a reestruturação do horário dos vigilantes da instituição.

“Porque a escola tem seis vigias e ainda tem um que não é da escola e foi realocado para cá. Então, tem que verificar essa questão da escala, que é gerencial”, destacou, se comprometendo a reunir com a diretora do colégio para montar uma nova escala de vigilância, principalmente, no portão de entrada. Além disso, ela declarou que é necessário uma padronização dos alunos, que devem comparecer ao ambiente escolar uniformizados.

Jadão disse também que os estudantes devem deixar de levar os aparelhos telefônicos para a sala de aula, a fim de evitar que mais casos de furtos e roubos ocorram no local. “A pessoa que entra dentro da escola atrás de celular ou para tomar o cordão de ouro, está disposta a tudo e, como a diretora falou, ninguém vai ficar pegando em arma e nem ir para cima de um bandido”, afirmou.

Já o sargento Gladson, comandante do Posto Policial Destacado (PPD) em Morada Nova, se colocou à disposição da comunidade para dar mais segurança aos alunos e funcionários da escola. Ele divulgou um número de telefone de contato direto com o destacamento (99247-8265) e ainda garantiu que vai rever os horários das rondas na região para que elas sejam feitas conforme a necessidade da instituição.

Reforço

A audiência pública contou também com a presença do secretário de Segurança Institucional do município (SMSI), Jair Guimarães. Em sua fala, ele disse que vai intensificar a fiscalização do trânsito, por meio de blitz realizada pelo Departamento Municipal de Trânsito e Transportes Urbanos (DMTU), em parceria com Polícia Rodoviária Federal (PRF), levando em consideração que grande parte dos atos criminosos são cometidos com o auxílio de motocicletas roubadas.

Jair disse ainda que estuda a possibilidade de instalar uma base fixa da Guarda Municipal de Marabá (GMM) e do DMTU no complexo São Félix e Morada Nova. O superintendente da GMM, Roberto Lemos, por sua vez, garantiu que vai também disponibilizar a Ronda Escolar para a instituição. Segundo ele, devido a limitação de pessoal e transporte, a segurança no âmbito escolar não poderá ser feita diariamente, mas nos momentos de mais necessidade, previamente acordados junto à instituição de ensino.

O deputado estadual João Chamon, que acompanhou toda a reunião, demonstrou indignação com a situação da comunidade na região e garantiu a doação de uma viatura à SMSI, além de um carro para a GMM e três motocicletas para o DMTU.

Reclamações

De acordo com a diretora do colégio, Susana Nunes, não havia registros anteriores de pessoas entrarem armadas na escola para cometer assaltos. Ela declarou ainda que o fato ocorrido há algumas semanas chegou a chocar quem frequenta a unidade escolar, principalmente, a servente da escola que foi vítima do roubo.

“Na semana passada aconteceu com estudantes. Eu estava na sala falando da questão dos uniformes, quando escutei um barulho e vi quatro alunas em desespero falando que tinha um cara com arma, não sei se de brinquedo ou de verdade”, revelou. Para piorar a situação, o rapaz que cometeu o crime usava o uniforme da escola, conforme relato da própria administradora.

Para a aluna Gislaine Rodrigues, a situação é ainda mais grave, uma vez que os furtos acontecem dentro da sala de aula e são cometidos pelos próprios alunos, segundo ela. “Essa semana, aconteceu dentro da minha sala, uma garota deixou o celular em cima da mesa e foi falar comigo. Quando ela voltou, até chamaram a polícia, porque tinham levado o celular dela”, relatou. A garota ainda afirmou que não se sente protegida no ambiente escolar e que seu sentimento é de humilhação, além de acrescentar que nem os muros da instituição são capazes de impedir a entrada de meliantes.

Chamon quer diminuir a burocracia para a contração de docentes

Embora a reunião tivesse o propósito de discutir a segurança na escola, outros problemas foram expostos por pais de alunos e pelos próprios estudantes. Dentre as reclamações mais comuns, estava a falta de um professor de língua portuguesa para os alunos do primeiro ano do tempo integral.

“Uma escola que desde o mês de agosto que não tem uma disciplina de língua portuguesa no dito ensino integral, essa escola está deixando a desejar quanto a educação dos nossos filhos”, declarou Aglaides Cordeiro, mãe de um aluno da instituição. Ela disse que não há também professores de arte para os estudantes e que até o momento ninguém tinha dado uma resposta ou apresentado soluções para esse problema.

No entanto, Alcinara Jadão, diretora da 4ª URE, defendeu que o que impede os alunos de terem acesso ao ensino de português e artes é a falta de profissionais para assumir as vagas. “Eu não posso colocar um professor que foi convocado, mas não foi habilitado, para trabalhar. Como não foi habilitado? Ele se inscreveu e quando vai ver, tem acúmulo de horário. Ele já tem 200 horas no município e não pode dar aula no tempo integral”, justificou, acrescentando que não é permitida mais a política de indicação de professores.

Para solucionar o impasse o deputado estadual João Chamou se adiantou e chegou a marcar uma reunião com a secretária de Educação do estado, Ana Cláudia Hage, para discutir a situação da “escola como um todo”. “É inadmissível que em pleno século 21 uma escola de segundo grau deixe de ter como disciplina a mais importante das matérias, a língua mãe, que é o português. Quando eu soube disso, tomei a primeira providência que foi marcar no dia 23, às 15 horas, uma reunião com secretária de educação do estado do Pará”, declarou.

O parlamentar disse ainda que é importante que a diretora da 4ª URE, da escola, representante dos alunos, dos pais e dos professores se façam presentes no encontro. Além disso, se comprometeu a fazer um projeto de lei que estenda para três anos o tempo limite do professor contratado e que diminua a burocracia para contratação de professores no estado. 

Saiba Mais – A audiência pública foi uma iniciativa dos pais dos alunos em parceria com professores e gestores da escola. Dentre as autoridades presentes estavam o vice-prefeito de Marabá Toni Cunha, os vereadores Márcio do São Félix e Cabo Rodrigo e o diretor do DMTU, Jocenilson Silva. 

(Nathália Viegas)

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